quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
someone's watching
Resta-me a ideia de que é uma situação vulgar, já há filmes, livros, músicas, citações, séries, documentários, and so on...sobre o assunto.
É vulgar sim, corriqueiro até, mas não deixa de doer, não deixa de arranhar a estima, a nossa e a dos outros, não deixa de ensopar as mangas com sal, e para consolo apenas a esperança de que tudo passa...e passa, passa de validade.
As lágrimas quando passam do prazo também ficam verdes e secas, mas ficam agarradas ao coração para que aprendamos com elas.
domingo, 7 de Fevereiro de 2010
utopia
Gostava de desenhar um sorriso em cada pessoa que cruzou a minha vida, e fazê-las sorrir sempre que me lembrassem. É utópico sim, mas é uma utopia fofinha.
quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
afinal
- não, porque perguntas isso?
- só perguntei, se não tens deixa...
- quem é que te contou?
quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
ser feliz é mais fácil
A tristeza nunca vem a propósito, porque nos apetecia sempre mais estar felizes, porque nos dava muito mais jeito rir a bandeiras despregadas de qualquer piada idiota. É muito mais fácil estar feliz, ninguém questiona, ninguém põe em questão as nossas opções, porque afinal tudo o que queremos é ser felizes, e se estivermos felizes é sinal que escolhemos bem, abdicámos bem, 'não atendemos' bem ou 'desligámos' cheios de razão. Estar triste é muito mais que um estado, é o resvalar de um projecto, de uma ideia, de um desejo, de alguma coisa que não chegou a ser ou deixou de ser, acabou.
Responder que se está triste é querer contar a razão, mas afirmar que se está feliz é muitas vezes apenas querer acreditar nisso, ou não querer estar triste, mas à força. É muito mais cómodo ser feliz, é mais produtivo, há mais Sol em ser feliz, ainda que chovam picaretas e carrinhos de mão.
A tristeza arrasta os móveis, não vê os pêlos a crescer, não usa bâton nem eyeliner, não sabe como se deixou chegar ali, mas é sempre a pior tristeza de sempre. Cada vez que se fica triste fica-se mais triste do que da última vez, é sempre pior, e ninguém entende. Não se acredita que um dia se vai sair dali, da toca onde nem todos são autorizados a entrar. Por isso, algumas das vezes estamos felizes para uns e tristes para outros, os que menos merecem, mas o que melhor entendem, os que dão colo e tempo para nos ouvirem ou apenas para estarem ali e não fazerem absolutamente nada. São esses que nos curam, aqueles a quem nem sempre é preciso dizer alguma coisa, os que só precisam de estar e ser, os que vêm para lá da testa, para lá do que contamos.
Ser feliz é muito mais fácil, mas é na tristeza que nos descobrimos e que encontramos os outros, os que realmente são.
segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
domingo, 31 de Janeiro de 2010
desfocado
quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010
detergente
terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
domingo, 17 de Janeiro de 2010
começar do 10
Mas para tudo isto não preciso começar do 0 (zero), este ano quero começar do 10, quero começar exactamente do ponto onde deixei o antigo, o 9. E a partir daqui, sim, dar um novo impulso, recomeçar algumas coisas que deixei por acabar, começar novas e melhores, mais lúcidas e mais fortes.
Não quero começar de zero nenhum, não quero voltar atrás em nada e fazer qualquer coisa outra vez, não quero reviver, mesmo que de outra maneira, o que já passou. Quero começar daqui, com tudo o que já vi, já ouvi, já senti, já li e já escrevi. Pego na bagagem toda e ponho-a ao dispor do presente e do futuro, pego na minha história e desenvolvo-a sem os soluços de voltar a zeros que nunca chegam a sê-lo, porque fica sempre alguma coisa por limpar, por engavetar. Se eu levar tudo comigo já não tenho desculpa para não saber, posso apenas nem querer saber disso e ignorar os restos que já não me servem, o restos do que ainda me faz baixar a cabeça. Escolho carregar tudo, mesmo que para isso tenha excesso de bagagem, excesso de palavras, e com o passar dos dias ir arrumando tudo nas devidas gavetas. Quando não se arrumam as sobras do que vamos deixando de viver e sentir, nunca sabemos se estamos livres de voltar a tropeçar nelas.
sábado, 16 de Janeiro de 2010
on my mind #7
segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009
nada chega
Apetece desatar a correr para aquecer, fugir daqui para fora e só parar num abraço, ainda que morno.
Já não chega o calor que a memória guardou, já não chega a temperatura que os sonhos escondem em embalagens herméticas a utilizar em casos de emergência. Já não chega.
Não há gomas, alperces secos, pipocas ou batatas fritas que arrastem este inverno daqui.
losing skills
When your eyes meet mine
I lose simple skills
Like to tell you all I want is now"
Snow Patrol, 2008
domingo, 13 de Dezembro de 2009
ai fado, ai fado
To know and feel too much within.
I still believe she was my twin, but I lost the ring.
She was born in spring, but I was born too late
Blame it on a simple twist of fate."
Bob Dylan, 1974
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
onde?
Quando os sonhos acabam e vão lá para onde os sonhos moram, fica sempre alguma coisa esquecida, tal como num quarto de hotel, onde sobra sempre uma meia, uma escova ou uma camisa de dormir, perdidos em locais que a mala de viagem não arrecadou e deixa como rasto do que se viveu ali.
Também nos sonhos é assim, o que resta é o que guardamos, o que recordamos. Por vezes as partes boas, outras vezes as más, depende da maneira como terminam os sonhos e chegam as realidades cruas. Depende da velocidade com que caímos dali abaixo. A voar ou aos trambolhões, cair implica quase sempre descer, mesmo que se volte a subir de seguida, para não ganhar medo. O medo que nos afasta de tentar, tentar de novo ou tentar outra vez, mesmo que magoados, mesmo que doridos ou muito sofridos. O medo que nos impede de arriscar, de poder cair outra vez, mas de outra maneira. O medo que não nos deixa aprender e voltar subir, voltar a sonhar.
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
regatear
Não posso, posso apenas implorar, dizer que conheço alguns sinais e marcas de vacinas, ou até cicatrizes que deixaram marcas onde o tempo não passou. Posso dizer que te sinto, que os meus braços e o meu coração anunciam a tua chegada, mesmo antes de apareceres, que se fosse um cão, abanava a cauda, que a minha pele se arrepia com a lembrança do teu nome.
Quero voltar à casa partida, e mesmo sem ganhar dois contos, ir directa para a prisão onde te encontrarei e de onde não vou desejar sair até que respires o mesmo ar do que eu. Tenho ar a mais à minha volta, tanto ar que me sinto sufocada.
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
dão-se alvíssaras
Guardei os restos de abraços que ficaram por dar, ou de alguns apertados a correr, como se o tempo não chegasse para mais ou houvesse alguém entre nós . Tenho uma embalagem de carinhos que não cheguei a dar, mãos que não cheguei a apertar, orelhas em que não mexi e até lábios que não beijei o suficiente, ou tanto quanto queria. Também tenho beijos que dei, mas que queria devolver, que não me faziam falta, que dei por dar, porque estava ali, tal como quando compramos uns sapatos e sabemos à partida que dificilmente vamos voltar a usar e que, mais dificilmente ainda, nos iriam fazer felizes.
Restam-me ainda alguns olhares comprometedores, desviados um segundo antes de serem flagrados, mais uns quantos, gastos de tanto serem usados, de tanto permanecerem em cena.
No entanto há muitas outras coisas que gostava de recuperar, coisas que fui deixando por aí e não consegui guardar nem os restos. Às vezes por querer fugir, outras por ficar tempo demais e perder o rasto ao que, depressa demais, ia passando à minha volta.
Gostava de ser racional com as emoções, como sou com o economato, e ter tudo guardado e organizado, mas há restos que foram ficando sempre em gavetas erradas, há coisas que tive de deixar a meio, no inicio ou até antes mesmo de começarem, e nessas alturas não há disposição para catalogar, para arquivar como deve ser o que sobra. E agora reconheço que algumas delas me faziam falta, e queria encontrá-las algures no mercado negro, em segunda mão, que seja.
Alguns cheiros que me remetem para longe, que me fazem fechar os olhos de prazer e lembrança, numa tentativa de os trazer para perto de mim outra vez, um ou outro par de pés quentes, que me fazem lembrar que o Inverno está mesmo a chegar e que isto de dormir destapada a noite inteira, ainda assim, chegou a meados de Outubro.
Era bom que alguém me encontrasse tudo isto, que estará algures entre Portugal e o resto do mundo, algures entre o chão e a nuvem mais próxima. Alguém que me fizesse lembrar o que as palavras nunca dizem, o que os braços não agarram, mas que o coração dificilmente esquece. Porque quando alguém tem de sair mais cedo, normalmente não assiste ao melhor da festa.
quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
a diferença
quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
a arte
E depois há quem diga que tudo isto é uma arte, a de fugir.
Fugir de si, fugir do que sente e do que pode ter, ser, sentir e sorrir. Fugir de ser muito mais, de estar muito mais, de querer muito mais. Sem perder o que quer que seja. Ao contrário da carteira, nas emoções, é no gastar que está o ganho.
quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
aprendi aos bocadinhos
quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
aqui.
sou mascarada

Máscaras (ou caraças como hoje me disseram) são na maioria das vezes representativas do Teatro, mas não só. São a representação da nossa própria vida, ora infeliz ou feliz, ora certo ou errado, quente ou frio, bom ou mau...opostos, os pontos de referência que temos de ter para
conseguirmos dar valor e aproveitarmos o que temos e o que somos. Por vezes é nas grandes diferenças que reside a proximidade. As máscaras defendem-nos, protegem-nos, tanto quanto nos escondem, mas não apagam o que está por trás delas próprias:a nossa essência, o nosso Ser, neste palco q é a VIDA! domingo, 23 de Agosto de 2009
de certeza que há
terça-feira, 18 de Agosto de 2009
sexta-feira, 31 de Julho de 2009
quarta-feira, 29 de Julho de 2009
terça-feira, 28 de Julho de 2009
quarta-feira, 22 de Julho de 2009
espera
Hoje já não espero apenas palavras, espero acções, já não espero pessoas, espero emoções, sentimentos.
Aflige-me ser demasiado fiel ao que sinto e não me disponibilizar para receber mais. Fico à espera de repetições, de continuações, como se de um guião se tratasse. Mas não dás as deixas, nesta história que podia ser um filme alternativo que ainda não estreou.
Não é à tua espera que eu estou, mas és tu que me fazes sentir aquilo que eu espero.
domingo, 12 de Julho de 2009
segunda-feira, 6 de Julho de 2009
nos dias em que não existes
Quase tenho medo de saber e conhecer mais para não descobrir que és feito do mesmo material que os sonhos, que só existem quando estão connosco, na nossa almofada.
O tempo passa, mas a almofada, a mesma dos sonhos, parece querer recordar-te, e à noite atira-me à cara o cheiro, nem bom nem mau, mas que é o teu. Atira-me à cara o que me fazes pensar e sentir, e por fim, atira-me à cara que ainda assim eu tenho de dormir, que não estás aqui. Depois chega a realidade e eu entrego-me contrariada.
Quando não estás ao alcance de um olhar, pareces viver num mundo paralelo, onde não há rede nem televisão por cabo, de onde só se sai com aviso de despejo e prescrição médica. Esfumam-se as ideias, tal como o calor que por aqui ficou e, embora não me canse de olhar em volta, tu não estás lá, nunca chegas, nunca dizes. Chegam os dias de frio e tu não respondes, não aqueces, não existes.
Os sonhos ultimamente têm cheiro, têm cor, têm forma, têm o calor de dois corpos que não precisam de descolar para adormecer. É tudo o que sobra para os dias em que não estás, os dias em que insistes em não existir.
sexta-feira, 29 de Maio de 2009
quando não há palavras
O espaço que deixámos vazio para as palavras se cruzarem vai criando raízes, ervas daninhas que não se deixam arrancar. E é assim, devagar, como crescem as ervas que não são regadas, que se vai preenchendo até deixar de ser um lugar vazio, sem vida. Passará a ser terra cultivada à força, só para não cairmos ao tentar saltar, altura em que voar resolveria quase tudo. No ar não existem “pedras no caminho”, rasteiras ou degraus mais disfarçados. Não há trânsito nem insultos descabidos, não há falta de estacionamento e podemos encostar em qualquer lugar.
A terra parece, por vezes, ocupada demais, viva demais, congestionada demais, movimentada demais. O ar tem mais espaço e é por ele que tantas vezes voam as palavras que não são ditas, que não são escritas.
As palavras voam, e algumas vezes não chegam a descer, é vulgar por isso, apanharmos ideias assim, no ar. E quando andamos com a “cabeça no ar” estaremos provavelmente a tentar vermo-nos livre delas...ou à procura delas.
terça-feira, 26 de Maio de 2009
onde dormem os sonhos?
Aninham-se em nós como se nunca tivessem saído dali, como se fosse um episódio com continuação, numa história que não acaba nunca, só mudam as personagens e os cenários.
Onde vão dormir os meus sonhos quando se levantam? Os sonhos esperam sempre que eu me deite, nunca lá estão quando eu chego, nunca adormecem à minha espera. Os sonhos chegam sempre a tempo, mesmo que não tenham relógio. Os sonhos não me deixam antes de acordar, e por vezes até são interrompidos abruptamente sem querer. Eles fazem-me rir, chorar, fazem-me estar onde nunca fui, fazem-me ser o que nunca pensei ser, ter o que nunca tive, ou tive mas não dei atenção, e principalmente, sentir o que não sinto quando estou acordada. Os sonhos mimam-me de tal maneira que chego a pensar que têm braços, que têm coração, que têm cinco sentidos como eu. Mas se têm tudo isto, onde se escondem durante todo o tempo que não estão comigo a fazer-me…sonhar?
quinta-feira, 17 de Julho de 2008
erro de calendário
Numa outra altura, num outro lugar, uma outra pessoa, e tudo faria sentido, tudo parecia encaixar como desenhado de propósito. Há vezes em que tinha tudo para dar certo, mas não deu, nem certo nem errado, não deu nada. Porque não era agora, porque não era ali, porque não se estava disponível, porque ainda há alguém a povoar as ideias, porque daqui a nada se vai de férias, porque, porque, porque. Quinze dias depois liga-se e já tudo se apagou. Já não apetece. Mas agora é que era.
quarta-feira, 16 de Julho de 2008
terça-feira, 15 de Julho de 2008
almofadas de sorrisos menos felizes
Há coisas que nos custam a aceitar, um acidente, uma falha, um acaso, outras há que além de custarem a aceitar, deixam marcas para sempre. Algumas mais profundas outras mais visíveis, umas felizes outras nem tanto. Importa reter o que aprendemos, o que vivemos, o que sentimos. Importa principalmente arrumar os restos e as ideias para não correr o risco de tropeçar algures no tempo, numa memória desarrumada que se atravessou à nossa frente.
Quanto mais tempo passa, mais gavetas precisamos e mais arrumadinhas têm de estar. Um dia vamos naturalmente poder mudar o guarda-roupa para sempre, porque o Inverno já não volta.
Não há atalhos para esquecer, na realidade nem interessa esquecer, interessa sim arrumar o que passou para, mais tarde ou mais cedo, poder guardar e usar outro presente, outras alegrias, outras chatices (inevitavelmente), outras ideias, que seja. No futuro, que é a partir de ontem, há outros locais para ir, mais longe, mais bonitos, mais felizes. Hoje nem tudo faz sentido, é natural, mas dia a dia, a estrada vai parecer mais longa e bem melhor alcatroada. Amanhã ainda é cedo, mas é já tempo de saberes que o teu caminho ainda agora começou, mas que dele sempre farão parte algumas pessoas que acolheste no teu coração, nas tuas nuvens saltitantes, nas tuas almofadas de sorrisos, nos teus sonhos de algodão, ou nos teus beijos doces com elefante saltitantes. Serão elas que te farão sombra, quando no teu caminho, a estrada tiver demasiado Sol, serão elas que trarão a ovelha e a lã para o teu casaco de Inverno, serão elas que se transformarão em esponja, quando as lágrimas parecerem inundar o mundo. Eu sou uma Ela, e sei que assino por mais umas quantas, porque não estás sozinha e estamos sempre a começar algo. E é isso que nos indica qualquer fim, um novo início…dos bons, sempre melhor…e sem ser preciso passares na Casa Partida e ganhar 2 contos.
quarta-feira, 9 de Julho de 2008
segunda-feira, 7 de Julho de 2008
A responsabilidade do Tempo
Deixamos que o tempo faça tirar as nódoas da roupa, as nódoas negras, o amachucado que não levou ferro. Damos ao tempo o poder de nos fazer esquecer um amor, de nos tirar as dores, as mazelas, as feridas. Tudo acaba por passar, com o tempo.
Será que há tempo para tudo isto? Será que temos tempo para deixar que seja o tempo a fazer tudo isto por nós?
Nós que vivemos a urgência do fazer, do ter, do querer, deixamos tudo isto longe das nossas mãos e tantas vezes longe da nossa vista, entregue assim, de mão beijada ao tempo?
sábado, 5 de Julho de 2008
Como se...#3
e era
Abracei-te, como se não conhecesse o teu corpo
e não conhecia
Beijei-te, como se te contasse alguns segredos
e contei
Despedi-me, como se daqui a nada te voltasse a ver
mas não vi
quarta-feira, 4 de Junho de 2008
A memória da Saudade
Nas pessoas, também é no passado, por mais recente que seja, que se encontra a saudade, o que fizeram, o que falaram e o que sentiram, principalmente. Mas a partir de quando é legítimo sentir saudade?! Pode alguém sentir saudade do que só sentiu, do que partilhou, por exemplo, uma única vez?! É possível sentir saudade de um momento e não de uma “pseudo-repetição” deles? É possível isolar esse único momento? Cabe na cabeça de alguém o discernimento para identificar um momento preciso para de lá trazer a saudade?
A saudade não tem momentos únicos, não tem sensações específicas, tem uma espécie de apanhado de tudo, uma globalização pequenina de sentimento, emoção e até tacto. A saudade lembra tudo isso praticamente ao mesmo tempo, é ridícula e ingrata por vezes, é estranha e fugidia, mas nunca completamente falsa.
Pode-se ter saudade do que nunca se viveu, do que nunca se teve, mas que pela repetição do desejo, do sonho, já se sentiu, já se sofreu mais profundamente do que em alguns passados.
Tenho saudades do pequeno tempo dos momentos, únicos como todos, mas dos quais a saudade tem feito questão de me lembrar. A saudade tem muito boa memória.
segunda-feira, 26 de Maio de 2008
No país dos rótulos
A relação entre duas pessoas, principalmente, tem de ser uma coisa bem definida.
Entre duas pessoas, sejam elas de que géneros forem, há sempre um rótulo, que eventualmente pode ir mudando. É-se Conhecido, depois passa-se a Amigo, depois grande Amigo, depois dos melhores Amigos, se for o caso, Namorado, Noivo, Marido, Ex-marido, Defunto. Para que não haja dúvida alguma, todos estes estágios têm de ser declarados publicamente e em alguns casos registados oficialmente, caso contrário, é como se não existissem.
Será que não se pode Só estar porque se está bem, e não ter de tomar decisões quanto ao nome que ”vamos chamar a isto”? Será que só porque não tem nome, a relação não pode ser séria e intensa? Só porque não “assumimos isto”, as pessoas não vão acreditar, não nos vamos envolver da mesma maneira? Não vamos sentir o que tivermos de sentir?
Ou por outro lado, vamos ficar mais responsabilizados, vamos ser mais respeitados, ou até mais amados, só porque isto tem um nome e se chama namoro, noivado (aqui a diferença está no anel), ou casamento?
Nos tempos que correm, um rótulo ainda pesa assim tanto?
Não se precisa de um rótulo para ser feliz, precisa-se de pessoas, de sentimentos, de emoções e de tudo o que dai advém. Não é preciso um rótulo para as pessoas se darem, dão-se porque sentem, seja dar uma flor, o coração ou o corpo.
Não é o rótulo que faz suspirar incessantemente ou atravessar a cidade para enxugar umas lágrimas. É o que está por dentro que nos move.
Bom mesmo é sentir, que se lixe o nome que se dá à coisa!
terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Visto de longe
Sinto-te em cada olhar que nem sequer é para mim
Sento-me no colo que só a minha ingenuidade conhece
e só a minha imaginação acredita.
Aconchego-me para não cair do meu sonho abaixo
Estás tão longe
e mesmo assim encosto a minha cara no teu peito e aguardo o bater mais forte do teu coração
Enrolo-me no teu pescoço à procura do beijo quente entalado no meu abraço
Estás tão longe, tão frio
devia puxar-te o lençol para cima
talvez acordes mais perto.
quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
S.Valentim não celebra o Amor!
Sim, o Amor devia ser celebrado todos os dias, como a Mulher, o Pai, a Mãe, a Criança, mas esses têm todos um dia específico, o Amor, coitadinho, não. Ninguém vai jantar fora de propósito por causa do amor, mesmo que seja uma Segunda e esteja a chover carrinhos de mão, mas tanta gente que vai só para mostrar o namorado. Namorado ou namorada, qualquer um ou uma tem, é fácil, é só querer, ou deixar, depende do caso. Amor não, amor dói, amor cansa, mas também descansa, também aquece, por dentro e por fora, mesmo nas noites geladas de Inverno, que por acaso este ano não houve, talvez tenha havido menos amor também.
Podem dizer também que o dia do amor é quando o Homem quiser, tal como o Natal, mas também não vejo ninguém a enfeitar pinheiros em Maio.
O S.Valentim celebra ou protege, ou lá o que faz, os Namorados, não quer dizer necessariamente, e tantas vez, que exista o Amor, porque não basta fingi-lo, é bom que se sinta, e para isso não se precisa também necessariamente de namorado, ou de qualquer rótulo. Namorado é um rótulo que se tem ou se põe, para que os demais não nos pensem perdidos ou desamparados, mas tantas vezes também nos perdemos em namoros, ou coisa que o valha, inúteis, pessoas com quem preferíamos não nos ter cruzado. Mas aprendemos, aprendemos que é mais importante amar que andar de mão dada em locais públicos. É mais importante o amor que temos por nós mesmos que qualquer outro, por mais que nos possa arrebatar, pois sem o primeiro nunca conseguiremos desfrutar completamente do segundo. Este é o segredo, por isso conta-se baixinho…enquanto o Amor não tem o seu dia inteiro. Vinte e quatro horas de holofotes neste palco, nesta vida. "Bem o haja"
quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Há tempo demais
Prometo aqui por escrito que não o vou abandonar por tanto tempo outra vez, prometo que vou fazer um grande esforço para manter uma disciplina de escrita verdadeiramente frequente. Está prometido, está prometido! Bem-haja
sábado, 24 de Novembro de 2007
Carta aberta a Vítor Baía - Parte X
segunda-feira, 27 de Agosto de 2007
Devolução
Queria devolver várias. Devolver mesmo, para que voltem às prateleiras e alguém as possa levar para casa de novo.
Estão em bom estado, impecáveis, quase como novas, algumas delas acabadas de estrear. Não têm fotografias rasgadas nem discos partidos. Têm algumas músicas mais gastas de tanto ouvir, mas ainda tocam com a letra completa e intacta.Têm alguns filmes que não foram vistos, outros tirados do plástico da loja.
Estas emoções só tiveram um dono, mas não têm origem controlada nem garantia de durabilidade.
Têm colos quentinhos, chocolates e gomas, com prazo de validade acabado de ultrapassar. Não se aconselha, por isso, o seu consumo.
Devolvem-se intactas e embaladas em vácuo. Levam sorrisos, muitos sorrisos, e lágrimas, demasiadas, mas que podem ser usadas para outros fins.
Levam palavras bonitas e outras sem sentido, que ao misturar podem causar alguns efeitos secundários.
Estas emoções contêm ainda alguns presentes, algumas surpresas, mas tudo sem instruções de utilização.
Aguardo pretendentes à aquisição, que não carece de fiador. Garanto portes de envio.
sábado, 25 de Agosto de 2007
Com um brilhozinho (turvo) nos olhos
pusemos a rádio no On
acendemos a já costumeira velinha de igreja
pusemos no Off o telefone
e olha, não dá pra contar
pois sei que tu sabes aquilo que sabes que eu sei"
é que hoje 'desfiz' um amigo
e coisa mais desgostosa no mundo não há.
quarta-feira, 15 de Agosto de 2007
Uma questão de nome
Hoje, mesmo que a criança ainda tenha três ou quatro anos, já é a Maria Gonçalves Pereira ou o Afonso Oliveira e Sá. Claro que facilita a distinção, já que uma boa percentagem das meninas se chama simplesmente Maria.
Maria passou também a ser um nome vulgar nos rapazes, embora sempre como segundo nome, pelo menos até aos dezoito anos!!
Até aqui tudo bem, são modas, são gerações diferentes, antes do meu tempo também todas as meninas tinham Maria como (quase) prefixo do nome. Ninguém as tratava sequer por Maria-qualquer-coisa, o Maria era totalmente simbólico e quase obrigatório, mas sempre em primeiro. O meu avô quis ser um erudito e tentou pôr Maria como segundo nome à minha mãe, mas o registo não autorizou e, como todas as outras, levou com o prefixo feminino Maria.
Tudo isto são nomes, têm fases, vão e voltam aos registos mais, ou menos, frequentemente.
Onde eu queria chegar era à publicidade, e questionar o facto de em qualquer spot que seja, tenha o target que tiver, há sempre uma Rita algures.
Eu tenho para mim que tudo começou quando a outra criancinha resolveu subir para cima da Marguerita, e a mãe mandava-a descer dali, que ainda arranjava um 31.
Hoje em dia, na rádio, televisão ou imprensa escrita leva com uma Rita escarrapachada. Seja a criancinha suja a quem a mãe "já explicou a importância de lavar as mãos", as chatas amigas do trrimm trrimm da tv cabo ou até, a Rita que já teve 240 de colestrol e, imaginem, a Rita e o Tiago em que um deles é incontinente e usa Lindor...mas ninguém percebe qual deles é!
Não acho isto normal!!! Vamos a uma qualquer lista de nomes portugueses, tipo lista telefónica, por exemplo, e há tantos nomes, tantos nomes, porquê senhores publicitários, andarem sempre com a Rita...na ponta da língua?!
Se ainda fosse ao contrário...as Ritas de certeza que agradeciam!!Bem-haja
domingo, 12 de Agosto de 2007
Um golo do Caneco!
Uma final, uma taça!Ao fim de 24 jogos consecutivos sem perder, Paulo Bento faz levantar o caneco, o segundo do seu reinado do outro lado do banco, o lado que veste fato e gravata.
Ismailov, acabadinho de chegar de Marco de Canavezes, como o próprio nome indica, começou a sua carreira de leão ao peito, literalmente com o pé direito, num golaço daqueles que chegam aos clubes nos vídeos de promoção dos jogadores. Um golo literalmente do caneco!
É claro que não foi só uma Taça, foi um carago de uma Taça contra o Puorto, onde as vitórias são como "escovar os dentes"!
Dentistas nortenhos, abram alas, não para o Noddy, mas para as 63 cáries que vêm aí dos lados do Olival, que isto até até à próxima vitória ainda vai doer!!! Bem-haja e nada de chicletes!
terça-feira, 7 de Agosto de 2007
Amiga é um termo dúbio
É o tempo que precisamos para racional ou conscientemente chegar à conclusão que há uma pessoa (ou passou a haver) na nossa vida, que é diferente das outras aos nossos olhos, pelo menos num qualquer momento.
Para entrar nas coronárias de alguém é preciso muito, como mais ou menos tempo, mas muito. Muito que pode começar por tão pouco, por um aperto de mão mais demorado, com uma palavra dita na altura certa, um olhar cúmplice, ou um conjunto de abraços, discussões e colos que garantem o carinho, os olhos fechados num beijo, um cantinho reservado numa cama já quente.
Não há receitas, não há caminhos mais curtos ou soluções definitivas, não há ponteiros a atropelarem-se em relógios que nos dão sempre o mesmo tempo, embora por vezes pareça parado ou demasiado apressado. O tempo é o mesmo, hoje é hoje e amanhã logo se vê. É tão ténue a linha que nos liga ao fim.
Porque é que nem sempre aproveitamos ou contamos a história, mesmo que comece a meio do livro?
quarta-feira, 25 de Julho de 2007
sky shouldn't be the limit
Mas o céu foi mesmo o limite. Para lá do que se esperava, para lá do que era suposto, para lá das desculpas.
Já não há nada que o faça voltar, já não há explicações que atenuem a dor de perder alguém que foi antes do tempo.
A tua cabeça baixa, as tuas lágrimas, o teu inconformismo espelhava-se no olhar de todos os que ali estavam. Não há nada que o traga de volta e nos faça voltar para casa como se nada tivesse acontecido há sete dias.
As pessoas que se amam não se deixam, não partem, apenas nos deixam de visitar e ficam à nossa espera até ao dia em que o céu ou a terra, seja também o nosso limite. Quem nos ama não nos perde de vista, o amor não se esconde, pode apenas ficar mais longe.
Não há palavras, não há abraços, não há afectos que diminuam o sofrimento de uma família que perdeu um dos seus ramos mais altos e mais fortes. Não há nada neste mundo que possa garantir que daqui a uma semana, daqui a um mês ou dois, tudo vai ser diferente, porque simplesmente não vai. A árvore fica mais fraca, perde os frutos da próxima estação, mas tem de continuar de pé. Porque os que ficam, os que agora choram sem consolo que chegue, têm de ir buscar forças às raízes, ao tronco em que cresceram, e a tudo o que ficou para trás. Houve tanta coisa boa, tantas alegrias, tantas emoções, que sem ele, até aqui, também teriam sido diferentes. Ele estava cá, fez parte de toda a construção e fez com que todos à sua volta ficassem também com um bocadinho dele.
Não há regras para a vida e a morte aproveita-se disso.
Não há regras para viver e nós desperdiçamos demais.
Nestas alturas em que nos sentimos pequenos e inúteis para confrontar o destino, percebemos que a maior parte do tempo gastamos emoções à toa, perdemos tempo demais com problemas inúteis, que nos gastam energia e palavras desmedidas.
Não tenho palavras que te ajudem, porque tudo o que ouves ainda hoje, é o teu coração apertado demais para sentir seja o que for.
Não tenho talento nem capacidade para inventar o que quer que seja que te ajude a superar, o que só o tempo ajudará a atenuar.
Não quero ser o ombro chato a pedir que te encostes, porque tu tens o teu tempo, tens o teu espaço, o teu silêncio, a dor que só tu saberás gerir.
No dia em quiseres voltar cá estarei, no dia em quiseres falar ou responder, serei ouvidos ou teclado.
E porque não há nada que apresse uma dor, o compasso será sempre certo, porque só assim voltarás a ser e a estar outra vez, como dantes.
Aqui, agora e sempre,
Érre
quarta-feira, 18 de Julho de 2007
Fim da espera!
Esta espera chegava para duas ou três novas vidas, e nem para a tua ainda chegou, nem para uma dúvida que podia já existir. A incerteza, a angústia e a tristeza que me consomem, afogo-as num casamento feliz, onde só tu fazes ainda tanta falta.Encontro um pouco de ti em todas as crianças...
in Amar Demais, 2005
_________________________________________
Eles chegaram, vinham os dois de mão dada e a sorrir, como se tivessem acabado de encontrar todo o passado que não tiveram.
Têm a vida toda pela frente para compensar os primeiros anos em que ainda não vos conheciam. Não me canso de dizer o quanto feliz fiquei com a notícia. Não me canso de sublinhar a sorte que tiveram em encontrar dois colos como os vossos.
Tenho a certeza que ao fim de alguns dias já pareciam que tinham estado ali a vida toda, porque é tão fácil uma pessoa sentir-se bem ao vosso lado, quanto mais ao vosso colo.
As crianças são genuínas e estavam mais que prontas para vos receberem. Uma criança não recusa o amor, e se houvesse medida para o vosso, era de certeza numa escala gigante.
Um amor como o vosso que não precisa de cordão umbilical.
Numa semana de extremos emocionais, esta foi das melhores notícias que podia ter tido.
PARABÉNS!
sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Às vezes (não ) o amor
Apetece-me ver as coisas do outro lado, assistir de camarote ao que faço para poder melhorar, afastar-me do que tenho, do que sou, para me encontrar de novo.
Às vezes sinto-me longe. Perdida mas no meio de todo o meu mundo, das "minhas" pessoas, das minhas coisas.
Reconheço-me apenas pelo que me rodeia e me faz acreditar que sou mesmo eu.
Preciso de um pouco de espaço, desmarcar tudo e desligar os telefones.
De não ter de avisar que não janto ou onde vou jantar, de não ter de dizer nada sobre nada.
Desaparecer e voltar, só para saber que sou e estou mesmo aqui.
quarta-feira, 16 de Maio de 2007
Ano "quase"
De um lado ou de outro, um obstáculo, sempre o mesmo, repetido e aumentado. Suficiente para cortar qualquer um dos caminhos.
Muros altos para os quais vou perdendo as forças e as palavras, quando nem resposta tenho, para a questão mais simples: Porquê?
sábado, 12 de Maio de 2007
Pontualidade
Vou guardar para mim e só um dia te mostrar. Quando tu chegares e eu já tiver as malas feitas.
Espero-te mas não me atraso.
domingo, 6 de Maio de 2007
Reviver o passado em Viena
"Daydream delusion, limousine eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm a delusion angel
I'm a fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Lodged in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now?"
sábado, 5 de Maio de 2007
Música fatela que fala de amor
Será que as minhas mãos, sem dono, não terão onde poisar para se sentirem entrelaçadas, para que os meus dedos, esguios, se encaixem nos teus e façam o laço perfeito atrás das minhas costas?
Quero ouvir essas mesmas músicas e sentir-me fora de moda, fora de sítio, mas no lugar certo, no coração de quem me leve a razão, que me tire os pés do chão.
Já não sei amar, mas sei que não custa perceber quando lá se chegou, sei que o estado não revela o tempo nem tudo o que se sonhou pelo caminho.
Sei que amar divide, tanto quanto une. Leva-me, onde já tendo ido, quero sempre voltar, porque sei que esta viagem, embora longa, me traz sempre mais de mim. E principalmente para te dar a ti, espelho do que a minha memória não conseguiu apagar.
sexta-feira, 20 de Abril de 2007
Há sempre vida a passar lá fora
Não me sinto sozinha, não me sinto abandonada, ainda não tive tempo em que me apeteceu fugir de casa para ver pessoas, só porque sim, porque estava cansada só de mim.
Aprendi a falar sozinha, com os móveis, com a televisão, ou com a roupa. Faço perguntas às quais respondo, num diálogo comigo que não me deixa amolecer por dentro.
Fico quieta, deitada no sofá, mas por dentro continuo a fervilhar de ideias, decisões, combinações e ausências.
Mas é o tempo que me deixa continuar a sonhar e a decidir chegar mais perto, e se não o fizer, nunca o saberei.
quarta-feira, 11 de Abril de 2007
Dancing when the stars go blue
quero virar a banda e a pista nos teus braços
quero encostar-me ao teu pescoço
e pensar que posso lá ficar
quero duas mãos para me agarrar
um sorriso para troçar
uma pisadela para me queixar
um beijo para evitar
quero virar a cara e cantar
quero olhar e ainda estares lá
para te poder fitar
para te poder largar
deixa-me chegar ao pé de ti
deixa-me olhar-te sem ter de fugir
ficar em ti, junto a ti
ficar nos teus braços sem tempo
fechar os olhos e sentir-me no teu peito
perder as forças e ficar no teu abraço
no teu beijo, no teu calor
no teu colo, na tua paz.
quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007
Chegar ao nada
sem hoje, sem amanhã
sem sempre, sem sonhos
sem queixas, sem nada.
sábado, 27 de Janeiro de 2007
2007 ainda agora começou
Promessas, juras, objectivos, que vamos perdendo à medida que o ano vai deixando de ser novo, quando é só mais um ano.
Como nós, quando vamos deixando de ser novos, quando já somos (tantas vezes) só mais um.
segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006
Magia na ponta dos dedos
É um dos meus preferidos e foi a primeira vez que o vi ao vivo e a cores, ali à minha frente a escassos metros de distância. Wim, Mertens provavelmente do pai, brindou-me com duas horas de intenso prazer. O piano, um corredor a preto e branco de onde faz sair uma escala inteira de emoções. Encores sucessivos como se não conseguisse fazer parar as palmas, as nossas palmas, o que o mantém sentado ainda mais um bocadinho, para mostrar uma das melhores receitas belgas, onde nem tudo é chocolate.
Em Un Respiro mostra-me, desta vez ao vivo no S.Luiz, a melhor coisa que um homem consegue fazer com a ponta dos dedos...bem, talvez a segunda melhor!! Bem-Haja!
domingo, 10 de Dezembro de 2006
segunda-feira, 27 de Novembro de 2006
Diego Armando
Diego Maradona está a partir de agora imortalizado numa estátua que recorda o Mundial do México de 1986O ídolo voltou ao estádio e desta vez para ficar. Os adeptos e admiradores da lenda viva do futebol podem a partir de agora admirar a estátua que foi erguida em homenagem àquele que foi, e é, o mais consagrado símbolo do desporto rei argentino.
Vinte anos passados do Mundial em que a Argentina levantou a taça maior da modalidade, Maradona, braçadeira de capitão, e com a mão, desta vez no peito, faz ainda chorar um público que nunca o deixou, por piores que tenham sido os seus exemplos.
segunda-feira, 13 de Novembro de 2006
Como se... #2
Reencontrei-te
como se tropeçasse num episódio esquecido de uma série antiga
Lembrei-te
como se nunca nos tivessemos perdido de vista
Sonhei-te
como se a noite te trouxesse de uma vez por todas
quinta-feira, 9 de Novembro de 2006
Há ir e voltar
Gosto de viajar
de ir
porque também gosto muito de voltar
Gosto de conhecer os sítios
as pessoas e os seus costumes
o seu olhar
o mundo visto do outro lado
Gosto de procurar a melhor vista
a esplanada mais absorvente
o restaurante que respire mais história
a mercearia mais antiga
Gosto de fotografar as crianças
os velhos
os restos da história que ainda não deixaram cair
mas também o postal perfeito
a vista batida das páginas das revistas
porque os cheiros nunca nos chegam em papel couchet
Gosto do cheiro dos lugares
por muito estranhos e muito insuportáveis que sejam
gosto de associar os cheiros aos lugares
o caminho mais perto para lá voltar
Gosto especialmente de estar e sentir onde estou e com quem estou
o que vi
quem eu conheci
onde fui e o aroma que tinha acabam por passar
como tudo passa
o que senti ficará para sempre no lugar dos insubstituíveis
onde circulam também os amigos de sempre e os que vão chegando devagarinho.
domingo, 5 de Novembro de 2006
Como se...
Olhava-te
Como se estivesses aqui
Queria-te
Como se fosses meu
Perguntei-te
Como se nada fosse
Vais continuar aí onde não chego?
sexta-feira, 27 de Outubro de 2006
segunda-feira, 9 de Outubro de 2006
From Bali with love
Aqui parece ser o fim do mundo, mas no topo. Aqui o limite do ceu e do mar nao parece ter fim e termino os meus dias numa contemplacao unica de um por-do-sol merecedor de palmas e ovacao.
Nao apetece ir mais longe para ver seja o que for, nao existe mais longe por aqui, nao existe mais profundo e deixo-me estar ate que o tempo passe o suficiente e deixe chegar a hora de partir.
Vale a pena viver isto, vale a pena SO estar aqui tao longe que nao me deixa quase ver o passado, mas oferece energia suficiente para encarar o futuro. Bem-Haja!
terça-feira, 26 de Setembro de 2006
A viagem como ela é
O biquini é outro, que, pelo sim, pelo não, vai sempre, mesmo no pico do Inverno, não vá o hotel, mesmo que de 2**, ter uma piscina interior aquecida ou um jacuzzi apetitoso.
Tudo isto para chegar a uma conclusão bem simples: não existem malas de viagem demasiado grandes. Posso até acrescentar esta premissa a uma frase célebre, “nunca se é magro demais, rico demais”...nem uma mala é grande demais. A mala de viagem tenha o tamanho que tiver, leva sempre tudo o que couber, havendo sempre um cantinho para um cinto ou para o carregador do telemóvel. Fechar uma mala tem por isso, um encanto e um receio, que me acompanha até ao momento em que no check-in fazem a sua pesagem.
Para fechar uma mala de viagem já tive de fazer pressão no tecto do quarto, equilibrando-me de pé em cima da mala por fechar na cama do quarto de hotel, para fechar uma mala já parti as dobradiças que unem as duas faces da mala rígida, valendo-me o facto de ter sido ainda em casa, antes da viagem de ida. A viagem começa no momento em que a mala é fechada, e durante o tempo todo até chegar ao destino há uma frase que me assombra de forma permanente: «Acho que me esqueci de alguma coisa!»
quinta-feira, 21 de Setembro de 2006
Etiqueta
quando fores etiquetado tens que escrever seis informações aleatórias sobre ti. depois escolhes seis pessoas para etiquetar e lista os seus nomes.
Aqui vão as minhas:
# Made in portugal
Totalmente produzida em Portugal por portugueses, nascida, criada e vivida em Portugal. Pronto, bastantes escapadinhas para fora, mas uma pessoa também se tem de fazer à vida!
# 10% Algodão...doce, adquiridos na extinta feira popular. 70% elastano, adquirida em décadas de ginástica. 20% gomas, adquiridas durante muitos anos em Ayamonte.
# Resistente à água fria
após 3 meses sem gás, permanece com quase a totalidade da vitalidade
# Pode usar-se do avesso
Os danos causados são da exclusiva responsabilidade do utilizador
# Em caso de perda, é favor devolver para: tá perdido, tá perdido, quero lá isto de volta!
# Sem aditivos
Todo o material é de origem controlada
Os etiquetados que se seguem:
Q-werty
A menina Alegria de Viver
O menino que ia pá terra
A miúda
A Estrela do Norte
Gata Assanhada
Bem-haja.
segunda-feira, 18 de Setembro de 2006
sexta-feira, 15 de Setembro de 2006
A escutar é que a gente se entende
No fundo, é como as vizinhas, só quando ouvem que alguém se vai separar é que se lembram que ouviram discussões todas as noites e loiça a partir-se constantemente, mas na altura pensaram que era dos armários serem estreitos. De repente sabem de tudo e ele tratava-a muito mal.
No futebol é mais ou menos assim, as coisas acontecem, não se percebe bem porquê, alguém faz queixa, anos depois pegam no processo e vai-se a ver alguém tinha ligado a alguém a convidar para jantar e depois de jantar umas amigas de uns amigos meus lá vão ajudar alguém a ter uma alegria que a esposa já não lhe dá, e é isto, de repente alguém viu, ouviu e sabe que alguém foi tendencioso a custo de alguns momentos bem passados e de alguns cheques igualmente passados.
Na minha rua há uma senhora que está o dia todo à janela. Vê toda a gente a entrar e a sair de casa, com quem chegam, com quem saem. Ela é uma escuta de bairro, é outra dimensão, mas para os pequenos casos, este tipo de escuta também é importante. A minha vizinha do segundo andar costuma andar de camisa de dormir para ir levar o lixo á rua, tudo bem que não é um babydoll, mas para todos os efeitos pode ser considerado provocação, e se ela for violada quem é que lhe pode valer, a escuta da vizinha que estava ali, à janela e viu tudo.
No futebol, como na vida, as escutas salvam uns e acusam outros, agora todos os dias temos conversas novas para ouvir, trocas de árbitros e favores, discussões e opiniões que não interessam a ninguém. O futebol não vai nada bem, dizem, mas a vida também não vai bem, vai para alguns meses que não tenho uma conversa decente ao telefone, daquelas que acabam sempre com alguns termos em espanhol, aquele espanhol que se aprende na televisão.
sábado, 2 de Setembro de 2006
Abre a pernoca que lá vem ele
Durante séculos, o facto de não ser totalmente descarado e impossível de encobrir como o masculino, o orgasmo feminino não era sequer considerado como reacção física ou orgânica, do prazer feminino.
Hoje, depois de muita especulação à volta do orgasmo feminino e de todas as suas formas simuladas ou fingidas, posso chegar a uma simples conclusão: o homem raramente se apercebe do sucedido, ou sucedidos, e mesmo que tenham tentado, durante décadas, convencer-nos de que não se importam com o facto deles existirem ou não. Cada vez mais a mulher descobriu o seu prazer, a maneira de o conseguir e a habilidade masculina de o proporcionar. A partir dessa descoberta, também essa passou a ser uma das condicionantes a ter em conta na factura da relação.
Continuo a fingi-los, continuo a descobrir cada vez mais, tudo o que me pode proporcionar mais e melhor prazer e continuo a deixar que os homens acreditem que a sua prestação foi a melhor que já encontrei. Faz parte do charme feminino, e alimenta o orgulho masculino que, como sabemos, pode determinar sempre a próxima vez. Para o bem e para o mal, convém sempre que eles fiquem satisfeitos com eles próprios e, já que estão ali, que façam o que têm a fazer.
E se havia dúvidas de que o prazer da mulher aumentava depois de acabar os vintes, quem vai lá chegando, vai confirmando, a pouco e pouco que não podia ser mais verdade. Além de saber distinguir bem mais lucidamente tudo o que se passa do outro lado da cama, o corpo começa a pedir alegrias que até há bem pouco tempo nem faziam grande diferença. Também já não chega ser atlética e ágil, formosa e bonita, há que ter habilidade para conseguir tornar uma das situações mais íntimas e ao mesmo tempo (tantas vezes) embaraçosas, num movimento sexy e aparentemente natural.
Não aguento ver mulheres a deixarem-se ficar em longas relações ou casamentos, em que o desejo e o encanto da criatividade, dá lugar ao hábito de estar ali e cumprir a sua função. Por favor, já lá vai o tempo em que a mulher servia para deitar de costas e afastar as pernocas para “aceitar” o dever da reprodução e continuidade da espécie.
quarta-feira, 19 de Julho de 2006
Elogio ao Futebol
O Mundial 2006 começava e Portugal voltava a viver um pouco do que viu em 2004. Peregrinações ao Marquês de Pombal, carros a apitar pelas ruas onde aparentemente nada acontecia, reuniões em cafés, restaurantes e afins, para mais hora e meia de futebol em duas ou três horas de festa.
O futebol é muito mais do que aquilo que assistimos dentro das quatro linhas, é muito mais do que golos e passagens à fase seguinte. Muitos são aqueles que não entendem um fora de jogo posicional, mas todos sabem o que é um golo e quando ele acontece. O golo é provavelmente a forma de expressão mais globalizante.
Não há maus golos, há golos muito bons e golos. Há golos que carregam títulos e golos que valem o que valem. Há golos que trazem melhores contratos e muita tinta em jornais e revistas e golos que apenas aliviam o orgulho.
Neste Mundial, Portugal voltou a viver e a sofrer os golos, as defesas, os quase golos, as faltas cometidas e não cometidas, enfim, em menor quantidade, mas mais concentrado, voltou ao sofrimento do “mata-mata” que em 2004 conheceu desde o segundo jogo.
Agora já éramos maiores, já carregávamos um “vice” que antes não existia, tínhamos uma equipa adulta, um conjunto de grandes jogadores que hoje formam uma grande equipa, termo que até 2004 não conhecíamos. Sempre tivemos bons jogadores, daqueles que jogam no estrangeiro e tudo, mas tínhamos essencialmente artistas, amontoados de ego a jogar pelos contratos, pelo auto sucesso, por e para si próprios. Quem não conseguir encontrar as diferenças até no seus discursos mais simples que levante o braço. Estes jogadores, alguns dos mesmos que um dia jogavam sozinhos, estão e são diferentes, cresceram por todos os lados, fizeram-nos crescer. Luís Figo conseguiu pôr Portugal no mapa de milhares, e porque não dizer milhões, de cidadãos por esse mundo fora, onde nunca tinha chegado este país. Mais do que Eusébio, porque hoje há televisões, internet e jornais por todo o lado, Portugal chegou mais longe com Luís Figo que com qualquer acordo de cooperação económica ou social, porque o futebol ultrapassa qualquer assinatura.
Neste Mundial Portugal comemorou uma derrota, o jogo com a França conseguiu unir um país a um conjunto de rapazes que a cada dia levava mais longe a nossa bandeira. Perdemos com uma grande dose de injustiça, mas também não é de justiça que vive o futebol. Eles marcaram e nós não conseguimos. E se existem vitórias morais, esta não o foi, foi quanto muito uma derrota imoral, de onde saímos com o sentimento de poder ter ido mais longe, de poder ultrapassar esta “maldição” que liga França e meias finais. Não foi desta, mas foi desta que tivemos a certeza que ali podemos voltar, que agora podemos ter sempre lugar entre os melhores dos melhores e que já não somos os pobrezinhos e injustiçados.
Gostávamos de ter um défice mais pequeno, uma economia mais forte, menos desemprego, um sistema de saúde que realmente funcione, uma educação como deve ser, e tudo isto não passa com golos, mas também não é disto que o futebol fala. O futebol fala de emoções, de alegria, de tristeza, sofrimento e euforia, todas aquelas que nos fazem melhores nas outras balizas das nossas vidas. A vida não é só futebol, mas não há nada que una e faça levantar da cadeira tanta gente de uma só vez. Com este nosso futebol o país levantou-se e talvez parte dele se tenha posto a mexer. Voltámos a não trazer a taça, voltámos a chegar quase lá, mas o que vamos ganhando é ouro para os nossos ânimos, e também por isso valeu mesmo a pena.
Hoje temos uma equipa, uma bandeira e um país para esfregar na cara do mundo, e embora o futebol não seja tudo, é sem dúvida uma das melhores montras!
domingo, 9 de Julho de 2006
quarta-feira, 21 de Junho de 2006
Aqui de fresco
quarta-feira, 14 de Junho de 2006
Temos Mundial, só não temos futebol!
Bem-haja os canais abertos que não "conseguiram" investir no evento desportivo com maior audiência do mundo.
quarta-feira, 7 de Junho de 2006
Desamor?!
Amores que nos deixam de rastos num dia e no dia seguinte parece que nada aconteceu, sem nunca perderem a força. Um amor que é verdadeiro nunca nos dói até ao dia em que nos deixa. Antes tudo parece perfeito, tudo parece bater certo e fazer sentido. Não há exactidões nem palavras com sentido, há lugares, há sons que despertam a memória, o olhar, todos os sentidos.
Gostava de te ter no meu olhar, ou num dos meus sentidos, fosse ele qual fosse.
Amores que se atravessam, amores que nunca o chegam a ser porque não têm espaço para existirem, nem tempo, nem ordem, nem donos. Amores que não pedem licença, não têm direito nem memória. Num olhar perdem todos os adereços, todos os enfeites, todas as defesas de que se muniram para lutar contra o objecto de seu desfavor, o seu eterno orgulho, o seu amor.
quarta-feira, 24 de Maio de 2006
Carta aberta a Vítor Baía - Parte VIII
mais uma vez a injustiça bateu-lhe à porta, como sempre o afirmou. Veja lá, se é possível não chamarem à selecção um guarda-redes que jogou meia dúzia de jogos nesta época?! Sim, é possível, chamaram o Quim!
Mas veja as coisas deste modo, se for disciplinado e fizer os exercícios para as articulações que o senhor Dr. lhe receitou, em 2012 já José Mourinho será seleccionador nacional, e você, meu caro Vítor, poderá de certeza voltar. Ele não lhe negará esse desejo, depois de tudo o que fez por ele...
Um bem-haja para si e para os seus.
sexta-feira, 21 de Abril de 2006
Agora que o "Sexo e a Cidade" acabou
Aquele que sempre aparece quando algo começa a correr bem, quando uma pessoa nova existe na nossa vida? Quando pensávamos já o ter esquecido, depois de ele deixar de fazer parte da nossa vida...
Quando uma mulher contraria isso, pensará sempre no que poderia ter acontecido?! Viverá na indecisão de tentar ou ter voltado a tentar? Não existirá uma falha em qualquer relação por falta de uma entrega que ficou presa a essa dúvida?
A dúvida do que podia ter sido não será sempre mais forte do que uma relação falhada? Não estará sempre presente a possibilidade da decisão errada, nos momentos dolorosos de uma relação?
Existirá sempre um Mr.Big em nós, ou somos só nós que criamos tal personagem fictícia para poder desculpar e associar os nossos desaires e erros amorosos? Não teremos no nosso Mr.Big, a solução para todos os desgostos?Procuramos o nosso Mr.Big mais que uma vez, ou serão só as ideias e as memórias que nos prendem?
Não procuramos o Mr.Big em todos os homens com quem nos relacionamos? Não procuramos uma relação que correu bem, mesmo que limitada no tempo, em todas as que vamos tendo ao longo do tempo?
O Mr.Big é ou não fruto do nosso desejo? Não será fruto de uma sobrevalorização ao longo de várias tentativas posteriores falhadas?
O Mr.Big existe ou será o resultado de uma reunião de características preferidas e que nos correram bem, que fomos recolhendo ao longo de todas as nossas relações?
segunda-feira, 10 de Abril de 2006
Encontrei-os
Já era Fevereiro, eles deviam estar mesmo de volta a casa e eu vi-os. Eu vi, juro que eram eles, deviam estar mesmo a chegar porque ainda não tinham sequer entrado na janela.Isto passa-se em Bruxelas, dai terem demorado tanto tempo a chegar depois da época natalícia. Aqui descobri então a casa deles, é aqui que no final da época natalícia (depois de estarem pelo menos um mês a tentar subir ás janelas dos resto do mundo) eles regressam para descansar até Novembro próximo. Estavam todos a chegar, foi tão bonito!!Bem-haja Pai Natal alpinista!
(photo:miss green)
domingo, 4 de Dezembro de 2005
A saga do Pai Natal alpinista
Já não aguento vê-los por todo o lado, já não aguento ver as versões de plástico ou tecido, com publicidade ou não, agarrados a uma corda. Como é que se explica a uma criança que o Pai Natal vem do Pólo Norte, chega na noite de Natal para a distribuição, e no entanto, durante o mês de Dezembro eles estão em todo o lado, prestes a chegar à janela da casa de cada um?! Isto é fazer das criancinhas idiotas ao acreditarem que além de ele querer entrar pela janela de casa, ainda vai tocar à campainha na noite de Natal, ou seja, depois de passar o mês de Dezembro todo a escalar para lhe entrar à socapa pela janela, na noite de Natal, desiste e vai à volta, pela própria da porta de casa e como se não bastasse, toca à campainha.
E depois não percebem porque é que as criancinhas fazem tantas perguntas. Com historinhas assim repletas de coerência não admira nada.
terça-feira, 29 de Novembro de 2005
À procura da certeza
O que eu gostava, o resto do mundo procura incessantemente há Eras. Se percebêssemos sempre o que sentimos, acabariam a maioria das buscas espirituais, as depressões, os delírios eufóricos em que mergulhamos as nossas loucuras. Se tivéssemos certezas de onde elas não podem nascer, se elas por mero acaso existissem algures onde as pudéssemos encontrar, esse lugar estaria sob escuta, sob protecção policial, coberta por um vidro resistente, tal como estão as nossas angústias à espera de as alcançar.
segunda-feira, 14 de Novembro de 2005
Separar: acto de dividir duas partes
Já não são as mesmas pessoas, já não são as mesmas com que se habituaram a trocar desejos, projectos e carinho. Uma crítica soa a insulto, uma demonstração de afecto, a pena. Já não se reage instintivamente a um sorriso, a um abraço ou a uma lágrima. Já não se é só por ser, é-se para se parecer.
Ninguém quer sair magoado de uma separação, mas é inevitável. Por deixar ou ser deixado, não importa o motivo. Um é a acção, o outro a reacção, e normalmente, como na vida, é mais fácil reagir, não que custe menos, mas porque não precisa de iniciativa, porque não precisa de tomada de posição, basta estar ali, ouvir, sofrer, chorar, questionar. Deixar alguém de quem se gosta muito, alguém que não se quer perder e deixar de fazer parte da sua vida, é por demais angustiante, doloroso, penoso até. Uma pessoa quer deixar a outra mas não quer deixar de a ter, não por egoísmo ou sentimento de posse exagerado, não por querer ser adorada e desejada para sempre, mas sim por continuar a ter ao seu lado uma pessoa com a qual tem ou criou, tantas afinidades e cumplicidades que não se imagina a desfazer-se delas, ou despedir-se delas como se de companheiros de viagem se tratassem, ou até, ter de encontrá-las de novo numa outra pessoa.
As pessoas hoje já são como são, já não têm dez anos para criarem juntas as suas manias, os seus interesses, as suas ambições a sua personalidade. A vida normalmente encarrega-se de separar naturalmente personalidades que crescem juntas, que se constróem juntas. Como também se encarrega e insiste em juntá-las mais tarde com outras já formadas, e é aqui que se reconhecem as afinidades, não são, nem existem só porque queremos, acontece, normalmente sem escolha ou procura, aparecem ao nosso lado, cruzam-se connosco como se tivessem feito ao nosso lado todo o caminho que já percorremos e nunca as tivéssemos visto.
Agora ficam longe, como se voltassem a não se ver, mesmo caminhando lado a lado e mesmo sabendo um do outro. Agora já não chega ouvir a outra voz para descansar, agora já não chegam palavras para apagar tudo o que foi dito, já não chega estarem juntos e conversarem sobre tudo e sobre nada. Já não chega, já não é, já não serve de nada tudo que aconteceu até aqui.
sexta-feira, 11 de Novembro de 2005
Não faz sentido nenhum
Portugal foi apurado para o Mundial de 2006 na fase inicial de eliminatórias de grupos. Mas o que é isto? O que é feito do sofrimento que qualquer português tem de ter para dar valor às competições? Já com o EURO 2004 foi o que foi sem precisarmos de ser apurados, e agora isto! É que não nos faltava mais nada. Nem a um play-off nós tivemos a decência de ir. Esperar até ao último jogo para sermos apurados mesmo no prolongamento, ou até nos penaltys, isto sim é de uma equipa portuguesa que se preze, agora assim, desculpem lá, isto assim não é nada!!!
Carta aberta a Vítor Baía - Parte VII
folgo em sabê-lo detentor de uma auto biografia. Folgo ainda mais por saber que a editaram e o Sr. Miguel Sousa Tavares lhe proporcionou uma entrevista, que pelo que percebi também faz parte integrante do livro.
Continuo a ficar espantada pela sua contínua dúvida, mas penso que agora terá uma óptima resposta. Andou a gastar o seu tempo a escrever um livro, pois claro que não teve tempo para a selecção. Uma pessoa vai a ver e ainda é você que pede para não ir. "Ó Mister Scolari, esta semana não me dá jeito nenhum o estágio, tenho mais 20 páginas para escrever, a minha editora anda a pressionar-me com prazos de entrega dos originais do livro, não vai dar Mister"
E depois ainda se queixa...ainda faz perguntas...ainda vende mais que eu, claro!
quinta-feira, 18 de Agosto de 2005
Superliga 2005/2006
A Superliga portuguesa que durante os últimos 3 anos foi patrocinada e por isso denominada SUPERLIGA GALP ENERGIA, vai , provavelmente, esta época, ser patrocinada por uma empresa de apostas de todo o género. Chama-se BETANDWIN, e como se prevê terá uma fácil leitura para o comum do português. Vou tentar imaginar algumas das hipóteses:
SUPERLIGA BETADINE
- Ó Maria Adelaide, Betadine não é aquilo que pomos nas feridas dos miúdos??
- É, porquê?
- São os patrocinadores da SUPERLIGA, deve ser por causa do Boavista e do Vitória de Guimarães, é só feridas!
SUPERLIGA BETÃO UI
- Esta merda das construtoras, depois de hipotecarem jogadores, já devem ter hipotecado a SUPERLIGA
SUPERLIGA BÉTAN VIN
- Depois da SAGRES, claro que tinham de meter vinho,ainda por cima entrangeiro, aposto que o Vilarinho ainda tem mão nisto
SUPERLIGA BETAND.WIN
- Isto deve ser um vírus, apaga-me isso. Ou então é o Bill Gates já a meter o bedelho na bola
SUPERLIGA BEDUINE
-Isto cheira-me a árabe, tu queres ver que nos vão fazer a folha na Luz?!
SUPERLIGA BETÃOI
-Mas que merda é esta?!hã?Os gajos do Porto já dominaram também isto??Tinha de ser, é mesmo coisinha à Pinto da Costa!
segunda-feira, 1 de Agosto de 2005
A Capital
Ao longo de vários anos desacreditei, descredibilizei, e quase desisti completamente da imprensa escrita. Por insistência, continuei a ler alguns dos generalistas mais vendidos e continuei a constatar o facto inerente a todos eles. O jornalismo de imprensa não tem sido pautado por factos, mas sim por opiniões sobre os mesmos. Dai conseguirmos em poucos artigos de opinião definir a linha política, ou tendencial do jornal na sua totalidade.
Neste últimos dois meses, tenho vindo a acompanhar A Capital diariamente, confesso que apenas na versão online, mas de uma maneira totalmente descomprometida.
Encontrei nela (A Capital) um jornal factual de informação, como aliás, todos o deveriam ser. Mas por outro lado, encontrei um jornal feito, escrito, e dirigido, por pessoas. Pessoas reais, que nas suas crónicas ou artigos (como prefiram chamar) explicitamente e declaradamente de opinião, encontravam o espaço previsto para a transmitir sobre a sua matéria, e não incuti-la numa qualquer notícia abordada pela publicação de que faziam parte.
Tenho a sensação que grande parte de população portuguesa ainda tinha a sensação, ou a idiota ideia, que A Capital, ainda continuava a ser um jornal de notícias de última hora que saía só da parte da tarde, tal como eu tinha até há, mais ou menos, dois meses. Mas não, A Capital cada vez mais se afirmava como uma publicação alternativa, fora do contexto da imprensa escrita actual. Foi esta a sua “falha”. Tentou ser diferente entre iguais, tentou ter uma equipa que se suportava mutuamente, e melhor, até se dava quase como uma família, tentou ter opiniões e artigos de jovens de quem nunca ninguém ouviu falar, mas que o futuro se encarregará de nos voltar a mostrar. Tentou algo que raramente se encontra numa redacção, onde cada um tenta puxar os seus galões e dar a sua mais interventiva “opinião noticial”, onde, por muito que custe acreditar, as opções políticas ou sentimentais, ou o que forem, contam sempre mais que os factos.
Tinha 37 anos e acabou hoje, sem se saber se volta, ou como poderá voltar.
Aos 37 anos ainda se é um jovem. A Capital é jovem, mas era madura e soube acompanhar as mudanças onde o nosso regime, a nossa sociedade e o público se posicionou. A Capital sempre quis ser mais. Ultimamente desejou e lutou ainda mais, quis ser melhor. O mais caricato é que conseguiu e poucos deram por isso, tal como eu.
Hoje acabou e nem (quase) tive tempo de a saborear. Hoje acabou e deixou-nos o testemunho da maior parte dos que para ela contribuíram. Hoje foi o fim, um fim como os outros todos, que implica sempre um outro início, seja ele qual for.
Bem ditos aqueles que contribuem, como todos eles, para que este país seja um pouco mais que opiniões fundamentadas em opiniões formadas de opiniões pensadas de opiniões reflectidas de opiniões.
Bem-haja as ideias e pessoas como vocês.
sexta-feira, 24 de Junho de 2005
“Mudaremos o mundo depois das 3 da manhã”
ao Luís:Cheguei a casa e peguei no teu livro. Li as indicações musicais de acompanhamento, não resisti ao ver um dos meus preferidos, nem esperei pelo virar da página e o Sr.Mertens já tocava. Só podia ser um bom pronuncio.
Consumi palavra por palavra, verso por verso, tudo por tudo.
Tanto de ti que ali estava. Mesmo com pouco tempo na minha existência, encontrei-te tão bem em tantas das palavras, das angústias, das torturas, da esperança, das promessas relatadas nestas páginas. Encontrei-te porque tu és muito mais do que todas elas, e quando as deixas assim, nas páginas de um livro, elas começam a viver sozinhas e separam-se de ti. Partem. Tu permaneces.Tens tanto ainda para nos dares, nunca poderias ir com elas.
Quero-te encontrar em muitas mais. Parabéns. Bem-haja.
segunda-feira, 13 de Junho de 2005
Gastaram-se as palavras.
É tão mais difícil conseguir ser simples desta maneira. É tão mais difícil ver as coisas que os outros vêem e conseguir escrevê-las assim, com uma solenidade arrebatadora, mesmo que banal seja o motivo.
A Eugénio de Andrade não se dedicam palavras, dedicam-se leituras, porque embora elas não se consigam gastar ao falar da sua obra, a maior dedicatória que lhe podemos fazer é ler. Ler as suas obras, os seus poemas, as suas palavras.
O poeta desapareceu hoje, mas na sua escrita permanece quase tudo o que quis dizer. Porque ele próprio escrevia porque precisava de o fazer. E nós precisamos tanto de o ler.
Bem-haja Geninho.
sexta-feira, 13 de Maio de 2005
Dia da Fátinha!
Eu cá gostava tanto de ter uma aparição só para mim. Gostava, por exemplo, de acordar e ter uma apariçãozinha do Brad Pitt, mas com tanto azar, hoje que é Sexta –feira 13, ainda ele aparecia com a outra dos lábios de plástico, nariz de plástico, mamas de plástico e quase tudo de plástico.
De plástico não vai ser com certeza o novo herdeiro directo do trono de Espanha, pelo menos se sair ao pai, ai Pipo...ai ai..pois é , a Sra. D.Letizia, que afinal não está anoréctica, está sim, grávida, o que constituí um grande alívio para nuestros hermanos. Coitada da rapariga, nem há 1 ano se casou, já a puseram a trabalhar. Qualquer dia temos aí um rebanho de Bourbons a formar a Companhia das Letizias. Não teremos é com certeza um ministro que possa despachá-los.
Bem-haja os Pipos desta vida.








