quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

on my mind #6

Há partes de mim que constituem um puzzle que não tinha imagem nas instruções.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Onde?

Para onde se vai quando de cai de um sonho abaixo? Quem apanha os restos? Quem os vai entregar ao familiar mais próximo?
Quando os sonhos acabam e vão lá para onde os sonhos moram, fica sempre alguma coisa esquecida, tal como num quarto de hotel, onde sobra sempre uma meia, uma escova ou uma camisa de dormir, perdidos em locais que a mala de viagem não arrecadou e deixa como rasto do que se viveu ali.
Também nos sonhos é assim, o que resta é o que guardamos, o que recordamos. Por vezes as partes boas, outras vezes as más, depende da maneira como terminam os sonhos e chegam as realidades cruas. Depende da velocidade com que caímos dali abaixo. A voar ou aos trambolhões, cair implica quase sempre descer, mesmo que se volte a subir de seguida, para não ganhar medo. O medo que nos afasta de tentar, tentar de novo ou tentar outra vez, mesmo que magoados, mesmo que doridos ou muito sofridos. O medo que nos impede de arriscar, de poder cair outra vez, mas de outra maneira. O medo que não nos deixa aprender e voltar subir, voltar a sonhar.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

on my mind #5

Preferia não me lembrar de ti quando são outras mãos que eu toco.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Regatear

Encontrei algo que me pertencia, algo que já senti, algo que já foi meu. Como posso eu pedi-lo de volta, como posso eu provar que já foi meu, que já senti, que o perdi nem sei bem porquê?! Como posso apresentar provas de que há coisas que me saíram bem do fundo, do mais longe que conheço de mim?!
Não posso, posso apenas implorar, dizer que conheço alguns sinais e marcas de vacinas, ou até cicatrizes que deixaram marcas onde o tempo não passou. Posso dizer que te sinto, que os meus braços e o meu coração anunciam a tua chegada, mesmo antes de apareceres, que se fosse um cão, abanava a cauda, que a minha pele se arrepia com a lembrança do teu nome.
Quero voltar à casa partida, e mesmo sem ganhar dois contos, ir directa para a prisão onde te encontrarei e de onde não vou desejar sair até que respires o mesmo ar do que eu. Tenho ar a mais à minha volta, tanto ar que me sinto sufocada.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Dão-se alvíssaras

Não sei que fazer com o que sobra das emoções que tive de ir deixando pelo caminho ao longo dos tempos. Sobraram-me alguns bocadinhos de sorrisos atrevidos, sorrisos espontâneos e tantas vezes inconscientes, daqueles que se pregam à cara sem darmos por isso e só nos largam ao cair da primeira lágrima, que leva no caminho descendente até ao queixo, o sorriso que nos lábios morava.
Guardei os restos de abraços que ficaram por dar, ou de alguns apertados a correr, como se o tempo não chegasse para mais ou houvesse alguém entre nós . Tenho uma embalagem de carinhos que não cheguei a dar, mãos que não cheguei a apertar, orelhas em que não mexi e até lábios que não beijei o suficiente, ou tanto quanto queria. Também tenho beijos que dei, mas que queria devolver, que não me faziam falta, que dei por dar, porque estava ali, tal como quando compramos uns sapatos e sabemos à partida que dificilmente vamos voltar a usar e que, mais dificilmente ainda, nos iriam fazer felizes.
Restam-me ainda alguns olhares comprometedores, desviados um segundo antes de serem flagrados, mais uns quantos, gastos de tanto serem usados, de tanto permanecerem em cena.
No entanto há muitas outras coisas que gostava de recuperar, coisas que fui deixando por aí e não consegui guardar nem os restos. Às vezes por querer fugir, outras por ficar tempo demais e perder o rasto ao que, depressa demais, ia passando à minha volta.
Gostava de ser racional com as emoções, como sou com o economato, e ter tudo guardado e organizado, mas há restos que foram ficando sempre em gavetas erradas, há coisas que tive de deixar a meio, no inicio ou até antes mesmo de começarem, e nessas alturas não há disposição para catalogar, para arquivar como deve ser o que sobra. E agora reconheço que algumas delas me faziam falta, e queria encontrá-las algures no mercado negro, em segunda mão, que seja.
Alguns cheiros que me remetem para longe, que me fazem fechar os olhos de prazer e lembrança, numa tentativa de os trazer para perto de mim outra vez, um ou outro par de pés quentes, que me fazem lembrar que o Inverno está mesmo a chegar e que isto de dormir destapada a noite inteira, ainda assim, chegou a meados de Outubro.
Era bom que alguém me encontrasse tudo isto, que estará algures entre Portugal e o resto do mundo, algures entre o chão e a nuvem mais próxima. Alguém que me fizesse lembrar o que as palavras nunca dizem, o que os braços não agarram, mas que o coração dificilmente esquece. Porque quando alguém tem de sair mais cedo, normalmente não assiste ao melhor da festa.

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

com vista para o céu


ás vezes à noite é como se estivesse no planetário.

on my mind #4

há bocadinhos na vida em que até parece que somos felizes.

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

a diferença

A arte é alimentada de criatividade, imaginação e inspiração, que por sua vez são alimentadas de emoção e uma pequena parte de razão. Se assim não for, não é arte, é artesanato. É o que distingue um quadro de Paula Rêgo e uma cadeira de verga, e no entanto, ambas são peças únicas e igualmente feitas à mão.

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

a arte

Há quem diga que não está disponível para amar, para gostar, para se entregar. Há quem diga que não consegue fazê-lo, que não encontra ninguém que lhe faça perder as noites e a razão. Há quem pense que já não é possível que o amor ou a paixão lhe surjam na vida porque já viram tudo e já sentiram o que tinham a sentir. Há quem diga que já não precisa de sentir mais nada e que já gastou o que tinha dentro de si. Há quem diga que as emoções são fáceis de controlar, são fáceis de dirigir, de conduzir, de parar, acelerar ou mantê-las em suspenso até que seja mais oportuno. Há quem diga que não precisa de ninguém para que as emoções façam sentido. Há quem diga que entregar-se é gastar demasiado tempo e energia que pode canalizar para coisas mais importantes. Há quem diga simplesmente que não, sem pensar porquê, sem pensar que tudo o que recebe de volta quando deixa, quando se entrega, quando arrisca, é muito mais compensador do que toda a energia que poupa em não o fazer. A energia anímica, o bem-estar, a alegria e principalmente o sorriso, não gastam o tempo de um cigarro e não provocam doenças.

E depois há quem diga que tudo isto é uma arte, a de fugir.

Fugir de si, fugir do que sente e do que pode ter, ser, sentir e sorrir. Fugir de ser muito mais, de estar muito mais, de querer muito mais. Sem perder o que quer que seja. Ao contrário da carteira, nas emoções, é no gastar que está o ganho.

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

facto #5




Quando se corre contra o vento não se consegue chorar decentemente.



segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Aprendi aos bocadinhos

Aprendi que a dor à noite dói mais. Aprendi que os namorados das minhas amigas são muitas vezes para elas o melhor, mas nem sempre o melhor para elas; aprendi a gastar menos tempo em discussões que não levam a lado nenhum; aprendi a fazer hoje o que me apetece fazer hoje e não esperar por um outro dia que seja mais oportuno; aprendi a relativizar a importância dos problemas; aprendi que para conseguir uma carreira é quase sempre preciso uma paragem; aprendi que só o que provoca emoções vale realmente a pena; aprendi que as paixões não se adiam; aprendi que por vezes uma palavra basta para fazer sorrir alguém, e não custa nada; aprendi que o meu telemóvel devia bloquear ao quarto copo de vinho, ou ao terceiro de vodka; aprendi que os animais me ensinam mais sobre o amor que muitas palavras; aprendi que nada é garantido na vida; aprendi que sentada, a vida não vem ter comigo, mas que preciso de me sentar aos poucos para a continuar a viver.

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Aqui.


Já aqui estive no dia 2/02/02, lembro-me que estava triste e desmoralizada como não tinha memória de estar. Tinha acabado de perder um trabalho que algumas horas antes me tinham dito que era meu. Enfim, mais tarde revelou-se ter sido uma bênção essa perda, revelou-se uma sorte não ter ganho o lugar.
Hoje, mais de sete anos depois, e embora a minha vida não tenha mudado substancialmente, estive aqui, neste mesmo sítio a 9/09/09.
Pelo meio foram muitas as vezes que aqui estive, ora á procura de respostas, ora á procura de um local onde, com a calma que me transmite, me deixasse questionar. Já aqui vim á procura de nada, apenas de estar comigo. Já aqui vim para chorar. Já aqui trouxe algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Já aqui respirei o amor, já aqui beijei a paixão, já aqui abracei a saudade.
E não me cansa, o sítio, a vista incomparável sobre a cidade que de facto amo, a energia, a calma...e por vezes o vento. Descansa-me como se entrasse num mundo paralelo onde não me conseguissem tocar e nada me conseguisse fazer doer. Marca-me sempre vir aqui, marca-me sempre este cheiro, estas cores de Lisboa, este ar. De dia ou de noite, feliz, triste, de sorriso em riste ou no fundo do poço, muitas foram as palavras que levei deste silêncio, desta Paz. A Senhora (do Monte) já fez muito mais por mim do que alguma vez Imaginará. Já me Ouviu, já me Olhou, já me Questionou, já me Respondeu e já me Limpou lágrimas que por vezes pareciam não ter fim. No entanto, sempre o têm, há sempre um fim, que também é um início ou reinício. Um ponto final parágrafo e vira a página, ou apenas uma vírgula.
Tudo aqui, algumas vezes em breves momentos, algumas outras em horas não contadas, mas marcadas pelos sinos das igrejas que não sei distinguir. Só eles dizem que o tempo aqui também passa, porque comigo ele pára e afasta-se da realidade, que recomeça no momento em que a chave do carro roda na ignição e tudo volta ao seu ritmo, ao seu jeito de ser, real e finito como todos os outros tempos, como todas as outras realidades. Aqui.

Máscaras (ou caraças como hoje me disseram) são na maioria das vezes representativas do Teatro, mas não só. São a representação da nossa própria vida, ora infeliz ou feliz, ora certo ou errado, quente ou frio, bom ou mau...opostos, os pontos de referência que temos de ter para conseguirmos dar valor e aproveitarmos o que temos e o que somos. Por vezes é nas grandes diferenças que reside a proximidade. As máscaras defendem-nos, protegem-nos, tanto quanto nos escondem, mas não apagam o que está por trás delas próprias:a nossa essência, o nosso Ser, neste palco q é a VIDA!

domingo, 23 de Agosto de 2009

De certeza que há

Há palavras que descrevem muito melhor aquilo que eu sinto, há poemas em que tudo seria dito em quatro meias linhas, há livros em que bastaria o título da capa, o sub-título, até a lombada seria mais que suficiente, mas aqui, por mais espaço que tenha, por mais palavras de que disponha, não tenho palavras, não tenho jeito ou não sei dizer, escrever, aquilo que me passa pelas veias, ou lá por onde passam as coisas que se sentem e que chegam ao resto do corpo. Não tenho, não sei dizer, não passa pela transcrição para o papel ou para onde quer que o virtual o leve, o que sinto, o que me estão a fazer sentir ou a pensar , ou sequer a sonhar. Se alguém as tiver que me as faça chegar se fizer esse pequeno favor. Bem-haja

terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Há pessoas.

Há cheiros.

Há vazios.


Há momentos.

Há sorrisos.

Há tu.

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

on my mind #2

Tenho um nome a pingar na cabeça, deve ser uma torneira mal fechada.

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

facto #4


Angústia é uma coisa que vem do estômago até à boca e que por vezes sai pelos olhos.

terça-feira, 28 de Julho de 2009

on my mind #1

Vou fazer as bainhas á auto-estima e volto já.

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Espera

Não é à tua espera que eu estou. Já me perdi na horas e nos dias em esperas quase sempre inúteis. Já esperei palavras e pessoas que nunca chegaram ou chegaram tarde, nunca apareceram, alguns nem existiram.
Hoje já não espero apenas palavras, espero acções, já não espero pessoas, espero emoções, sentimentos.
Aflige-me ser demasiado fiel ao que sinto e não me disponibilizar para receber mais. Fico à espera de repetições, de continuações, como se de um guião se tratasse. Mas não dás as deixas, nesta história que podia ser um filme alternativo que ainda não estreou.
Não é à tua espera que eu estou, mas és tu que me fazes sentir aquilo que eu espero.

domingo, 12 de Julho de 2009

facto #3


Nas cadeiras do tempo espero, mas não descanso.

segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Nos dias em que não existes

Como é que se consegue ser tão intensamente presente e tão "distantemente" ausente?
Quase tenho medo de saber e conhecer mais para não descobrir que és feito do mesmo material que os sonhos, que só existem quando estão connosco, na nossa almofada.
O tempo passa, mas a almofada, a mesma dos sonhos, parece querer recordar-te, e à noite atira-me à cara o cheiro, nem bom nem mau, mas que é o teu. Atira-me à cara o que me fazes pensar e sentir, e por fim, atira-me à cara que ainda assim eu tenho de dormir, que não estás aqui. Depois chega a realidade e eu entrego-me contrariada.
Quando não estás ao alcance de um olhar, pareces viver num mundo paralelo, onde não há rede nem televisão por cabo, de onde só se sai com aviso de despejo e prescrição médica. Esfumam-se as ideias, tal como o calor que por aqui ficou e, embora não me canse de olhar em volta, tu não estás lá, nunca chegas, nunca dizes. Chegam os dias de frio e tu não respondes, não aqueces, não existes.
Os sonhos ultimamente têm cheiro, têm cor, têm forma, têm o calor de dois corpos que não precisam de descolar para adormecer. É tudo o que sobra para os dias em que não estás, os dias em que insistes em não existir.

sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Quando não há palavras

Quando não há palavras há um lugar vazio que a distância não ocupa. Há uma dor que se vai amolgando com o tempo, que se desvanece, mas que marca, que turva olhar e não deixa ver mais além. Quando não há palavras o tempo parece mais longo, tem paragens, teima em arrastar-se ao longo do caminho.
O espaço que deixámos vazio para as palavras se cruzarem vai criando raízes, ervas daninhas que não se deixam arrancar. E é assim, devagar, como crescem as ervas que não são regadas, que se vai preenchendo até deixar de ser um lugar vazio, sem vida. Passará a ser terra cultivada à força, só para não cairmos ao tentar saltar, altura em que voar resolveria quase tudo. No ar não existem “pedras no caminho”, rasteiras ou degraus mais disfarçados. Não há trânsito nem insultos descabidos, não há falta de estacionamento e podemos encostar em qualquer lugar.
A terra parece, por vezes, ocupada demais, viva demais, congestionada demais, movimentada demais. O ar tem mais espaço e é por ele que tantas vezes voam as palavras que não são ditas, que não são escritas.
As palavras voam, e algumas vezes não chegam a descer, é vulgar por isso, apanharmos ideias assim, no ar. E quando andamos com a “cabeça no ar” estaremos provavelmente a tentar vermo-nos livre delas...ou à procura delas.

terça-feira, 26 de Maio de 2009

Onde dormem os sonhos?

Onde ficam os meus sonhos quando acordo de manhã? Quem os guarda até eu voltar a deitar-me, até voltar a chamar por eles? Os sonhos devem ser uma espécie de filhos independentes que durante o dia vão à vida deles e voltam já à noitinha, naquela última hora em que estamos sentados no sofá a olhar para ontem. Aí chegam eles, fresquinhos, como se não tivessem andado a palmilhar o dia inteiro, como se não ficassem hora a fio a olhar um computador e a desejar a hora de chegar a casa. Chegam para se deitarem connosco, para ocuparem algum lugar vazio, o lugar da companhia que não está, não chega, não o é.
Aninham-se em nós como se nunca tivessem saído dali, como se fosse um episódio com continuação, numa história que não acaba nunca, só mudam as personagens e os cenários.
Onde vão dormir os meus sonhos quando se levantam? Os sonhos esperam sempre que eu me deite, nunca lá estão quando eu chego, nunca adormecem à minha espera. Os sonhos chegam sempre a tempo, mesmo que não tenham relógio. Os sonhos não me deixam antes de acordar, e por vezes até são interrompidos abruptamente sem querer. Eles fazem-me rir, chorar, fazem-me estar onde nunca fui, fazem-me ser o que nunca pensei ser, ter o que nunca tive, ou tive mas não dei atenção, e principalmente, sentir o que não sinto quando estou acordada. Os sonhos mimam-me de tal maneira que chego a pensar que têm braços, que têm coração, que têm cinco sentidos como eu. Mas se têm tudo isto, onde se escondem durante todo o tempo que não estão comigo a fazer-me…sonhar?

quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Erro de calendário

Ao longo da nossa vida cruzamo-nos mais do que uma vez com pessoas que poderiam ficar na nossa vida para sempre, ou pelo menos até ao mês que vem. No entanto, pelas mais diversas razões, ou até sem razão nenhuma, desvanece-se o que parecia alinhado. Por falar muitas vezes, por falar poucas vezes, por não falar, por não ter tempo para encontros, por não ter cabeça para ir ao cinema, por não ter dinheiro para ir jantar fora, por não ter carro, e por ai adiante, o interesse vai-se diluindo e acabam por ficar apenas algumas recordações. Hoje, as relações precisam de toda uma conjuntura para que funcionem, ou pelo menos para que comecem. Se a vida não nos fizer cruzar por obrigação, por trabalho ou por acaso, e não nos fizer tropeçar constantemente na mesma pessoa, é muito provável que não seja oportuno, não haja tempo nem disposição, para mudar os nossos trajectos e encontrar algo que nem sabemos o que é, ou seja, mudar de rumo sem ter um objectivo. Os encontros parecem fazer mais vezes sentido se forem apenas por acaso, muito mais nos deixam a pensar, muito mais nos questionam, principalmente se se repetirem.
Numa outra altura, num outro lugar, uma outra pessoa, e tudo faria sentido, tudo parecia encaixar como desenhado de propósito. Há vezes em que tinha tudo para dar certo, mas não deu, nem certo nem errado, não deu nada. Porque não era agora, porque não era ali, porque não se estava disponível, porque ainda há alguém a povoar as ideias, porque daqui a nada se vai de férias, porque, porque, porque. Quinze dias depois liga-se e já tudo se apagou. Já não apetece. Mas agora é que era.

quarta-feira, 16 de Julho de 2008

facto #2


Amar não é um compromisso, é uma consequência.

terça-feira, 15 de Julho de 2008

Almofadas de sorrisos menos felizes

À minha Kitty de estimação:


Há coisas que nos custam a aceitar, um acidente, uma falha, um acaso, outras há que além de custarem a aceitar, deixam marcas para sempre. Algumas mais profundas outras mais visíveis, umas felizes outras nem tanto. Importa reter o que aprendemos, o que vivemos, o que sentimos. Importa principalmente arrumar os restos e as ideias para não correr o risco de tropeçar algures no tempo, numa memória desarrumada que se atravessou à nossa frente.
Quanto mais tempo passa, mais gavetas precisamos e mais arrumadinhas têm de estar. Um dia vamos naturalmente poder mudar o guarda-roupa para sempre, porque o Inverno já não volta.
Não há atalhos para esquecer, na realidade nem interessa esquecer, interessa sim arrumar o que passou para, mais tarde ou mais cedo, poder guardar e usar outro presente, outras alegrias, outras chatices (inevitavelmente), outras ideias, que seja. No futuro, que é a partir de ontem, há outros locais para ir, mais longe, mais bonitos, mais felizes. Hoje nem tudo faz sentido, é natural, mas dia a dia, a estrada vai parecer mais longa e bem melhor alcatroada. Amanhã ainda é cedo, mas é já tempo de saberes que o teu caminho ainda agora começou, mas que dele sempre farão parte algumas pessoas que acolheste no teu coração, nas tuas nuvens saltitantes, nas tuas almofadas de sorrisos, nos teus sonhos de algodão, ou nos teus beijos doces com elefante saltitantes. Serão elas que te farão sombra, quando no teu caminho, a estrada tiver demasiado Sol, serão elas que trarão a ovelha e a lã para o teu casaco de Inverno, serão elas que se transformarão em esponja, quando as lágrimas parecerem inundar o mundo. Eu sou uma Ela, e sei que assino por mais umas quantas, porque não estás sozinha e estamos sempre a começar algo. E é isso que nos indica qualquer fim, um novo início…dos bons, sempre melhor…e sem ser preciso passares na Casa Partida e ganhar 2 contos.

quarta-feira, 9 de Julho de 2008

facto #1










O coração é como o papel, não pode ficar muito tempo molhado que enruga.

segunda-feira, 7 de Julho de 2008

A responsabilidade do Tempo

Deixamos que o tempo resolva tudo, que o tempo nos dê respostas, nos faça ver as coisas de outra maneira, às vezes como elas são, às vezes como elas nos passaram ao lado, enquanto deixamos o tempo passar.
Deixamos que o tempo faça tirar as nódoas da roupa, as nódoas negras, o amachucado que não levou ferro. Damos ao tempo o poder de nos fazer esquecer um amor, de nos tirar as dores, as mazelas, as feridas. Tudo acaba por passar, com o tempo.
Será que há tempo para tudo isto? Será que temos tempo para deixar que seja o tempo a fazer tudo isto por nós?
Nós que vivemos a urgência do fazer, do ter, do querer, deixamos tudo isto longe das nossas mãos e tantas vezes longe da nossa vista, entregue assim, de mão beijada ao tempo?

sábado, 5 de Julho de 2008

Como se...#3

Toquei-te, como se fosse a primeira vez
e era

Abracei-te, como se não conhecesse o teu corpo
e não conhecia

Beijei-te, como se te contasse alguns segredos
e contei

Despedi-me, como se daqui a nada te voltasse a ver
mas não vi

quarta-feira, 4 de Junho de 2008

A memória da Saudade

Ainda bem que estou em Portugal, que sou portuguesa, que me sinto portuguesa. Só assim poderia sentir saudade, valha-nos uma das coisas que só nós é que temos. Além do bacalhau seco, regado com azeite, a saudade é nosso melhor ingrediente. Há muita gente que sente falta, mas só nós temos Saudade. De quê? De praticamente tudo, da maneira que isto está, só mesmo o passado nos traz algum alento.
Nas pessoas, também é no passado, por mais recente que seja, que se encontra a saudade, o que fizeram, o que falaram e o que sentiram, principalmente. Mas a partir de quando é legítimo sentir saudade?! Pode alguém sentir saudade do que só sentiu, do que partilhou, por exemplo, uma única vez?! É possível sentir saudade de um momento e não de uma “pseudo-repetição” deles? É possível isolar esse único momento? Cabe na cabeça de alguém o discernimento para identificar um momento preciso para de lá trazer a saudade?
A saudade não tem momentos únicos, não tem sensações específicas, tem uma espécie de apanhado de tudo, uma globalização pequenina de sentimento, emoção e até tacto. A saudade lembra tudo isso praticamente ao mesmo tempo, é ridícula e ingrata por vezes, é estranha e fugidia, mas nunca completamente falsa.
Pode-se ter saudade do que nunca se viveu, do que nunca se teve, mas que pela repetição do desejo, do sonho, já se sentiu, já se sofreu mais profundamente do que em alguns passados.
Tenho saudades do pequeno tempo dos momentos, únicos como todos, mas dos quais a saudade tem feito questão de me lembrar. A saudade tem muito boa memória.

segunda-feira, 26 de Maio de 2008

No país dos rótulos

Em Portugal para se existir tem de se ter um rótulo, por mais humilde que seja. Não é à toa que existe um provérbio “chamar os bois pelos nomes”, porque tudo tem de ter um nome. Num país onde ninguém lê os livros de instruções, é natural que se preocupem mais com o nome do que com a forma de usar.
A relação entre duas pessoas, principalmente, tem de ser uma coisa bem definida.
Entre duas pessoas, sejam elas de que géneros forem, há sempre um rótulo, que eventualmente pode ir mudando. É-se Conhecido, depois passa-se a Amigo, depois grande Amigo, depois dos melhores Amigos, se for o caso, Namorado, Noivo, Marido, Ex-marido, Defunto. Para que não haja dúvida alguma, todos estes estágios têm de ser declarados publicamente e em alguns casos registados oficialmente, caso contrário, é como se não existissem.
Será que não se pode Só estar porque se está bem, e não ter de tomar decisões quanto ao nome que ”vamos chamar a isto”? Será que só porque não tem nome, a relação não pode ser séria e intensa? Só porque não “assumimos isto”, as pessoas não vão acreditar, não nos vamos envolver da mesma maneira? Não vamos sentir o que tivermos de sentir?
Ou por outro lado, vamos ficar mais responsabilizados, vamos ser mais respeitados, ou até mais amados, só porque isto tem um nome e se chama namoro, noivado (aqui a diferença está no anel), ou casamento?
Nos tempos que correm, um rótulo ainda pesa assim tanto?
Não se precisa de um rótulo para ser feliz, precisa-se de pessoas, de sentimentos, de emoções e de tudo o que dai advém. Não é preciso um rótulo para as pessoas se darem, dão-se porque sentem, seja dar uma flor, o coração ou o corpo.
Não é o rótulo que faz suspirar incessantemente ou atravessar a cidade para enxugar umas lágrimas. É o que está por dentro que nos move.
Bom mesmo é sentir, que se lixe o nome que se dá à coisa!

terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

Visto de longe

Velo-te em cada noite, acredito-te em cada sonho
Sinto-te em cada olhar que nem sequer é para mim
Sento-me no colo que só a minha ingenuidade conhece
e só a minha imaginação acredita.
Aconchego-me para não cair do meu sonho abaixo
Estás tão longe
e mesmo assim encosto a minha cara no teu peito e aguardo o bater mais forte do teu coração
Enrolo-me no teu pescoço à procura do beijo quente entalado no meu abraço
Estás tão longe, tão frio
devia puxar-te o lençol para cima
talvez acordes mais perto.

quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

S.Valentim não celebra o Amor!

Mais gente se lembraria do amor, se o tal de S.Valentim o celebrasse. Não há o dia do Amor, para que nos lembremos dele, para que o comemoremos em condições, para que realmente fizesse diferença tê-lo ou não. Até a Árvore tem um dia, o Amor não.
Sim, o Amor devia ser celebrado todos os dias, como a Mulher, o Pai, a Mãe, a Criança, mas esses têm todos um dia específico, o Amor, coitadinho, não. Ninguém vai jantar fora de propósito por causa do amor, mesmo que seja uma Segunda e esteja a chover carrinhos de mão, mas tanta gente que vai só para mostrar o namorado. Namorado ou namorada, qualquer um ou uma tem, é fácil, é só querer, ou deixar, depende do caso. Amor não, amor dói, amor cansa, mas também descansa, também aquece, por dentro e por fora, mesmo nas noites geladas de Inverno, que por acaso este ano não houve, talvez tenha havido menos amor também.
Podem dizer também que o dia do amor é quando o Homem quiser, tal como o Natal, mas também não vejo ninguém a enfeitar pinheiros em Maio.
O S.Valentim celebra ou protege, ou lá o que faz, os Namorados, não quer dizer necessariamente, e tantas vez, que exista o Amor, porque não basta fingi-lo, é bom que se sinta, e para isso não se precisa também necessariamente de namorado, ou de qualquer rótulo. Namorado é um rótulo que se tem ou se põe, para que os demais não nos pensem perdidos ou desamparados, mas tantas vezes também nos perdemos em namoros, ou coisa que o valha, inúteis, pessoas com quem preferíamos não nos ter cruzado. Mas aprendemos, aprendemos que é mais importante amar que andar de mão dada em locais públicos. É mais importante o amor que temos por nós mesmos que qualquer outro, por mais que nos possa arrebatar, pois sem o primeiro nunca conseguiremos desfrutar completamente do segundo. Este é o segredo, por isso conta-se baixinho…enquanto o Amor não tem o seu dia inteiro. Vinte e quatro horas de holofotes neste palco, nesta vida. "Bem o haja"

quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Há tempo demais

Percebi que há demasiado tempo não publicava nenhum post quando cheguei ao blogger e não me lembrava do username!
Prometo aqui por escrito que não o vou abandonar por tanto tempo outra vez, prometo que vou fazer um grande esforço para manter uma disciplina de escrita verdadeiramente frequente. Está prometido, está prometido! Bem-haja

sábado, 24 de Novembro de 2007

Carta aberta a Vítor Baía - Parte X

Ninguém me tira da ideia que o grande querido fez o contrário dos amigos Luís Figo e Rui Costa, que se retiraram da selecção para se dedicarem a 100% aos seus respectivos clubes. Ninguém me tira da ideia que você se retirou do seu clube para se dedicar a 100% à selecção!!! E agora? Está à espera de ser convocado, certo?!

segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

Devolução

Haverá alguma maneira de fazer uma devolução de emoções?
Queria devolver várias. Devolver mesmo, para que voltem às prateleiras e alguém as possa levar para casa de novo.
Estão em bom estado, impecáveis, quase como novas, algumas delas acabadas de estrear. Não têm fotografias rasgadas nem discos partidos. Têm algumas músicas mais gastas de tanto ouvir, mas ainda tocam com a letra completa e intacta.Têm alguns filmes que não foram vistos, outros tirados do plástico da loja.
Estas emoções só tiveram um dono, mas não têm origem controlada nem garantia de durabilidade.
Têm colos quentinhos, chocolates e gomas, com prazo de validade acabado de ultrapassar. Não se aconselha, por isso, o seu consumo.
Devolvem-se intactas e embaladas em vácuo. Levam sorrisos, muitos sorrisos, e lágrimas, demasiadas, mas que podem ser usadas para outros fins.
Levam palavras bonitas e outras sem sentido, que ao misturar podem causar alguns efeitos secundários.
Estas emoções contêm ainda alguns presentes, algumas surpresas, mas tudo sem instruções de utilização.
Aguardo pretendentes à aquisição, que não carece de fiador. Garanto portes de envio.

sábado, 25 de Agosto de 2007

Com um brilhozinho (turvo) nos olhos

"...corremos estores
pusemos a rádio no On
acendemos a já costumeira velinha de igreja
pusemos no Off o telefone

e olha, não dá pra contar
pois sei que tu sabes aquilo que sabes que eu sei"

é que hoje 'desfiz' um amigo
e coisa mais desgostosa no mundo não há.

quarta-feira, 15 de Agosto de 2007

Uma questão de nome

No meu tempo, vá lá, no tempo em que as crianças ainda tinham dois nomes próprios, o nome Rita era muito vulgar. Tal como Ana, Inês, Sandra, Susana, Pedro, João, Miguel e por aí adiante. Maria era um nome feio e nenhuma rapariga o queria para segundo nome, quanto mais para primeiro. Todas as crianças tinha um segundo nome que normalmente ficava mal com o primeiro, com Pedro Alexandre, João Carlos, ou Miguel Ângelo, para não falar da Carla Alexandra, Sandra Cristina ou Luísa Margarida. Mas era considerado normal e no colégio as crianças eram conhecidas por esses dois nomes.
Hoje, mesmo que a criança ainda tenha três ou quatro anos, já é a Maria Gonçalves Pereira ou o Afonso Oliveira e Sá. Claro que facilita a distinção, já que uma boa percentagem das meninas se chama simplesmente Maria.
Maria passou também a ser um nome vulgar nos rapazes, embora sempre como segundo nome, pelo menos até aos dezoito anos!!
Até aqui tudo bem, são modas, são gerações diferentes, antes do meu tempo também todas as meninas tinham Maria como (quase) prefixo do nome. Ninguém as tratava sequer por Maria-qualquer-coisa, o Maria era totalmente simbólico e quase obrigatório, mas sempre em primeiro. O meu avô quis ser um erudito e tentou pôr Maria como segundo nome à minha mãe, mas o registo não autorizou e, como todas as outras, levou com o prefixo feminino Maria.
Tudo isto são nomes, têm fases, vão e voltam aos registos mais, ou menos, frequentemente.
Onde eu queria chegar era à publicidade, e questionar o facto de em qualquer spot que seja, tenha o target que tiver, há sempre uma Rita algures.
Eu tenho para mim que tudo começou quando a outra criancinha resolveu subir para cima da Marguerita, e a mãe mandava-a descer dali, que ainda arranjava um 31.
Hoje em dia, na rádio, televisão ou imprensa escrita leva com uma Rita escarrapachada. Seja a criancinha suja a quem a mãe "já explicou a importância de lavar as mãos", as chatas amigas do trrimm trrimm da tv cabo ou até, a Rita que já teve 240 de colestrol e, imaginem, a Rita e o Tiago em que um deles é incontinente e usa Lindor...mas ninguém percebe qual deles é!
Não acho isto normal!!! Vamos a uma qualquer lista de nomes portugueses, tipo lista telefónica, por exemplo, e há tantos nomes, tantos nomes, porquê senhores publicitários, andarem sempre com a Rita...na ponta da língua?!
Se ainda fosse ao contrário...as Ritas de certeza que agradeciam!!Bem-haja

domingo, 12 de Agosto de 2007

Um golo do Caneco!

Uma final, uma taça!
Ao fim de 24 jogos consecutivos sem perder, Paulo Bento faz levantar o caneco, o segundo do seu reinado do outro lado do banco, o lado que veste fato e gravata.
Ismailov, acabadinho de chegar de Marco de Canavezes, como o próprio nome indica, começou a sua carreira de leão ao peito, literalmente com o pé direito, num golaço daqueles que chegam aos clubes nos vídeos de promoção dos jogadores. Um golo literalmente do caneco!
É claro que não foi só uma Taça, foi um carago de uma Taça contra o Puorto, onde as vitórias são como "escovar os dentes"!
Dentistas nortenhos, abram alas, não para o Noddy, mas para as 63 cáries que vêm aí dos lados do Olival, que isto até até à próxima vitória ainda vai doer!!! Bem-haja e nada de chicletes!

terça-feira, 7 de Agosto de 2007

Amiga é um termo dúbio

O envolvimento, a paixão, o amor, dê-se o nome que se quiser, nunca chega adiantado, nunca chega antes do tempo. E que tempo é esse?
É o tempo que precisamos para racional ou conscientemente chegar à conclusão que há uma pessoa (ou passou a haver) na nossa vida, que é diferente das outras aos nossos olhos, pelo menos num qualquer momento.
Para entrar nas coronárias de alguém é preciso muito, como mais ou menos tempo, mas muito. Muito que pode começar por tão pouco, por um aperto de mão mais demorado, com uma palavra dita na altura certa, um olhar cúmplice, ou um conjunto de abraços, discussões e colos que garantem o carinho, os olhos fechados num beijo, um cantinho reservado numa cama já quente.
Não há receitas, não há caminhos mais curtos ou soluções definitivas, não há ponteiros a atropelarem-se em relógios que nos dão sempre o mesmo tempo, embora por vezes pareça parado ou demasiado apressado. O tempo é o mesmo, hoje é hoje e amanhã logo se vê. É tão ténue a linha que nos liga ao fim.
Porque é que nem sempre aproveitamos ou contamos a história, mesmo que comece a meio do livro?

quarta-feira, 25 de Julho de 2007

sky shouldn't be the limit

ao J:

Mas o céu foi mesmo o limite. Para lá do que se esperava, para lá do que era suposto, para lá das desculpas.
Já não há nada que o faça voltar, já não há explicações que atenuem a dor de perder alguém que foi antes do tempo.

A tua cabeça baixa, as tuas lágrimas, o teu inconformismo espelhava-se no olhar de todos os que ali estavam. Não há nada que o traga de volta e nos faça voltar para casa como se nada tivesse acontecido há sete dias.

As pessoas que se amam não se deixam, não partem, apenas nos deixam de visitar e ficam à nossa espera até ao dia em que o céu ou a terra, seja também o nosso limite. Quem nos ama não nos perde de vista, o amor não se esconde, pode apenas ficar mais longe.

Não há palavras, não há abraços, não há afectos que diminuam o sofrimento de uma família que perdeu um dos seus ramos mais altos e mais fortes. Não há nada neste mundo que possa garantir que daqui a uma semana, daqui a um mês ou dois, tudo vai ser diferente, porque simplesmente não vai. A árvore fica mais fraca, perde os frutos da próxima estação, mas tem de continuar de pé. Porque os que ficam, os que agora choram sem consolo que chegue, têm de ir buscar forças às raízes, ao tronco em que cresceram, e a tudo o que ficou para trás. Houve tanta coisa boa, tantas alegrias, tantas emoções, que sem ele, até aqui, também teriam sido diferentes. Ele estava cá, fez parte de toda a construção e fez com que todos à sua volta ficassem também com um bocadinho dele.

Não há regras para a vida e a morte aproveita-se disso.
Não há regras para viver e nós desperdiçamos demais.

Nestas alturas em que nos sentimos pequenos e inúteis para confrontar o destino, percebemos que a maior parte do tempo gastamos emoções à toa, perdemos tempo demais com problemas inúteis, que nos gastam energia e palavras desmedidas.

Não tenho palavras que te ajudem, porque tudo o que ouves ainda hoje, é o teu coração apertado demais para sentir seja o que for.
Não tenho talento nem capacidade para inventar o que quer que seja que te ajude a superar, o que só o tempo ajudará a atenuar.
Não quero ser o ombro chato a pedir que te encostes, porque tu tens o teu tempo, tens o teu espaço, o teu silêncio, a dor que só tu saberás gerir.

No dia em quiseres voltar cá estarei, no dia em quiseres falar ou responder, serei ouvidos ou teclado.
E porque não há nada que apresse uma dor, o compasso será sempre certo, porque só assim voltarás a ser e a estar outra vez, como dantes.

Aqui, agora e sempre,
Érre

quarta-feira, 18 de Julho de 2007

Fim da espera!

ao Carlos e à Ritinha:

Esta espera chegava para duas ou três novas vidas, e nem para a tua ainda chegou, nem para uma dúvida que podia já existir. A incerteza, a angústia e a tristeza que me consomem, afogo-as num casamento feliz, onde só tu fazes ainda tanta falta.Encontro um pouco de ti em todas as crianças...

in Amar Demais, 2005

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Eles chegaram, vinham os dois de mão dada e a sorrir, como se tivessem acabado de encontrar todo o passado que não tiveram.
Têm a vida toda pela frente para compensar os primeiros anos em que ainda não vos conheciam. Não me canso de dizer o quanto feliz fiquei com a notícia. Não me canso de sublinhar a sorte que tiveram em encontrar dois colos como os vossos.
Tenho a certeza que ao fim de alguns dias já pareciam que tinham estado ali a vida toda, porque é tão fácil uma pessoa sentir-se bem ao vosso lado, quanto mais ao vosso colo.
As crianças são genuínas e estavam mais que prontas para vos receberem. Uma criança não recusa o amor, e se houvesse medida para o vosso, era de certeza numa escala gigante.
Um amor como o vosso que não precisa de cordão umbilical.
Numa semana de extremos emocionais, esta foi das melhores notícias que podia ter tido.
PARABÉNS!

sexta-feira, 25 de Maio de 2007

Às vezes (não ) o amor

Às vezes apetece-me desistir. Desistir de algumas pessoas que já não encaixam no meu caminho, desistir de alguns objectivos que teimo alcançar, desistir de ser eu por uns tempos, pôr o meu lugar à disposição e ficar só do outro lado a ver. Ser mais severa, menos próxima das pessoas, mais fria, não correr atrás das emoções, como quase sempre faço.
Apetece-me ver as coisas do outro lado, assistir de camarote ao que faço para poder melhorar, afastar-me do que tenho, do que sou, para me encontrar de novo.
Às vezes sinto-me longe. Perdida mas no meio de todo o meu mundo, das "minhas" pessoas, das minhas coisas.
Reconheço-me apenas pelo que me rodeia e me faz acreditar que sou mesmo eu.
Preciso de um pouco de espaço, desmarcar tudo e desligar os telefones.
De não ter de avisar que não janto ou onde vou jantar, de não ter de dizer nada sobre nada.
Desaparecer e voltar, só para saber que sou e estou mesmo aqui.

quarta-feira, 16 de Maio de 2007

Ano "quase"

Faço a mala para apagar mais uma vela fora do país. Aumento um dígito no meu contador, e volto à corda bamba. As construções que durante este dígito pareciam edificar-se, voltam a cair por terra. Este ano esteve quase tudo tão perto de acontecer, parecia tudo tão certo.
De um lado ou de outro, um obstáculo, sempre o mesmo, repetido e aumentado. Suficiente para cortar qualquer um dos caminhos.
Muros altos para os quais vou perdendo as forças e as palavras, quando nem resposta tenho, para a questão mais simples: Porquê?

sábado, 12 de Maio de 2007

Pontualidade

Já te disse quase tudo, e o que não disse, não o direi da mesma maneira. Defendo-me.
Vou guardar para mim e só um dia te mostrar. Quando tu chegares e eu já tiver as malas feitas.
Espero-te mas não me atraso.

domingo, 6 de Maio de 2007

Reviver o passado em Viena

Before Sunrise

"Daydream delusion, limousine eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm a delusion angel
I'm a fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Lodged in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now?"

sábado, 5 de Maio de 2007

Música fatela que fala de amor

Tenho saudades do que sentia ao ouvir todas aquelas músicas banais, que na rádio, falavam de amor.
Será que as minhas mãos, sem dono, não terão onde poisar para se sentirem entrelaçadas, para que os meus dedos, esguios, se encaixem nos teus e façam o laço perfeito atrás das minhas costas?
Quero ouvir essas mesmas músicas e sentir-me fora de moda, fora de sítio, mas no lugar certo, no coração de quem me leve a razão, que me tire os pés do chão.
Já não sei amar, mas sei que não custa perceber quando lá se chegou, sei que o estado não revela o tempo nem tudo o que se sonhou pelo caminho.
Sei que amar divide, tanto quanto une. Leva-me, onde já tendo ido, quero sempre voltar, porque sei que esta viagem, embora longa, me traz sempre mais de mim. E principalmente para te dar a ti, espelho do que a minha memória não conseguiu apagar.

sexta-feira, 20 de Abril de 2007

Há sempre vida a passar lá fora

A minha Lisboa amanhece ao som de autocarros que a cada minuto são mais frequentes. Aqui não consigo ter uma réstia de solidão. Quando rareiam à noite, passa sempre uma voz, uma conversa perdida entre duas portas ímpares.
Não me sinto sozinha, não me sinto abandonada, ainda não tive tempo em que me apeteceu fugir de casa para ver pessoas, só porque sim, porque estava cansada só de mim.
Aprendi a falar sozinha, com os móveis, com a televisão, ou com a roupa. Faço perguntas às quais respondo, num diálogo comigo que não me deixa amolecer por dentro.
Fico quieta, deitada no sofá, mas por dentro continuo a fervilhar de ideias, decisões, combinações e ausências.
Mas é o tempo que me deixa continuar a sonhar e a decidir chegar mais perto, e se não o fizer, nunca o saberei.

quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Dancing when the stars go blue

quero dançar contigo
quero virar a banda e a pista nos teus braços
quero encostar-me ao teu pescoço
e pensar que posso lá ficar

quero duas mãos para me agarrar
um sorriso para troçar
uma pisadela para me queixar
um beijo para evitar

quero virar a cara e cantar
quero olhar e ainda estares lá
para te poder fitar
para te poder largar

deixa-me chegar ao pé de ti
deixa-me olhar-te sem ter de fugir
ficar em ti, junto a ti
ficar nos teus braços sem tempo

fechar os olhos e sentir-me no teu peito
perder as forças e ficar no teu abraço
no teu beijo, no teu calor

no teu colo, na tua paz.

quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Chegar ao nada

O peito do adeus até mais ver
sem hoje, sem amanhã
sem sempre, sem sonhos
sem queixas, sem nada.

sábado, 27 de Janeiro de 2007

2007 ainda agora começou

Há tanto que um ano novo pode trazer.
Promessas, juras, objectivos, que vamos perdendo à medida que o ano vai deixando de ser novo, quando é só mais um ano.
Como nós, quando vamos deixando de ser novos, quando já somos (tantas vezes) só mais um.

segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

Magia na ponta dos dedos

Era capaz de ficar a noite toda ali a ouvi-lo tocar e a soltar alguns sons vocais. Desta vez trouxe uma violinista, muito boa, por sinal.
É um dos meus preferidos e foi a primeira vez que o vi ao vivo e a cores, ali à minha frente a escassos metros de distância. Wim, Mertens provavelmente do pai, brindou-me com duas horas de intenso prazer. O piano, um corredor a preto e branco de onde faz sair uma escala inteira de emoções. Encores sucessivos como se não conseguisse fazer parar as palmas, as nossas palmas, o que o mantém sentado ainda mais um bocadinho, para mostrar uma das melhores receitas belgas, onde nem tudo é chocolate.
Em Un Respiro mostra-me, desta vez ao vivo no S.Luiz, a melhor coisa que um homem consegue fazer com a ponta dos dedos...bem, talvez a segunda melhor!! Bem-Haja!

domingo, 10 de Dezembro de 2006

Foi há tanto tempo

Quando deixei de confiar nele
passou de presente a passado

segunda-feira, 27 de Novembro de 2006

Diego Armando

Diego Maradona está a partir de agora imortalizado numa estátua que recorda o Mundial do México de 1986
O ídolo voltou ao estádio e desta vez para ficar. Os adeptos e admiradores da lenda viva do futebol podem a partir de agora admirar a estátua que foi erguida em homenagem àquele que foi, e é, o mais consagrado símbolo do desporto rei argentino.
Vinte anos passados do Mundial em que a Argentina levantou a taça maior da modalidade, Maradona, braçadeira de capitão, e com a mão, desta vez no peito, faz ainda chorar um público que nunca o deixou, por piores que tenham sido os seus exemplos.

Os pés são de um génio, a mão é a de Deus. Diego Armando Maradona de sua graça, hoje e para sempre no Museu do Boca Juniors.

segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

Como se... #2



Reencontrei-te
como se tropeçasse num episódio esquecido de uma série antiga

Lembrei-te
como se nunca nos tivessemos perdido de vista

Sonhei-te
como se a noite te trouxesse de uma vez por todas

quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

Há ir e voltar


Gosto de viajar
de ir
porque também gosto muito de voltar

Gosto de conhecer os sítios
as pessoas e os seus costumes
o seu olhar
o mundo visto do outro lado

Gosto de procurar a melhor vista
a esplanada mais absorvente
o restaurante que respire mais história
a mercearia mais antiga

Gosto de fotografar as crianças
os velhos
os restos da história que ainda não deixaram cair
mas também o postal perfeito
a vista batida das páginas das revistas
porque os cheiros nunca nos chegam em papel couchet

Gosto do cheiro dos lugares
por muito estranhos e muito insuportáveis que sejam
gosto de associar os cheiros aos lugares
o caminho mais perto para lá voltar

Gosto especialmente de estar e sentir onde estou e com quem estou
o que vi
quem eu conheci
onde fui e o aroma que tinha acabam por passar
como tudo passa
o que senti ficará para sempre no lugar dos insubstituíveis
onde circulam também os amigos de sempre e os que vão chegando devagarinho.

domingo, 5 de Novembro de 2006

Como se...



Olhava-te
Como se estivesses aqui

Queria-te
Como se fosses meu

Perguntei-te
Como se nada fosse

Vais continuar aí onde não chego?

sexta-feira, 27 de Outubro de 2006

Mais ou menos Cesariny

Em todas as mãos te encontro
Em todas as mãos te perco

segunda-feira, 9 de Outubro de 2006

From Bali with love

Azul, azul, mais azul. Aqui sinto-me bem mais perto do ceu, mais perto de Deus, que se nao estiver ainda por aqui, de certeza aqui passou para verificar a obra.
Aqui parece ser o fim do mundo, mas no topo. Aqui o limite do ceu e do mar nao parece ter fim e termino os meus dias numa contemplacao unica de um por-do-sol merecedor de palmas e ovacao.
Nao apetece ir mais longe para ver seja o que for, nao existe mais longe por aqui, nao existe mais profundo e deixo-me estar ate que o tempo passe o suficiente e deixe chegar a hora de partir.
Vale a pena viver isto, vale a pena SO estar aqui tao longe que nao me deixa quase ver o passado, mas oferece energia suficiente para encarar o futuro. Bem-Haja!

terça-feira, 26 de Setembro de 2006

A viagem como ela é

Quando uma pessoa viaja muda sempre um bocadinho. Quando uma mulher viaja além de mudar um bocadinho, é também como se tivesse a fazer uma mudança...de casa. Sendo assim, quando uma mulher viaja gosta, e normalmente faz questão, de levar algumas das coisas que fazem parte do seu dia-a-dia. Sem querer enumerar o extremo de levar uma ou duas molduras com fotografias da família mais chegada, ou do namorado recente, quando se viaja, seja para onde for, convém levar sempre alguns dos objectos que nos farão sentir em casa. Aquele top que adoramos e que todos dizem que nos fica lindamente, vai sempre, mesmo que o destino em causa implique temperaturas abaixo dos 10º, uma pessoa nunca sabe. Vai na volta há um jantar assim mais para o arranjadinho e ninguém quer perder os créditos da mulher portuguesa jeitosíssima, lá porque está fora. Irrita-me as mulheres, que lá porque estão fora do país e de sua casa, vestem roupinhas simples, práticas e confortáveis, não se produzem, e acham que ser turista implica sempre uma mochilinha e não uma mala como normalmente, e roupas desportivas, como se no estrangeiro se transformassem nas Rosas Mota da vida.
O biquini é outro, que, pelo sim, pelo não, vai sempre, mesmo no pico do Inverno, não vá o hotel, mesmo que de 2**, ter uma piscina interior aquecida ou um jacuzzi apetitoso.
Tudo isto para chegar a uma conclusão bem simples: não existem malas de viagem demasiado grandes. Posso até acrescentar esta premissa a uma frase célebre, “nunca se é magro demais, rico demais”...nem uma mala é grande demais. A mala de viagem tenha o tamanho que tiver, leva sempre tudo o que couber, havendo sempre um cantinho para um cinto ou para o carregador do telemóvel. Fechar uma mala tem por isso, um encanto e um receio, que me acompanha até ao momento em que no check-in fazem a sua pesagem.
Para fechar uma mala de viagem já tive de fazer pressão no tecto do quarto, equilibrando-me de pé em cima da mala por fechar na cama do quarto de hotel, para fechar uma mala já parti as dobradiças que unem as duas faces da mala rígida, valendo-me o facto de ter sido ainda em casa, antes da viagem de ida. A viagem começa no momento em que a mala é fechada, e durante o tempo todo até chegar ao destino há uma frase que me assombra de forma permanente: «Acho que me esqueci de alguma coisa!»

quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

Etiqueta

Fui etiquetada...paciência, acontece aos melhores...também há coisas piores, podia ter sido agrafada!

quando fores etiquetado tens que escrever seis informações aleatórias sobre ti. depois escolhes seis pessoas para etiquetar e lista os seus nomes.

Aqui vão as minhas:


# Made in portugal
Totalmente produzida em Portugal por portugueses, nascida, criada e vivida em Portugal. Pronto, bastantes escapadinhas para fora, mas uma pessoa também se tem de fazer à vida!

# 10% Algodão...doce, adquiridos na extinta feira popular. 70% elastano, adquirida em décadas de ginástica. 20% gomas, adquiridas durante muitos anos em Ayamonte.

# Resistente à água fria
após 3 meses sem gás, permanece com quase a totalidade da vitalidade

# Pode usar-se do avesso
Os danos causados são da exclusiva responsabilidade do utilizador

# Em caso de perda, é favor devolver para:
tá perdido, tá perdido, quero lá isto de volta!

# Sem aditivos
Todo o material é de origem controlada


Os etiquetados que se seguem:

Q-werty
A menina Alegria de Viver
O menino que ia pá terra
A miúda
A Estrela do Norte
Gata Assanhada

Bem-haja.

segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

O quê?

O que é que nos junta tão separados?

sexta-feira, 15 de Setembro de 2006

A escutar é que a gente se entende

Acho muito desagradável esta situação em que alguns dirigentes andam metidos. É desagradável para eles, para o futebol e para os restantes. Uma pessoa não gosta de ser escutada, não gosta que se lhe ouçam as ideias assim por vias travessas. É que isto já não são conversas, são conferências, pois é como se estivesse o país todo a ouvir, embora com delay de alguns anos, porque isto é gente que ouve muito mal. Só alguns anos depois e quando isto já está tudo em tribunal é que “se ouviu qualquer coisa”.
No fundo, é como as vizinhas, só quando ouvem que alguém se vai separar é que se lembram que ouviram discussões todas as noites e loiça a partir-se constantemente, mas na altura pensaram que era dos armários serem estreitos. De repente sabem de tudo e ele tratava-a muito mal.
No futebol é mais ou menos assim, as coisas acontecem, não se percebe bem porquê, alguém faz queixa, anos depois pegam no processo e vai-se a ver alguém tinha ligado a alguém a convidar para jantar e depois de jantar umas amigas de uns amigos meus lá vão ajudar alguém a ter uma alegria que a esposa já não lhe dá, e é isto, de repente alguém viu, ouviu e sabe que alguém foi tendencioso a custo de alguns momentos bem passados e de alguns cheques igualmente passados.
Na minha rua há uma senhora que está o dia todo à janela. Vê toda a gente a entrar e a sair de casa, com quem chegam, com quem saem. Ela é uma escuta de bairro, é outra dimensão, mas para os pequenos casos, este tipo de escuta também é importante. A minha vizinha do segundo andar costuma andar de camisa de dormir para ir levar o lixo á rua, tudo bem que não é um babydoll, mas para todos os efeitos pode ser considerado provocação, e se ela for violada quem é que lhe pode valer, a escuta da vizinha que estava ali, à janela e viu tudo.
No futebol, como na vida, as escutas salvam uns e acusam outros, agora todos os dias temos conversas novas para ouvir, trocas de árbitros e favores, discussões e opiniões que não interessam a ninguém. O futebol não vai nada bem, dizem, mas a vida também não vai bem, vai para alguns meses que não tenho uma conversa decente ao telefone, daquelas que acabam sempre com alguns termos em espanhol, aquele espanhol que se aprende na televisão.

sábado, 2 de Setembro de 2006

Abre a pernoca que lá vem ele

Até há alguns anos, o orgasmo feminino, além de passar despercebido (diziam elas) para a própria mulher, era totalmente desconsiderado por qualquer homem. Sim, talvez há mais tempo que alguns anos.
Durante séculos, o facto de não ser totalmente descarado e impossível de encobrir como o masculino, o orgasmo feminino não era sequer considerado como reacção física ou orgânica, do prazer feminino.
Hoje, depois de muita especulação à volta do orgasmo feminino e de todas as suas formas simuladas ou fingidas, posso chegar a uma simples conclusão: o homem raramente se apercebe do sucedido, ou sucedidos, e mesmo que tenham tentado, durante décadas, convencer-nos de que não se importam com o facto deles existirem ou não. Cada vez mais a mulher descobriu o seu prazer, a maneira de o conseguir e a habilidade masculina de o proporcionar. A partir dessa descoberta, também essa passou a ser uma das condicionantes a ter em conta na factura da relação.
Continuo a fingi-los, continuo a descobrir cada vez mais, tudo o que me pode proporcionar mais e melhor prazer e continuo a deixar que os homens acreditem que a sua prestação foi a melhor que já encontrei. Faz parte do charme feminino, e alimenta o orgulho masculino que, como sabemos, pode determinar sempre a próxima vez. Para o bem e para o mal, convém sempre que eles fiquem satisfeitos com eles próprios e, já que estão ali, que façam o que têm a fazer.
E se havia dúvidas de que o prazer da mulher aumentava depois de acabar os vintes, quem vai lá chegando, vai confirmando, a pouco e pouco que não podia ser mais verdade. Além de saber distinguir bem mais lucidamente tudo o que se passa do outro lado da cama, o corpo começa a pedir alegrias que até há bem pouco tempo nem faziam grande diferença. Também já não chega ser atlética e ágil, formosa e bonita, há que ter habilidade para conseguir tornar uma das situações mais íntimas e ao mesmo tempo (tantas vezes) embaraçosas, num movimento sexy e aparentemente natural.
Não aguento ver mulheres a deixarem-se ficar em longas relações ou casamentos, em que o desejo e o encanto da criatividade, dá lugar ao hábito de estar ali e cumprir a sua função. Por favor, já lá vai o tempo em que a mulher servia para deitar de costas e afastar as pernocas para “aceitar” o dever da reprodução e continuidade da espécie.


quarta-feira, 19 de Julho de 2006

Elogio ao Futebol

Já tínhamos as bandeiras para pôr à janela, já tínhamos as cervejas no frigorífico à espera da hora certa, já tínhamos os cachecóis, as camisolas, tudo a postos. Tínhamos principalmente uma equipa, que em campo nos iria levar ao rubro.
O Mundial 2006 começava e Portugal voltava a viver um pouco do que viu em 2004. Peregrinações ao Marquês de Pombal, carros a apitar pelas ruas onde aparentemente nada acontecia, reuniões em cafés, restaurantes e afins, para mais hora e meia de futebol em duas ou três horas de festa.
O futebol é muito mais do que aquilo que assistimos dentro das quatro linhas, é muito mais do que golos e passagens à fase seguinte. Muitos são aqueles que não entendem um fora de jogo posicional, mas todos sabem o que é um golo e quando ele acontece. O golo é provavelmente a forma de expressão mais globalizante.
Não há maus golos, há golos muito bons e golos. Há golos que carregam títulos e golos que valem o que valem. Há golos que trazem melhores contratos e muita tinta em jornais e revistas e golos que apenas aliviam o orgulho.
Neste Mundial, Portugal voltou a viver e a sofrer os golos, as defesas, os quase golos, as faltas cometidas e não cometidas, enfim, em menor quantidade, mas mais concentrado, voltou ao sofrimento do “mata-mata” que em 2004 conheceu desde o segundo jogo.
Agora já éramos maiores, já carregávamos um “vice” que antes não existia, tínhamos uma equipa adulta, um conjunto de grandes jogadores que hoje formam uma grande equipa, termo que até 2004 não conhecíamos. Sempre tivemos bons jogadores, daqueles que jogam no estrangeiro e tudo, mas tínhamos essencialmente artistas, amontoados de ego a jogar pelos contratos, pelo auto sucesso, por e para si próprios. Quem não conseguir encontrar as diferenças até no seus discursos mais simples que levante o braço. Estes jogadores, alguns dos mesmos que um dia jogavam sozinhos, estão e são diferentes, cresceram por todos os lados, fizeram-nos crescer. Luís Figo conseguiu pôr Portugal no mapa de milhares, e porque não dizer milhões, de cidadãos por esse mundo fora, onde nunca tinha chegado este país. Mais do que Eusébio, porque hoje há televisões, internet e jornais por todo o lado, Portugal chegou mais longe com Luís Figo que com qualquer acordo de cooperação económica ou social, porque o futebol ultrapassa qualquer assinatura.
Neste Mundial Portugal comemorou uma derrota, o jogo com a França conseguiu unir um país a um conjunto de rapazes que a cada dia levava mais longe a nossa bandeira. Perdemos com uma grande dose de injustiça, mas também não é de justiça que vive o futebol. Eles marcaram e nós não conseguimos. E se existem vitórias morais, esta não o foi, foi quanto muito uma derrota imoral, de onde saímos com o sentimento de poder ter ido mais longe, de poder ultrapassar esta “maldição” que liga França e meias finais. Não foi desta, mas foi desta que tivemos a certeza que ali podemos voltar, que agora podemos ter sempre lugar entre os melhores dos melhores e que já não somos os pobrezinhos e injustiçados.
Gostávamos de ter um défice mais pequeno, uma economia mais forte, menos desemprego, um sistema de saúde que realmente funcione, uma educação como deve ser, e tudo isto não passa com golos, mas também não é disto que o futebol fala. O futebol fala de emoções, de alegria, de tristeza, sofrimento e euforia, todas aquelas que nos fazem melhores nas outras balizas das nossas vidas. A vida não é só futebol, mas não há nada que una e faça levantar da cadeira tanta gente de uma só vez. Com este nosso futebol o país levantou-se e talvez parte dele se tenha posto a mexer. Voltámos a não trazer a taça, voltámos a chegar quase lá, mas o que vamos ganhando é ouro para os nossos ânimos, e também por isso valeu mesmo a pena.
Hoje temos uma equipa, uma bandeira e um país para esfregar na cara do mundo, e embora o futebol não seja tudo, é sem dúvida uma das melhores montras!

domingo, 9 de Julho de 2006

Carta aberta a Vítor Baía - Parte IX

Caro Vítor,

até quando pensa divertir-nos?!

quarta-feira, 21 de Junho de 2006

Aqui de fresco

À minha porta todos os carros passam depressa demais. Quando aqui vão a passar parecem todos lembrar-se que deixaram o arroz ao lume. Não passa mais nada por aqui, não se ouve mais nada aqui. Só ouço as minhas ideias e os meus sonhos a cuscuvilharem o meu tempo. Estão em guerra!

quarta-feira, 14 de Junho de 2006

Temos Mundial, só não temos futebol!

Por esta altura já devemos conhecer pelo menos metade da comunidade portuguesa residente na Alemanha. Proprietários de cafés, restaurantes, hotéis, bancas de sardinha e/ou febra, vendedores ambulantes. Com a quantidade de entrevistas a que temos assistido, já se "varreram" pelo menos as cidades e arredores, por onde a equipa portuguesa pôs o pé. Assistimos a resumos de todos os jogos, resumos com os lances mais importantes, resumos dos resumos, resumos só com golos, resumos dos treinos, conferências de imprensa de jogadores e respectiva equipa técnica, entradas e saídas de hotéis e estádios, entrevistas a jogadores, a treinadores, a preparadores físicos, a técnicos de equipamento (ficámos mesmo a saber os tamanhos que veste cada um dos jogadores, informação sem qual não teríamos dormido), a jornalistas portugueses e estrangeiros, a pessoas do público, a seguranças, a gerentes de hotéis, a jardineiros, etc, etc, etc... E tudo isto à volta do Mundial de Futebol 2006, sim, de futebol, a única coisa que nos tem faltado ver...Futebol.
Bem-haja os canais abertos que não "conseguiram" investir no evento desportivo com maior audiência do mundo.

quarta-feira, 7 de Junho de 2006

Desamor?!

Amores que pairam no ar, amores que nunca chegam a existir porque nunca chega a hora e o momento certo, porque ainda não é agora, porque não pode ser já. E o tempo não espera, não contempla desculpas ou atrasos.
Amores que nos deixam de rastos num dia e no dia seguinte parece que nada aconteceu, sem nunca perderem a força. Um amor que é verdadeiro nunca nos dói até ao dia em que nos deixa. Antes tudo parece perfeito, tudo parece bater certo e fazer sentido. Não há exactidões nem palavras com sentido, há lugares, há sons que despertam a memória, o olhar, todos os sentidos.
Gostava de te ter no meu olhar, ou num dos meus sentidos, fosse ele qual fosse.
Amores que se atravessam, amores que nunca o chegam a ser porque não têm espaço para existirem, nem tempo, nem ordem, nem donos. Amores que não pedem licença, não têm direito nem memória. Num olhar perdem todos os adereços, todos os enfeites, todas as defesas de que se muniram para lutar contra o objecto de seu desfavor, o seu eterno orgulho, o seu amor.

quarta-feira, 24 de Maio de 2006

Carta aberta a Vítor Baía - Parte VIII

Caro Vítor:

mais uma vez a injustiça bateu-lhe à porta, como sempre o afirmou. Veja lá, se é possível não chamarem à selecção um guarda-redes que jogou meia dúzia de jogos nesta época?! Sim, é possível, chamaram o Quim!
Mas veja as coisas deste modo, se for disciplinado e fizer os exercícios para as articulações que o senhor Dr. lhe receitou, em 2012 já José Mourinho será seleccionador nacional, e você, meu caro Vítor, poderá de certeza voltar. Ele não lhe negará esse desejo, depois de tudo o que fez por ele...
Um bem-haja para si e para os seus.

sexta-feira, 21 de Abril de 2006

Agora que o "Sexo e a Cidade" acabou

Será que todas as mulheres têm o seu Mr.Big, o seu amor que nunca deixa de estar presente?
Aquele que sempre aparece quando algo começa a correr bem, quando uma pessoa nova existe na nossa vida? Quando pensávamos já o ter esquecido, depois de ele deixar de fazer parte da nossa vida...
Quando uma mulher contraria isso, pensará sempre no que poderia ter acontecido?! Viverá na indecisão de tentar ou ter voltado a tentar? Não existirá uma falha em qualquer relação por falta de uma entrega que ficou presa a essa dúvida?
A dúvida do que podia ter sido não será sempre mais forte do que uma relação falhada? Não estará sempre presente a possibilidade da decisão errada, nos momentos dolorosos de uma relação?
Existirá sempre um Mr.Big em nós, ou somos só nós que criamos tal personagem fictícia para poder desculpar e associar os nossos desaires e erros amorosos? Não teremos no nosso Mr.Big, a solução para todos os desgostos?Procuramos o nosso Mr.Big mais que uma vez, ou serão só as ideias e as memórias que nos prendem?
Não procuramos o Mr.Big em todos os homens com quem nos relacionamos? Não procuramos uma relação que correu bem, mesmo que limitada no tempo, em todas as que vamos tendo ao longo do tempo?
O Mr.Big é ou não fruto do nosso desejo? Não será fruto de uma sobrevalorização ao longo de várias tentativas posteriores falhadas?
O Mr.Big existe ou será o resultado de uma reunião de características preferidas e que nos correram bem, que fomos recolhendo ao longo de todas as nossas relações?

segunda-feira, 10 de Abril de 2006

Encontrei-os

Já era Fevereiro, eles deviam estar mesmo de volta a casa e eu vi-os. Eu vi, juro que eram eles, deviam estar mesmo a chegar porque ainda não tinham sequer entrado na janela.
Isto passa-se em Bruxelas, dai terem demorado tanto tempo a chegar depois da época natalícia. Aqui descobri então a casa deles, é aqui que no final da época natalícia (depois de estarem pelo menos um mês a tentar subir ás janelas dos resto do mundo) eles regressam para descansar até Novembro próximo. Estavam todos a chegar, foi tão bonito!!Bem-haja Pai Natal alpinista!




domingo, 4 de Dezembro de 2005

A saga do Pai Natal alpinista

Dezembro chegou e com ele a saga mais recente do Natal português, o Pai Natal alpinista. A cada cruzar de uma esquina, avista-se pelo menos um deles. Por avenidas, ruas, travessas e calçadas, por paredes de prédios de todos os géneros, o Pai Natal, de há alguns anos para cá, tornou-se uma constante na sua versão alpinista. No meu tempo, rezava a história que o Pai Natal entrava pela chaminé, saía pela lareira, sacudia o pó escuro e com o seu enorme saco de presentes na mão, dava inicio à distribuição da praxe. Hoje, já muito poucos são os que têm lareira e o Pai Natal já não sobe à chaminé. Hoje, o Pai Natal de certeza que entra pela janela, tendo em conta que passam todo o mês de Dezembro emaranhados à parede exterior, a escalar.
Já não aguento vê-los por todo o lado, já não aguento ver as versões de plástico ou tecido, com publicidade ou não, agarrados a uma corda. Como é que se explica a uma criança que o Pai Natal vem do Pólo Norte, chega na noite de Natal para a distribuição, e no entanto, durante o mês de Dezembro eles estão em todo o lado, prestes a chegar à janela da casa de cada um?! Isto é fazer das criancinhas idiotas ao acreditarem que além de ele querer entrar pela janela de casa, ainda vai tocar à campainha na noite de Natal, ou seja, depois de passar o mês de Dezembro todo a escalar para lhe entrar à socapa pela janela, na noite de Natal, desiste e vai à volta, pela própria da porta de casa e como se não bastasse, toca à campainha.
E depois não percebem porque é que as criancinhas fazem tantas perguntas. Com historinhas assim repletas de coerência não admira nada.

terça-feira, 29 de Novembro de 2005

Almofada

Local onde repousam as minha ideias. Algumas nunca se chegam a levantar.

À procura da certeza

Gostava de saber definir aquilo que sinto. Gostava de perceber o caminho que leva o meu desejo e o meu coração. Não sei da minha vontade, não sei onde pára a minha cabeça. Encontro-a sem querer em ocasiões especiais em que o dever me obriga a isso e logo depois a perco, anda a vaguear entre pensamentos, emoções, palavras e recordações, em que relaciono os “quês” e os “porquês”, os sonhos e as razões que me deixam chegar a este ponto de onde não sei ainda encontrar a saída.
O que eu gostava, o resto do mundo procura incessantemente há Eras. Se percebêssemos sempre o que sentimos, acabariam a maioria das buscas espirituais, as depressões, os delírios eufóricos em que mergulhamos as nossas loucuras. Se tivéssemos certezas de onde elas não podem nascer, se elas por mero acaso existissem algures onde as pudéssemos encontrar, esse lugar estaria sob escuta, sob protecção policial, coberta por um vidro resistente, tal como estão as nossas angústias à espera de as alcançar.

segunda-feira, 14 de Novembro de 2005

Separar: acto de dividir duas partes

Não há meios caminhos nem atalhos para a separação, não há caminhos fáceis de encontrar nem truques para acelerar o processo. O único método saudável e menos penoso, é o natural. É natural que as pessoas não se possam ver durante algum tempo, é natural que o constrangimento seja mais que muito e que a perda de intimidade incomode, afinal sabiam tudo um do outro. Hoje não chegam sequer a saber se estiverem doentes, com febre ou uma unha encravada que seja. Dantes era tudo diferente e a separação, além da distância, trouxe uma defesa com que se habituaram a conviver.
Já não são as mesmas pessoas, já não são as mesmas com que se habituaram a trocar desejos, projectos e carinho. Uma crítica soa a insulto, uma demonstração de afecto, a pena. Já não se reage instintivamente a um sorriso, a um abraço ou a uma lágrima. Já não se é só por ser, é-se para se parecer.
Ninguém quer sair magoado de uma separação, mas é inevitável. Por deixar ou ser deixado, não importa o motivo. Um é a acção, o outro a reacção, e normalmente, como na vida, é mais fácil reagir, não que custe menos, mas porque não precisa de iniciativa, porque não precisa de tomada de posição, basta estar ali, ouvir, sofrer, chorar, questionar. Deixar alguém de quem se gosta muito, alguém que não se quer perder e deixar de fazer parte da sua vida, é por demais angustiante, doloroso, penoso até. Uma pessoa quer deixar a outra mas não quer deixar de a ter, não por egoísmo ou sentimento de posse exagerado, não por querer ser adorada e desejada para sempre, mas sim por continuar a ter ao seu lado uma pessoa com a qual tem ou criou, tantas afinidades e cumplicidades que não se imagina a desfazer-se delas, ou despedir-se delas como se de companheiros de viagem se tratassem, ou até, ter de encontrá-las de novo numa outra pessoa.
As pessoas hoje já são como são, já não têm dez anos para criarem juntas as suas manias, os seus interesses, as suas ambições a sua personalidade. A vida normalmente encarrega-se de separar naturalmente personalidades que crescem juntas, que se constróem juntas. Como também se encarrega e insiste em juntá-las mais tarde com outras já formadas, e é aqui que se reconhecem as afinidades, não são, nem existem só porque queremos, acontece, normalmente sem escolha ou procura, aparecem ao nosso lado, cruzam-se connosco como se tivessem feito ao nosso lado todo o caminho que já percorremos e nunca as tivéssemos visto.
Agora ficam longe, como se voltassem a não se ver, mesmo caminhando lado a lado e mesmo sabendo um do outro. Agora já não chega ouvir a outra voz para descansar, agora já não chegam palavras para apagar tudo o que foi dito, já não chega estarem juntos e conversarem sobre tudo e sobre nada. Já não chega, já não é, já não serve de nada tudo que aconteceu até aqui.

sexta-feira, 11 de Novembro de 2005

Não faz sentido nenhum

Caro Senhor Scolari:
Isto assim não é nada. Onde é que já se viu?!
Portugal foi apurado para o Mundial de 2006 na fase inicial de eliminatórias de grupos. Mas o que é isto? O que é feito do sofrimento que qualquer português tem de ter para dar valor às competições? Já com o EURO 2004 foi o que foi sem precisarmos de ser apurados, e agora isto! É que não nos faltava mais nada. Nem a um play-off nós tivemos a decência de ir. Esperar até ao último jogo para sermos apurados mesmo no prolongamento, ou até nos penaltys, isto sim é de uma equipa portuguesa que se preze, agora assim, desculpem lá, isto assim não é nada!!!

Carta aberta a Vítor Baía - Parte VII

Caro Vítor Baía,

folgo em sabê-lo detentor de uma auto biografia. Folgo ainda mais por saber que a editaram e o Sr. Miguel Sousa Tavares lhe proporcionou uma entrevista, que pelo que percebi também faz parte integrante do livro.
Continuo a ficar espantada pela sua contínua dúvida, mas penso que agora terá uma óptima resposta. Andou a gastar o seu tempo a escrever um livro, pois claro que não teve tempo para a selecção. Uma pessoa vai a ver e ainda é você que pede para não ir. "Ó Mister Scolari, esta semana não me dá jeito nenhum o estágio, tenho mais 20 páginas para escrever, a minha editora anda a pressionar-me com prazos de entrega dos originais do livro, não vai dar Mister"
E depois ainda se queixa...ainda faz perguntas...ainda vende mais que eu, claro!

quinta-feira, 18 de Agosto de 2005

Superliga 2005/2006


A Superliga portuguesa que durante os últimos 3 anos foi patrocinada e por isso denominada SUPERLIGA GALP ENERGIA, vai , provavelmente, esta época, ser patrocinada por uma empresa de apostas de todo o género. Chama-se BETANDWIN, e como se prevê terá uma fácil leitura para o comum do português. Vou tentar imaginar algumas das hipóteses:

SUPERLIGA BETADINE
- Ó Maria Adelaide, Betadine não é aquilo que pomos nas feridas dos miúdos??

- É, porquê?

- São os patrocinadores da SUPERLIGA, deve ser por causa do Boavista e do Vitória de Guimarães, é só feridas!

SUPERLIGA BETÃO UI
- Esta merda das construtoras, depois de hipotecarem jogadores, já devem ter hipotecado a SUPERLIGA

SUPERLIGA BÉTAN VIN
- Depois da SAGRES, claro que tinham de meter vinho,ainda por cima entrangeiro, aposto que o Vilarinho ainda tem mão nisto

SUPERLIGA BETAND.WIN
- Isto deve ser um vírus, apaga-me isso. Ou então é o Bill Gates já a meter o bedelho na bola

SUPERLIGA BEDUINE
-Isto cheira-me a árabe, tu queres ver que nos vão fazer a folha na Luz?!

SUPERLIGA BETÃOI
-Mas que merda é esta?!hã?Os gajos do Porto já dominaram também isto??Tinha de ser, é mesmo coisinha à Pinto da Costa!

segunda-feira, 1 de Agosto de 2005

A Capital

Há pouco mais de dois meses voltei a descobrir A Capital, por um quase acaso, por saber a publicação de um artigo que me dizia respeito.
Ao longo de vários anos desacreditei, descredibilizei, e quase desisti completamente da imprensa escrita. Por insistência, continuei a ler alguns dos generalistas mais vendidos e continuei a constatar o facto inerente a todos eles. O jornalismo de imprensa não tem sido pautado por factos, mas sim por opiniões sobre os mesmos. Dai conseguirmos em poucos artigos de opinião definir a linha política, ou tendencial do jornal na sua totalidade.
Neste últimos dois meses, tenho vindo a acompanhar A Capital diariamente, confesso que apenas na versão online, mas de uma maneira totalmente descomprometida.
Encontrei nela (A Capital) um jornal factual de informação, como aliás, todos o deveriam ser. Mas por outro lado, encontrei um jornal feito, escrito, e dirigido, por pessoas. Pessoas reais, que nas suas crónicas ou artigos (como prefiram chamar) explicitamente e declaradamente de opinião, encontravam o espaço previsto para a transmitir sobre a sua matéria, e não incuti-la numa qualquer notícia abordada pela publicação de que faziam parte.
Tenho a sensação que grande parte de população portuguesa ainda tinha a sensação, ou a idiota ideia, que A Capital, ainda continuava a ser um jornal de notícias de última hora que saía só da parte da tarde, tal como eu tinha até há, mais ou menos, dois meses. Mas não, A Capital cada vez mais se afirmava como uma publicação alternativa, fora do contexto da imprensa escrita actual. Foi esta a sua “falha”. Tentou ser diferente entre iguais, tentou ter uma equipa que se suportava mutuamente, e melhor, até se dava quase como uma família, tentou ter opiniões e artigos de jovens de quem nunca ninguém ouviu falar, mas que o futuro se encarregará de nos voltar a mostrar. Tentou algo que raramente se encontra numa redacção, onde cada um tenta puxar os seus galões e dar a sua mais interventiva “opinião noticial”, onde, por muito que custe acreditar, as opções políticas ou sentimentais, ou o que forem, contam sempre mais que os factos.
Tinha 37 anos e acabou hoje, sem se saber se volta, ou como poderá voltar.
Aos 37 anos ainda se é um jovem. A Capital é jovem, mas era madura e soube acompanhar as mudanças onde o nosso regime, a nossa sociedade e o público se posicionou. A Capital sempre quis ser mais. Ultimamente desejou e lutou ainda mais, quis ser melhor. O mais caricato é que conseguiu e poucos deram por isso, tal como eu.
Hoje acabou e nem (quase) tive tempo de a saborear. Hoje acabou e deixou-nos o testemunho da maior parte dos que para ela contribuíram. Hoje foi o fim, um fim como os outros todos, que implica sempre um outro início, seja ele qual for.
Bem ditos aqueles que contribuem, como todos eles, para que este país seja um pouco mais que opiniões fundamentadas em opiniões formadas de opiniões pensadas de opiniões reflectidas de opiniões.
Bem-haja as ideias e pessoas como vocês.

sexta-feira, 24 de Junho de 2005

“Mudaremos o mundo depois das 3 da manhã”

ao Luís:

Cheguei a casa e peguei no teu livro. Li as indicações musicais de acompanhamento, não resisti ao ver um dos meus preferidos, nem esperei pelo virar da página e o Sr.Mertens já tocava. Só podia ser um bom pronuncio.
Consumi palavra por palavra, verso por verso, tudo por tudo.
Tanto de ti que ali estava. Mesmo com pouco tempo na minha existência, encontrei-te tão bem em tantas das palavras, das angústias, das torturas, da esperança, das promessas relatadas nestas páginas. Encontrei-te porque tu és muito mais do que todas elas, e quando as deixas assim, nas páginas de um livro, elas começam a viver sozinhas e separam-se de ti. Partem. Tu permaneces.Tens tanto ainda para nos dares, nunca poderias ir com elas.
Quero-te encontrar em muitas mais. Parabéns. Bem-haja.



Livro: Mudaremos o mundo depois das 3 da manhã
Autor: Luís Filipe Borges
Editora: Tágide

segunda-feira, 13 de Junho de 2005

Gastaram-se as palavras.

Hoje gastaram-se as palavras ditas. Hoje dizemos o Adeus que nunca estamos à espera. O poeta ,(Eu)génio das palavras, leva com ele 60 anos das que não conseguiu gastar. As suas palavras, que são as mesmas que as nossas, foram quase sempre expostas numa enorme simplicidade, onde ganhavam uma vida, uma alma, que raras vezes encontramos no seus contemporâneos. A poesia tantas vezes remetida às prateleiras mais altas das livrarias e bibliotecas, encontra em José Fontinhas uma razão para se engalanar.
É tão mais difícil conseguir ser simples desta maneira. É tão mais difícil ver as coisas que os outros vêem e conseguir escrevê-las assim, com uma solenidade arrebatadora, mesmo que banal seja o motivo.
A Eugénio de Andrade não se dedicam palavras, dedicam-se leituras, porque embora elas não se consigam gastar ao falar da sua obra, a maior dedicatória que lhe podemos fazer é ler. Ler as suas obras, os seus poemas, as suas palavras.
O poeta desapareceu hoje, mas na sua escrita permanece quase tudo o que quis dizer. Porque ele próprio escrevia porque precisava de o fazer. E nós precisamos tanto de o ler.

Bem-haja Geninho.

sexta-feira, 13 de Maio de 2005

Dia da Fátinha!

Faz hoje 88 anos que a Fátinha apareceu aos meninos, só podia ter sido mesmo há 88 anos, pois hoje tudo o que aparece aos meninos, mais tarde ou mais cedo vai parar ao TIC e é constituído arguido.
Eu cá gostava tanto de ter uma aparição só para mim. Gostava, por exemplo, de acordar e ter uma apariçãozinha do Brad Pitt, mas com tanto azar, hoje que é Sexta –feira 13, ainda ele aparecia com a outra dos lábios de plástico, nariz de plástico, mamas de plástico e quase tudo de plástico.
De plástico não vai ser com certeza o novo herdeiro directo do trono de Espanha, pelo menos se sair ao pai, ai Pipo...ai ai..pois é , a Sra. D.Letizia, que afinal não está anoréctica, está sim, grávida, o que constituí um grande alívio para nuestros hermanos. Coitada da rapariga, nem há 1 ano se casou, já a puseram a trabalhar. Qualquer dia temos aí um rebanho de Bourbons a formar a Companhia das Letizias. Não teremos é com certeza um ministro que possa despachá-los.

Bem-haja os Pipos desta vida.

terça-feira, 26 de Abril de 2005

Ai doutores!

Em Portugal não há doutores a mais, há é dos outros a menos. Ou seja, uma vez doutor, o português já não se revê, nem aceita determinado tipo de profissões dirigidas aos quadros médios. Até porque depois é uma vergonha, e o que é que vão dizer se eu, sim eu, que estive 5 anos a queimar pestanas na universidade, depois de sair de lá, mesmo não tendo qualquer formação prática, for aceitar um emprego de assistente do que quer que seja. Ora, eu sou doutor, ainda não por extenso, mas pronto, já sou doutor e isto muda tudo. Muda-se o nome nos cartões todos já por causa das coisas, e uma pessoa é logo tratada de maneira diferente, principalmente nos serviços públicos. Mesmo nas salas de espera, por exemplo, é logo diferente, mesmo que seja por intercomunicador, é diferente uma pessoa ouvir – rrssssrrsss (interferência dos intercomunicador e ligar) Dr. João Simões pode dirigir-se ao gabinete 4 para ser atendido – é logo outro estatuto, quando uma pessoa se levanta, a deferência com que é olhada, o respeito, uma pessoa até parece mais alta às vezes, parece que cresce.
E pronto, a partir do dia em que recebe o canudo tudo será diferente. Vou ser um desempregado, mas um desempregado licenciado.
Em Cuba, por exemplo, que é um dos países com maior índice de “doutores”, eles tratam-se por Licenciado João Simões - os “Joões Simões” que me perdoem, mas hoje calharam na rifa – mas claro, Licenciado já não tem o mesmo peso, não é a mesma coisa, se fosse cá em Portugal até achavam que era mesmo o nome próprio, que algum padrinho mais erudito se tinha lembrado.
A família também tem muito peso nisto dos doutores, qualquer paizinho ou mãezinha, prefere ter um filho “doutor”, mesmo que desempregado, que um carpinteiro atulhado de trabalho e a ganhar rios de dinheiro...electricistas, canalizadores, todos esses senhores que em qualquer ida a nossa casa, nos levam couro e cabelo para arranjar o tubo da máquina de lavar a roupa.
É uma questão moral, uma tradição, uma questão social até. Ainda não ultrapassámos a ideia cultivada durante gerações, em que só as grandes famílias podiam mandar os seus filhos para a universidade, normalmente para as grandes cidades. Ainda vivemos numa espécie de ressaca da abertura das portas das universidades a todos os queiram ser licenciados, ou a todos os que, pelo menos, tenham notas positivas, haverá sempre um curso onde caibam. Hoje em dia já não existe uma “coisa” que se chama Vocação. Há uns anos atrás até existiam testes vocacionais, em que se ficava a saber, mais ou menos, a área para a qual a pessoa estava mais virada. Hoje não há nada disso, os próprios dos estudantes, só na altura de preencher os impressos de inscrição no Ensino Superior é que decidem o curso. Isto é assustador. Depois existem licenciaturas tão boas quanto – Licenciatura em Assistente de Parqueamento urbano, ou Licenciatura em Taxismo Urbano, ou até, Licenciatura Fiscal biólogo de folhas secas sul-americanas enroladas em mortalha de arroz – esta por acaso era tão boa...não sei porque não vinga!

segunda-feira, 18 de Abril de 2005

Estudo percentual

Em Portugal , segundo estudo já feitos, há 1 homem para cada 7 mulheres. Isto teoricamente, portanto, logo aqui temos apenas 1/7 de homem para cada mulher. Se tivermos em conta que num homem comum só interessa 10%, ou seja, 1/10 parte, as probabilidades de nos calhar uma parte decente são mínimas. Mas há ainda factores a ter em conta, como o facto de ainda termos de deduzir os homossexuais, a variação dos bissexuais, os assexuados.
Ou seja, se já só tínhamos 1/7 logo à partida, 1/10 depois de eles abrirem a boca...depois de mais esta condicionante....temos....é fazer as contas!
Mas é muito pouco, mesmo muito pouco, e isto preocupa-me! Não é por mim, é pelas minhas amigas. Eu não tenho esse tipo de problemas, eu gosto muito de estrangeiros, é coisa que nunca me fez confusão, conhecer outras línguas sempre foi positivo para a cultura de uma pessoa.
Porque há outros países onde este problema não existe. Na Austrália, por exemplo, e temos sorte porque é já aqui perto, dá para ir de fim-de-semana...Na Austrália há 7 homens para cada mulher. Ouviram bem??? E mesmo que se deduzam as outras partes todas, ainda sobra uma percentagem bem porreira. Bem-haja os cangurus!

Os actores que temos

Começo a achar que a TVI é que tem razão em ter quem tem nas novelas. Eu fui ao dicionário ver o significado de novela e dizia assim: pequeno romance baseado, ou não, em factos reais.
Como podem ver, ninguém diz que tem que ter actores, se fosse suposto ter actores, estaria aqui escrito. Eles é que sabem...querem lá vedetas. Que mania de criticarem, sempre a dizer mal, sempre a dizer mal. Porque é que as pessoas têm de parecer naturais na personagem que fazem?! Se a pessoa tem 28 anos, não tem de parecer 17 com um ar natural, ora essa! Ele não é actor, o que é que querem?! Parece 28 na mesma, mas não interessa nada, a cassete está a rodar e se as cenas estão feitas, o texto está dito, vamos é pra casa que o Benfica joga às 9 e 1/4 e eu ainda tenho de passar no Pingo Doce. Até porque se fosse actor ou actriz, não estaria ali a dar ao cabedal a trabalhar...estaria a descansar que é o que os actores fazem bem, descansam para que as outras pessoas possam fazer o trabalho deles, como é obvio!!!
Ainda pra mais, é uma profissão que tem um subsidio de desemprego elevadíssimo, não é preciso uma pessoa andar para aqui a preocupar-se...normalmente até são pessoas que nem gostam mesmo daquilo que fazem. Ah pois é! A descansar é que estamos bem, se há tanta gente para fazer o nosso trabalho...olha...
Imaginem se alguém tivesse a mesma atitude que têm com os médicos?! – Ah, fui ver uma peça de teatro, mas digo-te...não confio naquele gajo, não sei, há qualquer coisa ali que não me cheira, tem má dicção, não se percebia nada do que dizia, acho que vou ver outra peça.
Da mesma maneira deviam ser punidos por negligência: - Olhe lá, você errou uma deixa, teve uma branca, o seu colega ficou ali sem puder reagir. Você vai ser punido por negligência teatral e vai ter o seu cartão de consumo do Mahjong suspenso - Isto é o mais perto da Ordem dos médicos que os actores têm, é uma espécie de Centro de emprego especializado onde os testes de aptidão são feitos em matraquilhos e trivial electrónico.
O que também era positivo, era começarem a prender e multar por falta de habilitação devida para exercer actividade: - Olhe lá, você não tem aqui nenhuma formação de actor no seu curriculum...vou ter de o autuar, o senhor não pode estar aqui na televisão a gravar telenovelas assim, pode causar danos irreversíveis no público.
E isto é pura verdade, pode mesmo, mas normalmente nem habilitações nem habilidade mesmo..

terça-feira, 5 de Abril de 2005

Apelo inevitável

É um apelo que sai destas teclas hoje. Se bem que já o devia ter feito, paciência, mais vale tarde que nunca, e alguém tem de o fazer.
Tinha de haver uma mulher que escrevesse e fosse também à televisão, à rádio, aos bares deste país, fazer um apelo plo bem do stand-up feminino.
E isto não tem a ver com feminismo, nem pedir igualdade, nem nada disso.
Bolas, uma mulher quando decide fazer stand-up, mesmo antes de começar, antes de subir ao palco, seja ele de que género for, já está a ser renegada!
O primeiro comentário na generalidade é logo: “ eeeehhh porra.....uma gaja!”
Se o público tivesse um comando, mesmo a assistir ao vivo, andava logo com aquilo para a frente, porque há sempre o segundo comentário: “ fogo, se ainda fosse uma gaja boa...ao menos!”
É que ainda por cima há mulheres tão boas a fazer stand-up em Portugal.
A Elsa Raposo, por exemplo, é boa...e diz que faz stand-up que é uma maravilha, a qualquer um, sem ser preciso dizer nada, é tipo mímica, é um mimo a Elsinha. A Lili Caneças, já foi boa...há muitos anos e também é outra grande comediante portuguesa que até diz que “estar vivo é o contrário de estar morto”. É engraçado porque eu nunca tinha pensado nisto. Tem lógica. Vivo.. morto... pois tá claro! Ou a nossa grande Odete Santos, também é boa...comediante! A Revista à portuguesa é comédia, certo? A Revista à polaca, por exemplo, já não...
Voltando ao stand-up comedy...
Até as mulheres a assistir são beras para as mulheres no palco. As mulheres não gostam que as outras mulheres falem das suas coisas, das nossas coisas. Das nossas ideias, das nossas manias ou truques e ainda por cima fazer disso graça.
Começam logo a pensar: “fogo, está pra aqui esta gaja a desvendar coisas que escondemos durante séculos”
Minhas queridas, eles não percebem na mesma! É indiferente a versão, já se fez drama, tragédia, comédia, tudo....e eles passaram a perceber alguma coisa de nós, as mulheres?? Passaram?? Não, pois claro...
Minhas queridas estamos a falar de um Ser para o qual uma das maiores dúvidas sobre as mulheres...- o que é, onde está, etc, etc - é sobre uma coisa que normalmente têm debaixo da língua!
Ora, se eles são assim, acham que é o stand-up que vai desvendar –lhes o que quer que seja? Eles não conseguem mesmo...
E depois há as asneiras. Enquanto um homem pode dizer um chorrilho de asneiras e ainda por cima ter aí o ponto alto da graça, nós não, não podemos.
As mulheres nem uma asneirinha podem dizer...é logo “eeehhh brejeira, arruaceira, baixo nível”
Mas isto é só por não conhecerem, por não estarem habituados, por não aceitarem.
Aqui há uns anos, para quem se lembra, havia uma rapariga muito jeitosa que tinha uma actividade qualquer esotérica, ou coisa que o valha, e que num anúncio na televisão apelava ao espectador deste modo: “ Não renegue à partida uma ciência que desconhece”, com o stand-up feminino é mesmo caneco, não reneguem, deixem-se de coisas que o stand-up é para os gajos! Viva as gajas, viva as mulheres, queimem-se lá esses soutiens, queremos fazer stand-up! Bem-haja as mulheres e a mais o stand-up.

segunda-feira, 7 de Março de 2005

Uma questão de Tamanho

Resolvi trazer à baila um tema que só arruina qualquer relacionamento que eu tenha, ou qualquer um que eu não tenha e pensasse ter, ou qualquer um que eu venha a ter no futuro. Não vou falar das performances sexuais dos homens, ou melhor, da diferença entre a realidade do que acontece, e do que eles depois vão contar, porque uma mulher acaba sempre por saber o que eles comentam, caso não soubessem...Eu vou falar de tamanho. O tamanho. E eu aqui me confesso, sim confesso, já fui das poucas que desisti, sim eu desisti completamente, não, calma, não virei lésbica, nem vou para freira, também não desisti assim tanto, só desisti de acreditar na história de que o tamanho faz a diferença. Digam o que disserem, não me venham mais com essa, pois se assim fosse, diferença era entre o quê e o quê?! Em Portugal nenhum homem diz que a tem pequena. Em Espanha também não tenho ideia de ter ouvido, em espanhol já ouvi muita coisa, mas eram tudo dobragens e foi na televisão, e pela reacção delas não me parecia que fossem pequenas, ou então elas disfarçavam lindamente. Em Itália muito menos, já que o orgulho é muito maior, mas também verdade seja dita, que por muito pequena que fosse, depois de se começar a ouvir assim ao ouvidinho...aaahh piacere, dové stai amore mio?!...fetuccini, Lamborguini, anque io, baci, baci...Ferrero Rocher...Ai Ambrósio nem que fosse um Kit Kat, apetecia na mesma!
Isto deve ser então uma coisa assim mais para o mediterrânico, mais para o latino. Porque realmente a única diferença de que há memória de ser ouvida é só entre a grande e a muito grande! Sim, e isto é diferença, tudo bem, da grande para a muito grande, faz diferença, mas para variar, sobra mais para nós mulheres...e para o nosso novo andar do dia seguinte, gemido atrás de gemido, a rezar para que não tenha de subir um degrau para lado nenhum. E sentar, credo, parece que a bicicleta fugiu e o selim ficou!
Mas fora essa diferença, os homens nunca reconhecem que a têm pequena, nunca. Nunca ouvi nenhum dizer, “ah, a minha é a dar para o pequeno, mas eu sou esforçado, canso-me mais, mas vou a todo o lado” – não, não dizem. Todos dizem “ah ah, a minha chegava pra pendurar o toalhão do banho...ao comprido!” ,”a minha é para aí deste tamanho...em descanso!”, “a mim lá na rua tratam-me por bombeiro, eh eh, a minha mangueira tinha chegado para apagar os incêndios do ano passado, mas estava fora do país ”.
Cientificamente, em termos genéticos, só está provado que a população africana, realmente tem um tamanho acima dos parâmetros considerados normais.
Portanto a única conclusão que se pode tirar é que o problema dos homens é a comparação. O problemas deles é que não conseguem ter uma dimensão comparativa. Eles nunca, jamais, dão parte fraca ao lado uns dos outros. Como é que eles olham para as dos outros homens? Olham assim, discretamente, de esguelha, no balneário dos ginásios ou na casa-de-banho pública, pelo canto do olho, e só depois, provavelmente já em casa, quem sabe muitas horas depois, vão olhar para a deles e dizem “ Aaaah...é muito maior...não tem nada a ver”. Agora o confronto “lado a lado” não existe.

Segundo sei existem, pelo menos, 5 tamanhos: As pequenas, as médias, as grandes, as “oh meu deus!” e ainda as “não tem disto em branco­”. Portanto, a história de que o tamanho faz diferença, ou não, depende dos olhos que a medem. E claro, do sentimento com que se olha.
Existe aquele clássico da menina virgem, que se casa, daí ser já só mesmo em clássico, em moderno diz que já não fazem, nem por encomenda, e ao fim da primeira noite, toma o seu também primeiro banho com o seu já actual marido e comenta com as risadinhas, também elas clássicas das virgens, “ih ih ih ai amor, apontando para o Vitinho, “gastou-se tanto só de ontem à noite?” Oh meu Deus...depois a partir daí é que começam a reparar nos senhores dos filmes, dos anúncios, nas estátuas do renascimento, e depois eram os divórcios a eito.
Hoje em dia já não era preciso chegar à parte do banho, nem da noite, nem do casamento, nem do namoro, nem quase do carro, ai o carro já quase também ele um clássico, para mal da nossa nostalgia romântica, mas para bem das nossas colunas, aquilo dava cabo da coluna, muitas hérnias terá a nossa geração à conta de romances no automóvel! E os joelhos? Aquilo é que era de nódoas negras...Nos carros havia aquelas coisas todas, manípulos, travão de mão, só porcarias a atrapalhar, não era só nos joelhos, era um bocado por todo o lado, uma pessoa não podia ser criativa, que aquilo deixava marcas no corpinho todo.
Portanto, minhas amigas...e meus amigos, fica aqui claro, que isto do tamanho já era, não se deixem levar pelos comentários e pelo blá blá que eles gostam de pregar. Fala aqui a voz da experiência...eu farto-me de ouvir pregar. E daqui para a frente acreditem mais no género de comentários como: “Ah, se calhar não é das maiores, mas eu chego a todo lado”, ou , “talvez já tenhas visto alguma maior, mas prometo dar o meu melhor e fazer-te sentir bem”, ou ainda “parece assim pequenina mas vais ver que daqui nada já não notas...e depois às vezes...espera-se e...não se nota, mesmo, nem que existe quase...”

quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2005

Serei profissional do Prefácio

Tive finalmente outra boa ideia para trabalhar! Vou começar a escrever (uma coisa que estranhamente ninguém se lembrou). Lembrei-me de um género literário pouco trabalhado, ou pelo menos, não tão explorado como poderia. O prefácio. Não há livro que não o tenha, pois com certeza. E agora como os escritores também são como os actores, brotam que nem cogumelos, acho que era uma boa. Um género de prestação de serviços. Até porque a maioria dos prefácios dizem sempre o mesmo. Basta que sejam assinados por uma pessoa mais ou menos reconhecida para que o autor da publicação ache que é o máximo e que a história é um sucesso.
Frases como : “fulano é uma pessoa que além de muito humana é um ser extraordinário” ou “Este livro vem revelar ao público o que fulano durante todo este tempo reservou só aos mais próximos, a sua generosidade como pessoa, o seu saber estar e , acima de tudo, saber ser” ou até “Nestas páginas encontramos o seu EU mais profundo, que quando cercado pelas agruras que o mundo lhe impôs, soube sempre dignamente desenvencilha-se dos grilhões a que o mundo o amarrou” caiem sempre bem e servem para quase todos os autores.
Assim podiam criar-se umas minutas de prefácios, a utilizar nas diversas situações. Biografias, romances, esotéricos comerciais (estes sim, os mais modernos), policiais, etc, etc. Até porque já todos estamos fartos dos prefácios escritos pelos próprios dos autores, que nos tratam por “você o leitor”, quase nunca dizem bem deles próprios, relevando sempre a “actualidade do tema (seja ele qual for), os efeitos socioculturais, psicológicos e psicossomáticos que podem ter, numa sociedade cada vez mais influenciada por reacções comportamentais invulgares”.
Bem-haja autores e escritores, prefácios e conclusões.

terça-feira, 25 de Janeiro de 2005

A teoria do fato de treino

Não há pernas como as do Figo. Não há tronco como o ainda imberbe dentes-encavalitados-Cristiano-Ronaldo. Acho que se não fosse pelas pernas do Figo, ou pelos abdominais do Ronaldo, os jogadores hoje em dia ,depois da fase do Pastilhas, teriam voltado ao fato de treino completo. Até daqueles que fazem tttsss tttsss (não confundir com o homem-aranha).
É um género que ainda hoje se encontra muito do hipermercado, em familias inteiras. Agora expliquem-me uma coisa, aquela peça de roupa chama-se fato de treino...o que é que estão a treinar no hipermercado ao Domingo?! A melhor maneira de enfiar 3 dúzias de Super-bock no carrinho sem a mulher dar por isso?! A velocidade até ao corredor dos cotonetes esquecidos quando já estão com a mercadoria toda na caixa registadora?
Por vezes ouço dizer "ah, é confortável". O meu pijama também e nunca me passou pela cabeça levá-lo ao Jumbo. E depois é confortável para quê?! Não me lembro de ver saltar barreiras na zona das frutas, esparregata também nunca apanhei ninguém a fazer, mesmo na zona onde o desporto reina, que é o mesmo de dizer, camisolas do Sporting e Benfica, cachecois do Sporting e Benfica, caneleiras, bicicletas das estáticas, máquinas da musculação com 432 posições para fazer exercícios diferentes, mas que não cabe nas divisões normais das casas, bolas de futebol Roteiro (as que sobraram do EURO e que tinham defeito para ser usadas na superliga). Assim sendo, o fato de treino é só uma espécie de identificação. "Vou comprar uns óculos para a natação do miudo", e lá vai o pai com o seu ttttsss ttttsss, passando pelo corredor dos acessórios de automóvel que cai sempre bem, não vá uma pessoa lembrar-se que não tem uma bússola magnética no tablier, que dá tanto jeito. Pelo caminho lá marcham também as escovas limpa-vidros, um desodorizante com aroma de petúnias-gregas-apanhadas-nas-madrugadas-de-Outono, e ainda um spray que em 15 segundos põe as jantes como novas, até parece o Vaporeto Titano.
De repente lá aparece o mai novo também com o seu ttss ttss ttss ttss ttss ttss (vinha a correr) a implorar a ventosa do Nemo, para ter sombra na janela do seu lado.
Tudo isto criaria um conflito, já que o pai, um senhor de palavra, tinha prometido ao mai velho, a ventosa do Marilyn Manson. Nada disto seria relevante se a colecção inteira dos pirilampos mágicos coloridos, não decorasse o tablier de um lado ao outro. Apenas um foi suspenso para colocar a imprescindível bússola. Este ano o pai já disse que não podiam ser mais solidários, até terem um carro novo, pois não havia mais espaço para pirilampos. Só por isso, aplicaram as suas pequenas poupanças naqueles certificados de desaforo que os Correios vendiam aos melhores clientes, os Tsun Ami, como o Miterrand, Soare Ami.

segunda-feira, 24 de Janeiro de 2005

E voltou...ai se voltou!

Pior que um atleta se magoar e encostar ao estaleiro, só mesmo magoar-se outra vez e encostar outra vez e ainda outra vez, sozinho desta vez. Já não há posição que se aguente no estaleiro. É só ao estalo mesmo.
Tal qual uma fénix, e de novo titular, Sá Pinto confirmou ontem que as chuteiras ainda estão longe da prateleira e de joelhos conversamos daqui a uns anos nas mudanças de tempo. Mostrou que além de joelhos, tem os pés, cabeça, a garra e a determinação de sempre. E mais...de 3 golos, assinou 2 que pareciam 4. Daqueles que não são para todos, daqueles que só a experiência consegue transformar uma bola dentro da baliza numa sequência de imagens enciclopédicas. Ainda esteve na origem do 3º golo que Liedson resolveu. Sá Pinto soube passar humildemente pela recuperação clínica das lesões, pelos treinos sem bola, pela não convocatória, pelo banco de suplentes e finalmente pela titularidade. Lugares marcados de eternos titulares?! Não, foi "apenas" fruto de um trabalho de recuperação exaustiva, certamente por vezes desmoralizante, angustiante muitas vezes, onde só voltar a jogar fazia sentido. E voltou...ai se voltou!Bem-haja ex-7.

Ó mãe...

Na próxima geração de crianças, antes de perguntarem de onde vieram, e porque é q não podem comer pastilhas elásticas, vão perguntar:

"ó mãe, qual é o rendimento líquido dos fundos de investimento que temos do BPI"?

E eu acho que vou saber responder a tudo.

"ó mãe, se o rendimento mensal bruto das obrigações do BPI baixou, não achas que devíamos pensar em amortizar o q gastámos na aquisição"?

E eu acho que vou saber responder a tudo.

Porque no BPI o dinheiro cresce e até parece.

segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005

Pedro, já tinhamos saudades tuas

Alguém que tenha visto o jogo de ontem e ao mesmo tempo tenha coração, é incapaz de ficar indiferente ao assistir ao golo de Pedro Mantorras.
Se na semana passada foi com uma enorme emoção que o voltámos a ver pisar o relvado na superliga, esta jornada veio confirmar o que há uns anos ninguém tinha dúvidas. Mantorras é detentor de uma criatividade pouco vista na superliga portuguesa, e ligado a ela, um grande poder de eficácia.
Pedro Mantorras só estava na equipa errada, dirigida pelas pessoas erradas, quando há dois anos se lesionou. Se é possível estragar, ou pelo menos, protelar, uma grande carreira desportiva, esta foi a maneira mais eficaz. Provavelmente não lhe poderiam ter feito pior, e assim foi.
Foram dois anos de sofrimento, em que as idas à fisioterapia e ao ginásio, foram intercaladas com as tristes viagens a Espanha para mais uma operação.
Se há algum grande castigo para um jogador como Pedro Mantorras, não poder jogar é de certeza o mais doloroso.
Agora sim, está de volta, agora sim voltámos a ver o Mantorras a que um dia nos habituámos, rápido, oportuno, criativo, e acima de tudo, a marcar golos.
E porque o futebol é muito mais que corrupção desportiva e tráfico de influências, agora mais que nunca, deixem jogar o Mantorras!

2004 faleceu, paz à sua alma

JANEIRO

Começamos o ano com uma boa notícia, pelo menos imaginava-se que fosse. A liberalização do preço dos combustíveis supostamente iria provocar uma actividade na concorrência do mercado de combustíveis, logo os preços baixariam, assim ditam as leis de mercado quando a concorrência aumenta.
Mas assim não foi, antes pelo contrário, além de terem subido, foram tão instáveis quanto a defesas do Vítor Baía.

Depois de ultrapassada a ameaça de desaparecer, a RTP2 volta tal qual fénix renascida. Ainda mais forte, como se quer. Agora chama-se simplesmente a Dois e quer manter a qualidade quer de séries de ficção, como de programas de verdadeiro serviço público. Com uma equipa totalmente renovada, com alguma produção própria e com programação sem atrasos, vem colmatar algumas falhas dos canais generalistas.

Ainda 2004 tinha acabado de começar, já as galinhas do Sudoeste asiático andavam às voltas com a gripe. Foi proibida a importação na nossa UE (sempre a olhar por nós, é uma querida!) das aves da zona, o turismo diminuiu com o medo das contaminações dos humanos. Realmente 2004 já começava mal para aquelas bandas.

A sonda Opportunity aterrou em Marte. Diz que o Planeta vermelho, mesmo que os marcianos sejam verdes (deve parecer a bandeira portuguesa), tem mesmo água, e até mandou montes de fotos. As imagens parecem ser sempre as mesmas, mas prontos, diz que tem água e o mundo adorou a ideia. O Sr. Sousa Cintra também já está de olho.

Pois que não começou nada bem o ano para o desporto do nosso país. Miklos Fehér, jogador do Benfica, caiu inanimado no relvado do Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães. Em directo na televisão assistiu-se a uma cena dramática que terminou na morte do jogador. O país parou para ver e ouvir os comentários combalidos de jogadores, treinadores, dirigentes, e afins do futebol e do país em todas as suas áreas. Parou para rever inúmeras vezes as repetições das últimas cenas em vida de Féher. Ele sorriu antes de cair no relvado. Féher tinha 24 anos, era saudável, tinha uma carreira porreira, um bom salário, estava noivo, casaria-se na próxima Primavera. O país reconciliou-se com o futebol, e até Dias da Cunha e Luís Filipe Vieira protagonizaram o abraço mais famoso do mês, durante o velório do jogador.
Em poucos dias igualmente, no mesmo estádio onde a "tragédia" teve palco, os jogadores do Vitória de Guimarães e Boavista terminam o jogo em perfeita batalha campal, onde até as cadeiras do novo estádio já andavam pelo ar. Os árbitros foram agredidos e a PSP não teve mãos para aquilo.
Como vêm a reconciliação foi para o galheiro, o luto foi-se com os vários minutos de silêncio e ninguém já se lembrava de que o futebol é como a vida, um jogo, e nada mais que isso!
Utilizando uma frase famosa de Otto Lara Resende como imagem, "o mineiro só é solidário no câncer", e não é que é verdade mesmo?!

FEVEREIRO

O Parlamento francês aprova a legislação para proibir o uso dos véus e outros símbolos religiosos nas escolas, o que quer dizer que o Beckham, se lá vivesse não poderia ir à escola com os seus terços ao pescoço. Dizem eles que é para diminuir a descriminação nas escolas, com religiões como as islâmicas. As meninas que usavam o véu agora vão ter de lavar mais vezes o cabelucho, e problemas como a caspa e piolhos já não ficarão protegidos como dantes, por baixo do paninho. Será que também contempla as fitinhas do Senhor do Bonfim?!

As catástrofes naturais este ano começavam a dar que falar. Um terramoto em Marrocos mata 620 pessoas e deixa mais 15 mil desalojados. E isto era apenas um começo.

Os óscares de 2004 foram dominados pelos anéis do senhor, com duendes, cenários fantásticos e horas perdidas de filme, lá devoraram quase tudo o que havia para ganhar. A salientar também o Oscar de Melhor Argumento Original para a quase estreante Sofia Coppola, que como o próprio nome indica, filha de peixe acaba amanhada também. "Lost in Translation" com a brilhante tradução "O Amor é um lugar estranho", ganhou com a sua simplicidade e subtileza quer da história quer da realização. Parabéns Sofia, para que endereço te envio o meu CV??

MARÇO

Naíde Gomes sagra-se Campeã do Mundo de Pentatlo nos X Mundiais de Atletismo de pista coberta, realizados em Budapeste. Depois de ter sido vice-campeã da Europa em 2002, o crescendo é patente, alcançando um titulo tão honroso para o desporto nacional. Parabéns Ezenaíde, és a melhor do Mundo! O Atletismo em Portugal não tem as massas a apoiar, mas pelo menos tem os títulos...é a história da nossa vida.

Depois do 11 de Setembro, voltámos a ter no mundo um 11 trágico. Ainda por cima, pelas mesmas razões. Março ficou marcado pela morte de centenas de pessoas que só estavam num comboio, ou à espera dele. Madrid foi o alvo escolhido para mais um atentado terrorista. Pessoas que se deslocavam para os seus empregos, outras que o acaso fez com que ali estivessem, assistiram ao horror que se instalou numa das principais e mais movimentadas estações de comboios da capital espanhola.
Dos responsáveis não houve notícia que conseguisse não influenciar as eleições legislativas em Espanha, que estavam marcadas para 4 dias depois.
Durante vários dias se fizeram vigílias em nome da paz e em memória dos mortos, se apelou à paz em manifestações ininterruptas, em cerimónias religiosas, enfim, tudo o que confirma que ela não existe. Pois quando existe Paz, não é preciso falar dela.

Preso por ter cão e por não ter, Aznar sai derrotado das eleições com a opinião pública contra. Porque: - Se foi a ETA a autora do atentado, ele tem culpa porque durante o seu mandato não conseguiu controlar um dos maiores medos de Espanha; Se foi a Al-Quaeda ele é culpado porque foi aliado dos EUA na Guerra do Iraque. Zapatero sobe ao poder e nem tinha quase equipa que desse para aquilo tudo. Caiu-lhe do céu, neste caso do comboio.

A NATO cresceu, a partir de agora, a Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia e a Roménia também farão parte da Organização. Agora sinto-me muito mais segura, quase todos eles já estão habituados a conflitos.

Depois de 25 anos no coração da cidade, no centro de tudo e à porta do metro, a RTP inaugurou a nova sede perto do Parque das Nações, num edifício que partilha com a RDP e que é considerado o maior e mais moderno centro de notícias de Portugal. Tem um estúdio novíssimo e moderníssimo, tem uma imagem nova e finalmente bem tratada, e conseguiram livrar-se de algum "lixo" que na 5 de Outubro insistiu em acumular-se durante anos e anos. Vida nova nesta instituição que vimos crescer e com quem crescemos. Uma boa parte de nós além de Mimosa, também é RTP.

ABRIL

Libertação de Jorge Ritto, passando a liberdade condicional até ao julgamento.

O Líder do Hamas, Abdel Aziz al-Rantissi é assassinado em Gaza. Coitadito do senhor, ali na sua cadeira de rodas, sem poder fugir decentemente, atiram-lhe uma bombita para cima. Acredita-se que com o seu líder morto, o Hamas venha a acalmar, mas destas coisas, uma pessoa nunca sabe quem vem a seguir.

Em quase vésperas do EURO 2004 é denunciado um dos casos mais escandalosos, e ao mesmo tempo já há algum tempo previsto, do futebol português. O caso do Apito Dourado faria correr tinta sem fim em todo o tipo de imprensa. O Major é detido para interrogatório do qual sai com actividades suspensas e outras pequenas medidas de coacção. Eles falam, falam, falam...e finalmente alguém faz alguma coisa. Este caso acabou por ser algo controlado, pois já tínhamos os olhos postos em nós e na organização do EURO 2004.

Sobre o 25 de Abril já há muito pouco para dizer. Em 2004 comemora 30 anos e o que me custa mais é que daqui a alguns dias também sou eu a comemorá-los.

Aos 97 aninhos, a Sra.D. Esteé Lauder morreu. Já lá está de certeza a vender uns cremesinhos à Sra.D.Amália e à D. Nina Simone. Também já não ia para nova.

Em Portugal assiste-se ao lançamento do livro mais vendido do ano. O Código da Vinci pode juntar-se assim ao Equador do nosso Miguel Sousa Tavares, e formar uma dupla de livros que caíram no goto. Se houve portugueses que leram algo mais que a bula dos remédios nos últimos 2 anos, a estes livros o devem. O Código da Vinci virou tão moda, que não havia toldo na praia que não o tivesse, mala de viagem que não o levasse. Um verdadeiro fenómeno, que já originou um livro de interpretação para o próprio, outro de iniciação à leitura do mesmo, outro de explicações pormenorizadas, etc, etc. Tudo em nome das vendas, ou será que há tanta gente a lê-lo e tão pouca a entendê-lo?!

MAIO

1ª (suposta) data para resultados de colocação de professores

A partir de agora vamos passar a ter mais estrelinhas na bandeira azul, que não a das praias. A nossa UE, ex-CEE, ex-CE, ex-Europa (quase) está maior e foi alargada a Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e Republica Checa. Como era de esperar nenhum deles fala algo parecido connosco, mas no entanto há muitos trabalhadores em Portugal que podem passar a não ser ilegais. No entanto, esta medida só daqui a uns tempinhos vai ser notada. Até lá, podemos ir tentando decorar o nome deles todos, já que destes todos, eram poucos os que existiam na altura do Festival da Eurovisão quando ainda era visto por cá. Cyprus.....10 points!

Libertação de Carlos Cruz após 15 meses de prisão preventiva. Até ao julgamento não pode sair do Concelho da residência, blá, blá, blá...

Fazia parte da lista dos mais ricos do Mundo, pela revista Forbes. Este ano ocupava o 153º lugar, o que já não vai para mau! Bil Gates tem a pole position, como era de esperar. Com a morte de António Champalimaud, de 86 anos, fica 1/3 da sua fortuna para uma fundação ligada ao desenvolvimento e investigação da ciência, dirigida por Leonor Beleza e o "resto" dividido pelos legítimos herdeiros, onde qualquer fatia chegava para cobrir a dívida externa de alguns países.

Durante anos foi o Ai Jesus da Europa monárquica, criando suspiros em todas aquelas que sonhavam com um príncipe a cavalo para as salvar da solteirice. É alto, muito bem parecido, desportista e, segundo se sabe, amigo do seu amigo e fiel à sua gaja. Pelos seus braços passaram manequins, loiras da Holla, tudo dentro do maior respeito. Agora foi de vez. Os olhos das desgostosas ainda choram o Casamento de Felipe e Letizia, a jornalista que virou princesa, em Madrid, debaixo de uma chuva horrorosa, (coitadinha, até tive pena, mas também eu a apanhei na véspera, no dia dos meus anitos!) com tudo o que é gente que importa desta Europa e arredores, a assistir. Diz-se que a festa da véspera foi bem mais gira, ou seja, no próprio dia já estava tudo de ressaca.
O que importa é que eles casaram. Snif, snif...

Se o desporto português já nos deu muitas alegrias, o FCP este ano é um perfeito exemplo. Tinham o treinador mais arrogante do mundo, menos modesto, mas o que é certo é que ganharam tudo. O FCPorto ganha a Liga dos Campeões em Gelsenkirchen (isto não foi fácil para decorar), na Alemanha, oferecendo 3 golos ao Mónaco que não teve resposta.

JUNHO

Morte de Ronald Reagan aos 93 anos. Nem ele já se lembrava que cá estava.

É um género de Franchising musical. É mais ou menos o mesmo de termos o "Caffé di Roma" em Lisboa. O "Rock in Rio" in Lisboa, traz a fórmula revista e testada na origem, já por várias vezes. Os artistas a actuar foram divididos por dias e géneros, por tamanho de palcos e popularidade.
Mariza esteve à pinha no palco mais pequeno, Britney Spears fez playback no palco principal, só para dar um exemplo. O último dia esteve intransitável e o público esperou (quase todo) até às 2 da manhã para ver Sting, que, ao contrário do anterior concerto por cá, não veio acrescentar grande coisa. Só por isso Pedro Abrunhosa, que fechava o evento, teve de encolher o espectáculo e ficar entalado em menos de 45 minutos. Vieram cotas cantar, vieram os modernos, vieram de todos os lados. O público, o que veio nos primeiros dias, andou a comer pó, num recinto, supostamente relvado. Os bilhetes não eram para todos, nem se previa que muitos viessem a mais que um dia. 55€ é muita fruta! Diz-se que o dia do rock pesado, ou metal, como quiserem, foi o mais bem conseguido. A organização foi razoável, mas isto de juntar brasileiros nas nossas coisinhas, já se sabe, dá sempre um bocadinho de novela.

Morte de Sousa Franco durante acto de campanha eleitoral no Norte do país.

Ficou sem resposta uma das maiores curiosidades da humanidade. O que aconteceria quando Steve Wonder visse pela primeira vez Ray Charles?
Aos 73 anos, Ray Charles junta-se assim a Frank Sinatra para os duetos celestiais. Ou até para também comprar um cremesinho à Sra.D.Esteé Lauder.

Eis que chegou o momento pelo qual ansiámos durante anos. O EURO 2004 foi a promessa que nos fizeram para resolver todos os problemas do país.
Ok, não foi bem o que aconteceu, mas foi tão bonita a festa, que durante essas semanas ninguém se lembrou dos problemas do país. A maioria dos portugueses passou a ter um Kit Tuga que inclui, uma bandeira maiorzinha para colocar na janela; uma bandeira mais pequena para colocar na viatura; um cachecol a dizer Portugal (de lã, claro, mesmo com os 40º que estavam na rua, mas também todos sabem que o cachecol é para os pulsos e não para o pescoço); uma camisola da selecção, ou outra qualquer com o escudo; várias peças de roupa em verde, encarnado e amarelo; o hino português em versão de bolso, tipo cábula; autocolantes, emblemas, t-shirts ou qualquer peça que diga Portugal. Durão Barroso sai do governo. E depois mais bandeiras, mais golos, mais festas, mais estrangeiros. Durão Barroso aceita o cargo em Bruxelas e entala Sampaio. E depois mais bandeiras e tudo atrás do autocarro até ao estádio, e o Marquês de Pombal em delírio, e o Cristiano Ronaldo em tronco nú e as pernas do Figo. Durão Barroso pede a Sampaio para não dissolver a assembleia. E as bandeiras?? Lindas, todas a voar nas janelas...E até o Rui Costa marca, o nosso Ricardo marca, defende, ele é o que quiserem. Sampaio fica lixado porque percebe que tem mesmo de manter o governo. Filipão toma conta do país e aqui vai disto até à final. O nosso irmão brasileiro tornou-se um herói porque cumpriu aquilo que disse...só por isso!
O terror, a desgraça, o horror, o infortúnio toma conta do nosso país que mergulha num profundo pesar ao perder com a Grécia na final...logo a Grécia que é quase tão pobre quanto nós! Mas valeu muito a pena, depois de ressacar da derrota percebemos que nunca tínhamos chegado tão longe, porém, não ganhámos. Só não ganhámos. Só não ficámos com o caneco!
Agora que já estávamos a melhorar desta dor, Sampaio convida Santana Lopes a formar governo.
...Acho que foi aqui, neste preciso momento. O país apercebeu-se de tudo. No meio das bandeiras tinha acontecido alguma coisa.

Pedro Santana Lopes começa a formar governo, o que significa, alterar os ministros todos, mudar os secretários todos e mais as secretárias todas, carros, chauffers, empregadas da limpeza, móveis, computadores, marca de papel das impressoras, tinteiros, marca das canetas, da água, do papel higiénico, toalhas, etc, etc, etc.

Os EUA transferem a soberania do Iraque para as autoridades iraquianas, o que teoricamente muda quase tudo, agora estaria nas mãos deles.
Na prática, não mudou quase nada, pois se antes estavam divididos entre os iraquianos e os outros, agora dividem-se também entre eles próprios. A coligação lá continua, e até a nossa Geninha ajuda. Pequenos bombardeamentos, ataques, retaliações, atentados, são palavras que continuam a fazer o pão nosso de cada dia do país...quer dizer, do que resta dele.

JULHO

Morte de Marlon Brando, 80 anos

O legado desta senhora já atravessou gerações e é transversal na sociedade. Sophia de Mello Breyner, morre aos 84 anos, deixando-nos um herança literária que não precisa de ter tempo nem data.

"Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não..."Morte de Henrique Mendes, 72 anos.

Morte de Maria de Lurdes Pintasilgo, 74 anos. A única mulher até hoje a conduzir o governo em Portugal, desaparece depois de há vários anos ter saído da cena política.

Pedro Santana Lopes e seus muchachos tomam posse depois de, à última hora, algumas cadeiras terem mudado de condómino. A surpresa foi o lema da tomada de posse. Não tiveram férias em Agosto, como seria normal, para poderem arrumar as secretárias. Em Setembro, no início da época já não havia Euro 2004 que disfarçasse, já estava tudo de olhos postos em cada passo, em cada movimento...I'll be watching you...

Morte de Carlos Paredes, 79 anos. Embora estivesse internado há vários anos a esta parte e muitos já não o soubessem vivo, deixa um legado de guitarra portuguesa, da qual foi, é e será uma das maiores referências.

Já lá vão 6 Voltas a França para o curriculum. Depois de voltar à competição em 1998, devido a um cancro nos testículos, Lance Amstrong ainda não foi batido numa das mais importantes provas do ciclismo mundial. A Volta a França nunca teve um vencedor de tantas edições, muito menos todas consecutivas. Lance é um exemplo de perseverança, força de viver e também muita teimosia. Faz uso público do seu caso para mostrar a todos os que passam ou passaram pelo mesmo, a diferença entre desistir e vencer. Na vida como no desporto.

AGOSTO

Mais um ano Olímpico, em que milhares de desportistas se unem em nome da Paz, da igualdade, do fairplay e da união dos povos (o conceito é óptimo). Tudo isto na Grécia do nosso descontentamento. Enfim, eles no fundo são muito parecidos connosco, acabaram as obras na véspera, depois de terem feito inúmeras alterações aos projectos que já não tinha tempo de ser terminados nas datas previstas. A derrapagem nos orçamentos previstos dava quase para fazer tudo de novo e a tão badalada desorganização, contrastou com todos os aplausos que tivemos no nosso EURO 2004.
Diz quem lá esteve para assistir que não se notava tanto assim, mas as críticas de quem estava mesmo para trabalhar, não deixava dúvidas. Jornalistas, repórteres, atletas, treinadores, dirigentes, foram consensuais nas críticas ao evento.
Portugal levou 82 atletas, a maior comitiva de sempre, não fosse a Grécia já ali. Vários foram aqueles que competiram em Atenas com os olhos postos em Pequim 2008. Uma nova grande safra de atletas portugueses está a surgir, não fossem eles dos mais novos em provas onde alcançaram lugares entre os 10 primeiros. Caso de Vanessa Fernandes com, em 8º lugar no Triatlo, Emanuel Silva, 7º lugar nos 1000 mt em K1, na canoagem, Nuno Merino, tal como eu tinha vaticinado no ano passado, respondeu às espectativas com um excelente 6º lugar na final de Trampolim. Destaco ainda o 5ºlugar de Gustavo Lima em Vela, na classe Laser, o 7º lugar João Pina (-66 kg), o 7º João Neto (-73 kg), e ainda o 9º de Telma Monteiro, todos muito jovens a caminho de Pequim.
Melhor que em Sidney, esteve Gustavo Lima ( já Campeão Mundial da modalidade ) que obteve o 5º lugar em Laser.
A presença de um atleta nos JO é um orgulho para o próprio, uma experiência inesquecível e uma despesa grande para os Comités dos vários países. Quem ousa esquecer a importância de tudo isto e principalmente o âmbito desta competição, não merece referência. Não são as derrotas que nos ofendem, mas sim a falta de respeito pelos princípios que todos estamos à espera de encontrar em quem nos representa.
Para o fim deixei os campeões, aqueles para quem o seu trabalho, o seu esforço e dedicação, os seus tempos, naquele dia exacto representaram mais do que uma rodela de metal. Em cada um dos dias, cada um deles levou o nosso nome a um dos pontos mais altos do mundo, o da glória. Reflexo de muito trabalho, muitas horas esquecidas de treino, alegrias, tristezas, ânimos e desânimos. Tudo junto estava ali, nos sorrisos que no deram, nos arrepios que provocaram, no orgulho que nos fizeram sentir, é também por eles que Portugal é maior. Sérgio Paulinho, 24 anos, Medalha de Prata, Ciclismo, prova de estrada; Rui Silva, Medalha de Bronze, Atletismo, 1500 mts; Francis Obikwelu, Medalha de Prata, Atletismo, 100 mts planos com o tempo de 9,86 segundos.

E como não podia deixar de ser, logo de seguida vêm o Paralímpicos, o que quer dizer que os nossos campeões entram em acção. Há até quem vá participar pela 4ª vez consecutiva, o que equivale a 16 anos em acção. Com a maior participação de sempre, os Jogos Paralímpicos de Atenas, terminaram com a já habitual participação da delegação portuguesa que também mais uma vez nos encheu de orgulho. Os atletas nacionais ganharam 12 medalhas nos, colocando Portugal na 41ª posição. Natação, Boccia, Atletismo em 10000 mt, marcha e 5000 mt, pentatlo e maratona foram as modalidades que viram os nossos atletas subir ao pódio, conseguidas que foram duas medalhas de ouro, cinco de prata e cinco de bronze, e metade referem-se a competições de boccia. O trono do desporto paralímpico continua a brilhar com a presença assídua dos tugas. Um excelente resultado para modalidades e atletas que continuam a não ser levados muito a sério. No entanto há que salientar que este ano já tivemos transmissões em directo de Atenas de algumas das provas e resumos dos dias de competição. A SIC continua a ser a estação oficial, onde este ano foi dada uma relevância nunca vista. Muito bem!

Morte de José Carlos, estilista, 53 anos

A organização não governamental holandesa «Women on Waves» trouxe a Portugal o navio conhecido por "Barco do Aborto". Esta embarcação, que realiza viagens até países onde o aborto é prática ilegal, é uma autêntica clínica ginecológica. O navio foi impedido pelo Governo português de atracar nos portos nacionais, por motivos de respeito pelas leis nacionais e questões de saúde pública e foi bloqueado por navios de guerra. Apesar disso, a organização considerou o objectivo conseguido: a polémica e a cobertura mediática conseguiu relançar o debate sobre o aborto em Portugal.

SETEMBRO

Como se não estivesse já gasta a quota de terrorismo deste ano, um atentado organizado de 32 pessoas à escola de Beslan, na Rússia, durante uma festa de inicio de ano lectivo, onde pais, professores e alunos conviviam, provoca 365 mortos, 700 feridos e tantos traumatizados por terem sido mantidos dentro da escola durante dias inteiros, sujeitos à pressão das armas. A independência da Tchechénia continua em questão e as principais vítimas, para não variar, são os inocentes, cujo o único erro foi estar ali.

A nossa Sra. D. Agustina venceu o Prémio Camões por unanimidade. Este prémio distingue, anualmente, um escritor cuja obra tenha contribuído para o enriquecimento dos patrimónios cultural e literário em Português e foi entregue à escritora pelo ministro brasileiro da Cultura, Gilberto Gil, no Rio de Janeiro. Já não era sem tempo, está a senhora com os pezinhos inchados de estar à espera sentadita.

2ª (suposta) data de afixação da colocação de professores para ano lectivo 2004/2005

Foi à pastelaria fazer compras e de um dia para o outro torna-se uma das protagonistas dos telejornais do país. Não, não foi ao Big Brother nem a nenhum reality show do género. A Joana desapareceu. Portugal emocionou-se com a história de Joana Guerreiro, uma menina de oito anos de quem desde 12 de Setembro ninguém sabe...ou pelo menos diz não saber. Já se disse de quase tudo, que foi vendida, que foi cortada ao pedaços e estaria congelada na arca frigorifica de casa, que foi raptada e violada, etc, etc, etc. A grande curiosidade deste caso é a de que a principal suspeita é a própria mãe. Será que alguém ainda é totalmente contra a pena de morte?!

O Judo é já uma das modalidades que nos vai habituando a triunfos internacionais. Desta vez, a judoca Telma Monteiro é a nova campeã europeia de juniores na categoria de -52 quilos. Depois do 9º lugar no JO de Atenas, vem confirmar ser uma das grandes esperanças da modalidade. Tiago Lopes conseguiu a medalha de bronze na categoria de -66 quilos, e para variar quase ninguém soube. É a história da vida destas modalidades onde realmente temos títulos.

Para milhares de pessoas, Madonna deu o concerto do ano. Os dois concertos de Lisboa esgotaram poucas horas depois de os bilhetes terem sido colocados à venda. A Tourné Mundial Re-Invention, que começou em Los Angeles a 24 Maio, terminou no Pavilhão Atlântico, a 14 de Setembro, depois de ter sido adiada devido ao já reservado Pavilhão Atlântico pela Igreja do Reino de Deus, que passou 2 dias seguidos a conceder milagres às pessoas de bracinhos levantados na plateia. Será caro ter um milagre? Será que já existe uma Conta poupança milagre ou um Crédito Milagre?!

Colocação de alguns professores. Estavam alguns trocados, outros deslocados e muitos nem sequer colocados. O drama instalou-se, o software levou com as culpas, e as escolas começaram, praticamente todas, mais tarde.

Vanessa Fernandes revalidou o seu título na Taça do Mundo de Triatlo. A triatleta voltou a superiorizar-se à concorrência, passando para a frente quando se iniciaram os 10 quilómetros de corrida e deixando a sua mais directa adversária a 25 segundos. A mocinha tem 19 aninhos e já compete de igual para igual com as senhoras melhores do mundo, cheias de experiência e títulos. Depois do Jogos Olímpicos, esta é mais uma prova que a Vanessa veio para ficar...em grande!E para variar, poucos foram os que souberam.

A Mafalda fez 40 anos!!! Não seria uma grande notícia, não fosse ela uma das mais famosas heroínas do mundo aos quadradinhos, fazendo as delícias de miúdos e de graúdos. O autor argentino Quino, conquistou milhões de leitores com histórias divertidas que ao mesmo tempo reflectem sobre questões sociais e humanas sobre o seu país natal e a humanidade em geral. E ainda, sobre a eterna aversão das crianças à sopa...

OUTUBRO

Fialho Gouveia morreu aos 69 anos

Marcelo Rebelo de Sousa demite-se de comentador dominical da TVI. Debaixo de uma polémica nunca vista, o Professor lá pôs a viola no saco e foi à sua vida. O país susteve a respiração num aaaahhhh geral que despoltou para a cena nacional o tema Censura. O Presidente da Républica até mandou chamar o senhor para lhe dar uma palavrinha. Isto tomou tamanha dimensão que os intervenientes foram chamados à Assembleia. Até hoje não se sabe muito mais do assunto, o Professor pois que não fala, mas diz que volta. Entretanto teve tempo para ler mais 1583 livros que tinha em stand-by em casa e dar uma vista de olhos pela imprensa diária.

Christopher Reeve aos 52 anos foi vencido e desta feita não pela kriptonite. Ao fim de alguns anos agarrado a uma cadeira de rodas, a desmistificação do super-herói mais famoso do mundo chegou ao fim mais temido. Depois de, nos últimos anos, ter sido um verdadeiro ícone da luta para o desenvolvimento Científico na recuperação de problemas como o seu, não resistiu e viu-se obrigado a ceder às leis da Natureza.

NOVEMBRO

Logo no inicio do mês acordamos com a notícia da morte de Yasser Arafat, o futuro da paz pode com isto ver mais luz no fundo do túmulo.

Como uma desgraça nunca vem só, logo de seguida acordamos com a vitória de George Bush nas eleições americanas. Só os americanos com mais do que a 4ªclasse votaram nele, ou seja, os estados considerados mais desenvolvidos (muito poucos) ainda apostaram na diferença, mas a maioria venceu e o Sr.Bush voltou a tomar o seu lugar. Depois de terem passado os últimos 4 anos a dizer mal dele, num episódio inédito de algum americano desdenhar da sua própria terra, ainda têm mais 4 para o aturar. Eles e nós por tabela, como é óbvio.

Afinal Yasser Arafat não morreu, ou ressuscitou. Diz que lá está, agarradito à máquina, mas em vivo.

Colin Powel demite-se do cargo de secretário de Estado nos EUA. Zangam-se as comadres...

Parece que Yasser Arafat faleceu, a sua senhora que até já vivia em Paris, pois diz que Israel era péssimo para as compras, estava ao seu lado quando tudo chegou ao fim.

Começou como um blog, virou programa de televisão, espectáculo ao vivo e passa agora a DVD. O Gato Fedorento, acabadinho de ser lançado, é já líder de vendas e um autêntico fenómeno. Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Gois assinam os sketches que puseram o país todo a falar, a falar, a falar....

Pois parece que o senhor Yasser Arafat continua vivo. É um cruzamento de informações que já ninguém se entende. A sua senhora voltou às compras e diz que Paris está pela hora da morte, ai senhora, que pessimismo, essa história da morte...um dia destes ainda tem um desgosto.

Os MTV Europe Music Awards de 2004 tiveram um encanto especial para Portugal. Foi inserido um prémio com o nome Best Portuguese Music Award, que este ano indiscutivelmente os Da Weasel levaram para casa...Olá nina quero cuidar de ti... E ainda por terem sido os últimos antes da edição de Novembro de 2005, a realizar em Portugal. Mais um grande evento na área da música a ter lugar no nosso cantinho.

Morreu Yasser Arafat, em Paris. Será que foi desta???? Diz que estavam a tentar decidir onde iria ser sepultado e só depois desligaram a ficha da tomada. Agora foi mesmo.

Para aproveitar a época das compras e das festas, enquanto uma pessoa descansada já comia uma rabanada ou uma filhó, o Presidente da República Jorge Sampaio, assim na surra, vai e dissolve a Assembleia da República. O giro foi reunir o Conselho de Estado só depois de o fazer e comunicar tudo ao país uma semana depois. Mas como já andava tudo atarefado com as compras que acham obrigatórias no Natal, com o perú, bolo Rei, fatias douradas, bacalhau com todos e mais algum, cabrito ou borrego, arroz doce, sonhos de abóbora, azevias, broas castelares, presépios, pinheiros, bolas e luzes...já ninguém tomou a verdadeira consciência do facto.O que se vai tornando um hábito na política portuguesa. Sempre que querem tomar uma medida mais importante que nos afectará a todos de alguma forma, esperam que chegue uma altura em que ninguém está para aí virado. É assim tipo à traição, está tudo virado para o EURO 2004...e zzzááásss! Toma que ficam sem Primeiro-ministro. Agora com o Natal foi o mesmo...vai, vai lá comer a tua azevia...vai, vai que vais ver o que tens quando voltares! E zás, sacam-nos a Assembleia! Toma com eleições a 20 de Fevereiro e desmarca lá as férias na neve!

Pinto da Costa vai a interrogatório no âmbito do processo Apito Dourado, meses depois, agora que já passou o EURO, o rol de acusados aumenta para 22, entre dirigentes, empresários, árbitros, suspeitos da prática de corrupção desportiva e tráfico de influências. Pinto da Costa apenas é impedido de comunicar com os já implicados no processo. Mas ainda agora a procissão vai no adro...

DEZEMBRO

Mais FCPorto, mais título, mais taça! Victor Fernandez lidera a equipa portista e ganha por tabela de Mourinho a Taça intercontinental em Tóquio, contra a equipa colombiana do Once Caldas, que ninguém conhecia, mas que fez jus ao título que disputava. Depois de em 1987 Madjer nos ter deliciado com "aquele" golo de calcanhar debaixo de um manto branco de neve, este ano foi sofrer até ao fim, foi pénaltis, foi desmaio, foram montes de horas de avião, foi jet lag, foi tudo, quando se fala em 2003, vitória = FêQuêPê.

Inaugurada em França a ponte mais alta do mundo, Ponte de Millau.

Em 2004 não houve falta de sangue nos hospitais portugueses. Dando continuidade à tendência para o crescimento das dádivas de sangue registada nos últimos dez anos, em 2003 verificou-se um aumento de 20 mil unidades de sangue face ao ano anterior. Assim, em 2004 o Instituto Português do Sangue teve à sua disposição 330 mil unidades, um valor próximo das 350 mil que garantiram a auto-suficiência dos hospitais portugueses no decorrer do ano. Entretanto, a campanha de recolha do Instituto Português de Sangue (IPS) realizada em Julho de 2004 em centros comerciais obteve um número recorde de 1445 dadores.
Ainda a mesa de Natal estava posta quando acordamos para uma das maiores catástrofes naturais de que há relato na história da humanidades. Ao largo da baía de Sumatra, um terramoto dá lugar a um maremoto com consequências até ali inimagináveis. Directamente foram afectados 7 países, alguns dos quais com uma vertente turística fortíssima. O Sudoeste asiático termina 2004 mergulhado numa tragédia que afectou pelo menos 47 países, depois de identificados milhares de cadáveres. Os corpos amontoavam-se em cenas deprimentes, para as quais as palavras já não chegam. Mais de 150 mil vítimas foram encontradas, mas suspeita-se que muitos outros estejam desaparecidos. Os relatos da maioria dos sobreviventes são aterradores e as histórias, por vezes inacreditáveis. A zona costeira da maioria dos países foi totalmente alterada depois do mar ter abalroado quilómetros a fio, arrastando pessoas, carros, casas, árvores e tudo o mais que surgia no caminho. De todos os lados do mundo surgiram vídeos amadores, testemunhando o pânico vivido naqueles momentos. Foi também por eles que conseguimos ter a dimensão desta tragédia que uniu o mundo em acções diversas de solidariedade.
o Tsunami pôs o resto do mundo a reflectir sobre as precauções e sistemas de alarme para situações semelhantes, que na maioria dos países não existe.

Mesmo em noite de final do ano, chega também ao fim um dos marcos televisivos dos últimos 3 meses. Por umas razões ou por outras, a Quinta foi incontornável, nem que fosse pela diferença. O diário da vida rural, como lhe chamaram, conseguiu juntar pessoas de géneros bem diferentes, mesmo que à partida não parecesse. José Castelo Branco, o diferente, tornou-se um herói nacional. E esta é a parte assustadora. Aquilo a que se assiste é a um homem que se veste, trata, fala, mexe, reage, como uma mulher. É casado pela 2ª vez, tem um filho e diz-se Empresário de obras de arte. Tem o cabelo com madeixas, as sobrancelhas arranjadas e a face maquilhada. O português comum que via a Quinta ficou de olhos postos em tudo o que ele dizia e fazia. Repetem os gestos e as expressões e dizem que tudo isso os faz rir, e muito. Ele insiste que é mesmo assim, e o pior é que é mesmo.
De resto foram discussões, regras que não eram bem assim, expulsões duvidosas, manipulação de imagens, jogadores profissionais, amor de geração espontânea, etc, etc, etc...A diferença ganhou, a TVI também.

quarta-feira, 12 de Janeiro de 2005

Carta aberta a Vítor Baía - Parte VI

Caro Vítor, meu grande querido, tu não páras...estás sempre a surpreender-me. Sempre que eu acho que não podes jogar pior, lá vens tu, sorrateiro, discreto como só tu sabes ser, ali a largar as bolas da mão, a sair em falso da baliza, a tentar defrontar defesas, enfim...é um sem fim de manobras com que tu nos brindas.
Mas esta semana tu se explicou, afinal os teus problemas eram mesmo pessoais. Então separaste-te pá?! Toda a gente sabe que a estabilidade emocional é um dos pontos fundamentais do sucesso de um atleta...e tu não dizias nada?!
Estou aqui encolhidinha de tanta (quase) vergonha de te ter massacrado, mas no fundo eu até tinha razão. As respostas estavam todas em ti. Elas não te abandonam. A tua mulher pode fazê-lo, mas as respostas às tuas questões não o farão nunca. Vais ver que até podes ser seleccionado para o Mundial. Tudo pode mudar, vais ver que era isso...

quarta-feira, 17 de Novembro de 2004

L Casei Imunitas

Quando tiver um filho também tenho de arranjar um Actimel, e como tem prazo de validade, vou ter de arranjar vários.
Então não é que o Actimel toma conta dos filhos por nós?! Ah pois é... É isto mesmo que diz o anúncio que está a passar com um testemunho muito audaz de uma mãe que fica descansada quando o seu filho o toma. Ela diz que ele toma conta dele por ela... Isto não é fantástico??
Parece que estou a ver a embalagem de plástico branco, pequenina, de um lado para o outro na areia do jardim infantil a tentar chegar ao final do escorrega para apoiar a queda do menino.
Deve-se processar deste modo: A criança bebe o liquido, apoia a embalagem assim no muro do jardim, e ela fica ali com o seu L Casei Imunitas (deve ser um gorila grande com músculos) à espera de qualquer incidente. Mas essa embalagem só toma conta da criança que a bebeu, porque se houver outra criança, a embalagem dela é que deve tomar conta.
Só pode...

terça-feira, 16 de Novembro de 2004

Carta Aberta a Vítor Baía - Parte V

Caro Vítor,

o Sr. Scolari já anunciou os convocados para o jogo com o Luxemburgo de apuramento para o Mundial. Lembras-te?! Foste tu que fizeste o último Mundial, sim, eras tu que estavas lá, mas também não fizeste o apuramento todo, se bem te lembras. Portanto, não fiques triste, vais ver que ainda é possível seres convocado. És um guarda-redes, jogas futebol e és profissional, logo és seleccionavel, como diz o nosso Filipão, sim ele, o teu amiguinho.
Vai ver que ele só te está a poupar, vais ver que é só por estares meio lesionado, que estranho, logo esta semana. Se calhar já é uma das tuas respostas, e tu não estás atento...É o teu organismo a responder por ti, não o cales. O Quim também precisa de uma oportunidade, já viste a cara dele?! Tem sempre um ar desgraçadinho, coitadinho, não merece. Ele já tem a sua cruz, que é jogar no Benfica, não merece mais castigos.
Vá lá Vítor, meu grande querido, não fiques triste, o Mundial é só em 2006, ainda tens tempo, pode ser que o Sr.Oliveira volte, embora não esteja perdoado.

quarta-feira, 10 de Novembro de 2004

Já embuída do espírito

Estamos na época do Natal. Costumam dizer que as pessoas, em geral, ficam mais solidárias nesta altura. O espírito natalício, vem, ataca e depois uma pessoa até fica comovida a assistir ao Natal dos Hospitais.
Ainda não percebi porque insistem em fazer o Natal dos Hospitais, ainda pra mais agora há o Natal dos Hospitais, Há festa no Hospital, O menino Jesus nas palhas deitado no Hospital, O Natal tem mais viada no Hospital etc, etc. O único factor que altera em cada um deles é o canal de tv em que dá. Ok, os apresentadores também são diferentes. Mas são os mesmos de todos os outros dias.
Os artistas que lá vão, sejam cantores, actores, mágicos ou afins, são sempre os mesmos, os mesmos todos os anos e os mesmos em todos os programas.
E o mais importante de tudo...Não acham que os coitados dos doentes agradeciam mais se lhes dessem uma tv para cada enfermaria, em vez de lhe porem o Toy à frente aos saltos a cantar...”Sensual, és tão sensual, tens um ar de mulher fatal”....Que género de alegria terá uma doente com 65 anos, que acabou de tirar a vesícula, está com dois tubos enfiados pelo nariz a dentro, uma bata azul cueca, não se consegue quase mexer, sem ser os bracinhos, a olhar para si mesma e a pensar: “Sensual...oh oh”
Ou uma senhora operada de coração aberto há 2 dias, que leva com a Mónica Sintra: “Na minha cama com ela...tu e ela na loucura...” Ela que durante anos desconfiou que o marido tinha uma amante, agora ali estendida, sabendo que o marido está sozinho em casa há quase 2 semanas...
Não é fácil. Estar num hospital já não é bom, uma pessoa acertar com a doença na altura do Natal, ainda pior, como se não bastasse ainda apanha 8h seguidas com o Goucha. Não me parece muito solidária esta atitude. Até porque os doentes não têm culpa, quer dizer...Parece que estou a ver o sr.doente, lá em cima na enfermaria, a pedir por entre tubos e máscaras de ventilação: - Oh Sra. Enfermeira, por favor, deixe-me lá ir abaixo, não tarda nada está a Rute Marlene a cantar e eu aqui. Ó sra. Enfermeira, estava há 6anos em lista de espera...só este ano é que consegui...acertar na semana do Natal dos hospitais!!

segunda-feira, 8 de Novembro de 2004

Carta Aberta a Vítor Baía - Parte IV

Caro Vítor,

hoje é um dia importante para todos nós que acreditamos numa melhor classificação na Superliga Galp Energia (this moment was sponsored by Galp).
Assim sendo, só gostava que continuasses a ser quem és e como és. Continua a questionar-te, continua a pedir respostas, se puderes, faz tudo isso depois das 20h 30m de hoje, durante duas horitas chegará, com certeza. Mas questiona-te com convicção, concentra-te, senta-te até...mas não mudes nada daquilo que tens feito nos últimos jogos. Acredito que essa seja a melhor táctica. Acredita tu também.
Um bem-haja a todos aqueles que nos ajudam tanto como tu o fazes...e bem!

quarta-feira, 3 de Novembro de 2004

Carta aberta a Vítor Baía - Parte III

Caro Vítor,

eu não queria, eu nunca imaginei que tivesse de te dizer isto, meu grande querido. Tu bem sabes, foi assim que te ensinaram, e como tal aprendeste, que os jogos de futebol profissional têm 90 minutos. Mas Vítor, também há os minutos de desconto. Aliás, quando os há, é para as todas as equipas em campo, tal como o Sol quando não nasce para uns, não nasce para outros.
Bem sei que te habituaste a que os minutos de desconto depois dos 90 regulamentares, fossem sempre benéficos para a tua equipa, sim, tornou-se um hábito, não uma regra...digo eu. Também sei que quando existem, esses minutos nos jogos da tua equipa, nunca são menos de 5, mas tens de aceitar que se pode jogar nos dois lados do campo. Eu sei que custa, não queria ter sido eu a dizer-te isto, mas antes ser eu que vir alguém de fora contar-te.
É só estares atento, é só mais um bocadinho, não podes reger-te pelo teu relógio, aquele senhor que veste de cor diferente avisar-te-á quando for hora, não te preocupes, normalmente não ultrapassam os 15 minutos, mesmo com a tua equipa...mas uma pessoa nunca sabe. Pelo sim, pelo não, fica atento, não desistas, a força está em ti, acredita.